Boquinha
Folha de São Paulo
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Pivô da crise que quase implodiu o bloco de Baleia Rossi (MDB-SP), o DEM termina as eleições da Câmara e do Senado sob duras críticas. A principal impressão consolidada entre políticos de lados diferentes é a de que a sigla escolheu o caminho do pragmatismo pelo poder.
Para líderes partidários, o DEM vai ficar esperando de longe a articulação para 2022 e só se movimentará quando souber com qual lado terá mais chance de ganhar. Virou o PP, concluíram dois ex-parlamentares experientes.
Deu ruim
Além de ser chamado de traidor por integrantes do bloco de Baleia, como mostrou o Painel ontem, o presidente do DEM, ACM Neto (BA), ouviu de parlamentares no domingo que se tratava de uma quebra de confiança e que ele deixou a imagem de não ter palavra, atuando pelas costas.
Culpa dele
Entre aliados de Neto, a opinião é a de que Rodrigo Maia (DEM-RJ) se afundou sozinho. De acordo com essas pessoas, o agora ex-presidente não teve capacidade de articular sua base, mesmo sentado na cadeira.
Poder
No final, no entanto, os mais próximos do presidente do DEM assumiram a narrativa do sacrifício feito pelo cacique. Mesmo com parlamentares contra Maia, ele garantiu que seu partido não fechasse com o bloco de Arthur Lira (PP-AL).
Trinca
Para 2022, o DEM era a principal aposta de parceria do PSDB. O futuro agora é incerto. As desconfianças que existiam de que o partido de ACM Neto já estava tentando se descolar de uma candidatura de João Doria (PSDB) agora também se fortaleceram.
E agora
Para o presidente do Cidadania, Roberto Freire, com a opção por Lira, o DEM rompe com os partidos que discutiam a construção de uma frente ampla contra Jair Bolsonaro em 2022 e se afasta de Luciano Huck, que cogitava se filiar ao partido para se candidatar a presidente.
Sem match
“Como você pode ser oposição a Bolsonaro e se integrar a um partido que se dispõe a se aliar a ele?”, diz. Apesar do retrocesso na coalizão de centro esquerda, Freire crê que o desgaste de Bolsonaro é irreversível, em meio à pandemia. A saída de Maia do DEM ainda é esperada no meio político.
Apagão
Na época em que doenças como dengue, chikungunya e zika alcançam auge de disseminação (entre janeiro e abril), o Ministério da Saúde passou um mês sem publicar boletim epidemiológico sobre elas, entre 24 de dezembro e 26 de janeiro.
Referência
Por tradição publicados semanalmente ou quinzenalmente em épocas de sazonalidade, os boletins mostram em detalhes quantos casos foram notificados e em quais regiões. Eles servem de base para planos de contenção das doenças. O mais recente foi publicado na noite desta segunda, após questionamento do Painel.
Escolta
A Mesa Diretora da Câmara Municipal de SP aprovou medidas extras de segurança para a proteção de vereadores, que passarão a receber a escolta de guardas civis em casos de ameaças registradas em boletim de ocorrência.
Atenção
A vereadora Erika Hilton e as covereadoras Samara Sosthenes, da bancada Quilombo Periférico, e Carolina Iara, da Bancada Feminista, foram alvos de ataques.
Dilema
Apenas Hilton poderá ter escolta. Como mandatos coletivos não existem na lei, só a vereadora diplomada poderá ter a proteção. Vereadores da Mesa disseram que estão de mãos atadas diante da falta de regulamentação. A Câmara afirma que não há recursos para destinar guardas aos funcionários, que é a função formal de covereadores.
Vip
O plenário do Tribunal de Contas da União arquivou representação do Ministério Público da União contra a intenção da Procuradoria-Geral da República de contratar sala especial no aeroporto de Brasília para os subprocuradores-gerais.
Trocado
O relator Bruno Dantas disse não ter visto indício de irregularidade na “possível futura contratação” e que o risco e a materialidade são baixos: R$ 76 mil por ano pela sala.
Tiroteio
“Compõe com Bolsonaro sempre que acha conveniente. O problema é que ele acha o tempo todo...”.
De Chico Alencar (Psol-RJ) ex-deputado e vereador, sobre a eleição de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a presidência do Senado.
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Painel,por Folha de São Paulo