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OPINIÃO ECONÔMICA

Consolidação dos gigantes

Supermercados BH integra operações com o Grupo DMA (bandeiras EPA e Mineirão) marcando um novo capítulo na história do varejo nacional

Floriano Schneider | 06/05/2026, 06:30 h | Atualizado em 05/05/2026, 20:33
Opinião Econômica

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          Imagem ilustrativa da imagem Consolidação dos gigantes
Floriano Schneider é especialista em estratégias de vendas e negócios |  Foto: Acervo Pessoal

O anúncio da integração das operações dos Supermercados BH com o Grupo DMA (bandeiras EPA e Mineirão) marca um novo capítulo na história do varejo nacional. Ao unir forças, o grupo salta para o patamar de 600 lojas, consolidando-se como uma das maiores potências do setor na América Latina.

No Espírito Santo, onde ambas as redes já possuem capilaridade, essa “superfusão” promete redesenhar a dinâmica de consumo e a relação com fornecedores.

De forma direta, essas movimentações têm por objetivo aumentar a eficiência e o poder de compra, mas os benefícios se expandem quando o consumidor, no decorrer do processo, consegue perceber o ganho que reside na economia de escala. Isso vai criar impacto direto no varejo capixaba, dentro de um setor competitivo, como é o mercado supermercadista no Estado.

Eu sou filho de um dos principais personagens do setor supermercadista no Estado e vi o quanto o setor se desenvolveu com essas movimentações, desde quando a primeira multinacional (Carrefour) chegou, em 1994.

Os tempos mudaram, mas a estratégia é a mesma. Com um volume de compras massivo, a nova organização ganha um poder de negociação sem precedentes junto à indústria. Isso pode se traduzir em preços mais competitivos na gôndola, especialmente em itens de cesta básica e marcas próprias.

Além disso, a fusão tende a acelerar a modernização logística. A integração de centros de distribuição e a otimização de rotas podem resultar em produtos mais frescos e menor ruptura de estoque.

O modelo de “atacarejo” do Mineirão, somado à expertise de proximidade do EPA e à força de marca do BH, cria um ecossistema que atende desde a dona de casa até o pequeno empreendedor capixaba com mais eficiência.

Outro ponto é a manutenção de empregos e a possibilidade de novos investimentos em tecnologia e reformas de unidades que hoje operam abaixo de seu potencial.

Mas, para os fornecedores locais, o impacto pode ser severo. Pequenos produtores rurais e indústrias regionais do Estado podem ter dificuldade em atender às exigências de volume de um gigante de 600 lojas ou serem pressionados a reduzir suas margens de lucro para permanecer nas prateleiras.

Mas a conclusão é clara: a fusão BH-EPA/Mineirão é um movimento de sobrevivência e expansão em um setor de margens apertadas.

Para o Espírito Santo, o sucesso dessa união dependerá do equilíbrio: se o grupo repassar os ganhos de eficiência ao consumidor e mantiver as portas abertas para a produção regional, o Estado ganhará um varejo mais robusto.

Floriano Schneider é especialista em estratégias de vendas e negócios

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