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OLHARES COTIDIANOS

Quando ser forte também dói

Morte de comandante expõe avanço do feminicídio e violência contra a mulher

Sátina Pimenta | 26/03/2026, 12:18 h | Atualizado em 26/03/2026, 12:18
Olhares Cotidianos, por Sátina Pimenta

Sátina Pimenta

Satina Pimenta é psicóloga, advogada e mestre em Administração, com atuação na interface entre Direito, Psicologia e Gestão. Docente, coordenadora acadêmica e pesquisadora, é Pró-Reitora e Coordenadora de Psicologia no Centro Universitário Estácio Vitória. Palestrante em saúde mental, lidera projetos acadêmicos e idealizou o app EmocionCare.

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          Imagem ilustrativa da imagem Quando ser forte também dói
Sátina Pimenta é psicóloga clínica, advogada e professora universitária. |  Foto: Divulgação

Chegar ao fim de março e, mais uma vez, nos vermos diante de um caso de violência contra a mulher não deveria ser algo esperado — mas tem sido. Desta vez, falamos da comandante Dayse Barbosa, da Guarda Municipal de Vitória.

Uma mulher da linha de frente, que lidava diariamente com a violência — e, ainda assim, foi atravessada por ela.

Mais uma história interrompida. Mais uma família devastada. Mais um País que assiste, quase anestesiado, à repetição dessa dor.

E os dados escancaram essa realidade: o Brasil registrou o maior número de feminicídios dos últimos 10 anos. Foram 1.568 mulheres assassinadas — um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

E não estamos falando de falta de acesso ou de informação. Estamos falando de uma comandante da Guarda Municipal, de um policial rodoviário federal. Pessoas que conhecem a lei, que lidam com a violência diariamente, que ocupam lugares de autoridade. Ainda assim, a violência aconteceu.

Isso desmonta uma ideia perigosa: a de que certos lugares protegem automaticamente alguém da dor. Não protegem. A violência atravessa relações, silencia histórias e, muitas vezes, se esconde onde menos se espera.

E existe um ponto ainda mais delicado: o lugar das mulheres consideradas “fortes”.

Mulheres fortes lideram, enfrentam, denunciam, constroem políticas públicas, sustentam outras mulheres. Fazem, resistem, seguem. Mas existe um custo invisível nisso: em algum momento, ser forte vira quase uma obrigação de não poder ser fraca.

E é aí que muitas de nós se perdem.

Como admitir dor quando todos esperam resistência?

Como dizer “eu não estou bem” sendo referência para outras mulheres?

Como expor uma violência dentro de casa sendo alguém que, do lado de fora, combate a violência?

Nem toda violência deixa marcas visíveis. Ela pode ser psicológica, moral, silenciosa. E, justamente por isso, é ainda mais difícil de ser reconhecida e enfrentada.

Isso nos atravessa de forma íntima. Porque todas nós, em algum momento, nos perguntamos: “E se fosse comigo? Eu perceberia? Eu conseguiria sair?”

A resposta nunca é simples.

Por isso, talvez seja urgente ressignificar o que entendemos por força. Fraqueza não é o oposto de ser forte. Assumir que algo não está bem é força. Pedir ajuda é força. Sentir medo também é — porque o medo nos protege.

Ser forte não pode significar suportar tudo em silêncio. Talvez a verdadeira força esteja em reconhecer limites, em nomear a dor, em não dar conta.

Nenhuma mulher deveria precisar ser forte o tempo todo para sobreviver.

Ficam aqui meus sentimentos à família da comandante Dayse Barbosa, aos que a amaram, aos que conviviam com ela. E a todas as mulheres que, diariamente, resistem — muitas vezes em silêncio.

E fica também a pergunta que insiste em permanecer:

Até quando?

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Satina Pimenta é psicóloga, advogada e mestre em Administração, com atuação na interface entre Direito, Psicologia e Gestão. Docente, coordenadora acadêmica e pesquisadora, é Pró-Reitora e Coordenadora de Psicologia no Centro Universitário Estácio Vitória. Palestrante em saúde mental, lidera projetos acadêmicos e idealizou o app EmocionCare.

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Satina Pimenta é psicóloga, advogada e mestre em Administração, com atuação na interface entre Direito, Psicologia e Gestão. Docente, coordenadora acadêmica e pesquisadora, é Pró-Reitora e Coordenadora de Psicologia no Centro Universitário Estácio Vitória. Palestrante em saúde mental, lidera projetos acadêmicos e idealizou o app EmocionCare.

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