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OLHARES COTIDIANOS

Nem toda “perda” é perda

Olhar sobre o oscar vira ponto de partida para refletir sobre sucesso, perdas e reconhecimento das próprias conquistas

Sátina Pimenta | 19/03/2026, 13:05 h | Atualizado em 19/03/2026, 13:05
Olhares Cotidianos, por Sátina Pimenta

Sátina Pimenta

Satina Pimenta é psicóloga, advogada e mestre em Administração, com atuação na interface entre Direito, Psicologia e Gestão. Docente, coordenadora acadêmica e pesquisadora, é Pró-Reitora e Coordenadora de Psicologia no Centro Universitário Estácio Vitória. Palestrante em saúde mental, lidera projetos acadêmicos e idealizou o app EmocionCare.

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          Imagem ilustrativa da imagem Nem toda “perda” é perda
Sátina Pimenta é psicóloga clínica, advogada e professora universitária. |  Foto: Divulgação

Nos últimos dias, vi muita gente torcendo pelo Oscar – vibrando, comentando, acompanhando cada categoria. E, depois, também vi muita gente dizendo: “nós perdemos”. Mas será mesmo que perdemos?

Quando a gente olha com um pouco mais de cuidado, percebe o tamanho do que está em jogo ali. São milhares de filmes produzidos no mundo inteiro, milhares de atores, diretores, equipes inteiras que sonham em chegar até aquele lugar. E o Brasil… chega. Chega de novo. Chega com força. Chega com história.

Se a gente lembrar de nomes como Fernanda Montenegro e de tantas outras representações brasileiras ao longo dos anos, percebe que estar ali não é pouco. Nunca foi. Então, talvez a pergunta não seja “por que perdemos?”, mas sim: “por que tratamos como perda algo que já é, em si, uma conquista?”.

Chegar até ali já é grandioso. É reconhecimento mundial. É potência cultural. É construção. A gente ganhou presença. A gente ganhou visibilidade. A gente ganhou história.

E, mesmo assim, a lógica que muitas vezes usamos é a do “ou ganha tudo ou não valeu”. Isso me faz pensar em outras áreas da vida.

Quando um relacionamento termina, por exemplo, é comum ouvir: “não deu certo”. Mas será que não deu certo mesmo? Se foi saudável, se houve troca, se houve crescimento… Então deu certo enquanto existiu. E isso já é muita coisa. Nem tudo precisa durar para sempre para ter valor.

A gente não olha um arco-íris e fica frustrado porque não encontrou o pote de ouro. A gente olha e acha bonito. E isso basta.

Na vida profissional, também é assim. Nem todo trabalho é para sempre. Nem toda fase continua. E tudo bem. Se fez sentido naquele momento, se contribuiu, se construiu algo – então teve valor.

A grande questão talvez seja essa: a gente só considera válido aquilo que termina exatamente como a gente queria. Mas a vida não funciona assim. A gente ganha. A gente perde. (E, como já cantou Marcelo D2, faz parte.)

E tem uma coisa importante aqui: só perde quem entrou em jogo. Só perde quem tentou. Só perde quem construiu algo. Quem não faz nada… nem perde. Então, talvez, exista uma beleza até nisso: na possibilidade de perder. Porque ela revela que houve movimento, houve entrega, houve construção.

Isso também tem a ver com algo que a Psicologia já nomeou há algum tempo de Síndrome do Impostor (Clance e Imes, 1978) — esse lugar silencioso onde, mesmo quando a gente chega, ainda sente que não era bem para estar ali.

Como se o reconhecimento nunca atravessasse completamente. Como se sempre faltasse alguma coisa para, enfim, merecer. E aí, talvez, não seja só sobre não ganhar o Oscar, não manter o relacionamento ou não permanecer em um trabalho. Talvez seja também sobre essa dificuldade mais profunda de sustentar dentro de si a ideia de que o que foi vivido, construído e conquistado… já é válido.

Talvez a gente precise começar a valorizar mais o caminho do que o desfecho. Mais o processo do que o resultado final. Mais o que foi vivido do que o que não aconteceu.

Porque, no fim das contas, nem toda “perda” é perda. Às vezes, é só a gente esquecendo de reconhecer o quanto já ganhou.

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Satina Pimenta é psicóloga, advogada e mestre em Administração, com atuação na interface entre Direito, Psicologia e Gestão. Docente, coordenadora acadêmica e pesquisadora, é Pró-Reitora e Coordenadora de Psicologia no Centro Universitário Estácio Vitória. Palestrante em saúde mental, lidera projetos acadêmicos e idealizou o app EmocionCare.

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Satina Pimenta é psicóloga, advogada e mestre em Administração, com atuação na interface entre Direito, Psicologia e Gestão. Docente, coordenadora acadêmica e pesquisadora, é Pró-Reitora e Coordenadora de Psicologia no Centro Universitário Estácio Vitória. Palestrante em saúde mental, lidera projetos acadêmicos e idealizou o app EmocionCare.

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Satina Pimenta é psicóloga, advogada e mestre em Administração, com atuação na interface entre Direito, Psicologia e Gestão. Docente, coordenadora acadêmica e pesquisadora, é Pró-Reitora e Coordenadora de Psicologia no Centro Universitário Estácio Vitória. Palestrante em saúde mental, lidera projetos acadêmicos e idealizou o app EmocionCare.

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