Leão sai de cena e golpistas entram em ação
Criminosos digitais exploram o medo de pendências na declaração para levar contribuintes a links falsos e roubo de dados
Eduardo Pinheiro
Com formação em Direito e TI e Mestre em Políticas Públicas, Eduardo é pioneiro em segurança digital no Brasil. Fundou a Delegacia de Crimes Cibernéticos (2000) e o Programa de Proteção de Dados do Espírito Santo (2021). Especialista em LGPD e IA, é professor, palestrante e comentarista de tecnologia da TV Tribuna/BAND.
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Na última sexta-feira (29), foi encerrado o prazo para a entrega da Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física. A expectativa da Receita Federal era receber cerca de 44 milhões de declarações referentes ao ano-base 2025.
Para muitos brasileiros, o fim do prazo representa alívio após reunir documentos, conferir informações e cumprir mais uma obrigação fiscal.
No entanto, para os criminosos digitais, este é apenas o início de uma nova temporada de golpes. Todos os anos, logo após o encerramento do período de entrega das declarações, golpistas aproveitam a preocupação natural dos contribuintes com possíveis erros, inconsistências ou pendências junto à Receita Federal para aplicar fraudes cada vez mais sofisticadas.
E a estratégia costuma ser simples, mas extremamente eficaz: explorar o medo. Não deve demorar muito para que milhões de contribuintes comecem a receber e-mails, mensagens de texto ou comunicados por aplicativos de mensagens supostamente enviados pela Receita Federal.
O conteúdo geralmente informa a existência de uma pendência na declaração entregue, uma inconsistência cadastral ou até mesmo o risco de bloqueio do CPF. Para aumentar a sensação de urgência, os criminosos utilizam expressões alarmistas e solicitam que a vítima clique imediatamente em um link para regularizar a situação.
É justamente nesse momento que a armadilha é acionada. Ao clicar no link, a vítima pode ser direcionada para um site falso, visualmente muito parecido com os portais oficiais do governo.
Nessas páginas clonadas, os criminosos tentam obter informações sensíveis, como CPF, senha do Gov.br, dados bancários e outras informações pessoais.
Em situações ainda mais graves, o clique pode iniciar a instalação silenciosa de programas maliciosos capazes de capturar dados armazenados no computador ou no smartphone da vítima. O problema é que muitos contribuintes acabam confiando na aparência institucional das mensagens.
Afinal, os criminosos investem cada vez mais em técnicas de engenharia social, utilizando logotipos oficiais, linguagem formal e até mesmo informações pessoais obtidas em vazamentos de dados para tornar o golpe mais convincente.
Por isso, a principal recomendação continua sendo a mesma: desconfie. A Receita Federal não envia mensagens solicitando atualização de dados por meio de links recebidos por e-mail ou aplicativos de mensagens.
Sempre que houver dúvida sobre uma comunicação recebida, o caminho mais seguro é acessar diretamente os canais oficiais da Receita Federal ou consultar sua situação por meio do portal Gov.br.
Na era digital, a desconfiança deixou de ser um comportamento pessimista para se tornar uma medida de proteção. Antes de clicar, confirme. Antes de informar dados, verifique. Antes de acreditar, investigue. Afinal, desconfiar não é exagero. É uma forma inteligente de proteger seu dinheiro, seus dados pessoais e sua tranquilidade.
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