Ameaça a milhões de brasileiros
Megavazamentos de dados ampliam fraudes digitais e tornam brasileiros cada vez mais vulneráveis a golpes pela internet
Eduardo Pinheiro
Com formação em Direito e TI e Mestre em Políticas Públicas, Eduardo é pioneiro em segurança digital no Brasil. Fundou a Delegacia de Crimes Cibernéticos (2000) e o Programa de Proteção de Dados do Espírito Santo (2021). Especialista em LGPD e IA, é professor, palestrante e comentarista de tecnologia da TV Tribuna/BAND.
Siga o Tribuna Online no Google
Nunca houve tanto medo de cair em golpes digitais. Segundo pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha, 83,2% dos brasileiros afirmam temer fraudes financeiras via internet ou celular.
O dado chama atenção por superar medos historicamente associados à violência física, como roubo à mão armada (82,3%) e ser morto durante um assalto (80,7%). Mas existe uma pergunta que precisa ser feita: por que os golpes digitais se tornaram tão frequentes e eficientes?
Parte da resposta pode estar nos sucessivos megavazamentos de dados pessoais ocorridos nos últimos anos. Em muitos casos, criminosos não precisam invadir celulares ou hackear contas. Eles começam conhecendo profundamente a vítima.
Nome completo, CPF, endereço, telefone, e-mail, profissão, renda, veículos registrados, dados familiares e até informações de saúde passaram a circular ilegalmente após grandes incidentes de segurança.
O resultado é um ambiente perfeito para golpes baseados em engenharia social, quando criminosos utilizam informações reais para ganhar confiança e manipular emocionalmente a vítima.
O golpe da falsa troca de número do WhatsApp, por exemplo, funciona justamente porque o criminoso conhece vínculos familiares e telefones de contato. Ao se passar por um filho, sobrinho ou irmão pedindo dinheiro urgente, a fraude parece convincente porque é construída sobre dados reais.
Em 2020, uma falha no e-SUS Notifica, sistema ligado ao Ministério da Saúde, expôs dados de mais de 200 milhões de brasileiros por meses. Informações sigilosas relacionadas à saúde ficaram acessíveis indevidamente.
Em 2021, veio o episódio apelidado de “vazamento do fim do mundo”, considerado um dos maiores da história brasileira. Dados de aproximadamente 223,7 milhões de pessoas, vivas ou falecidas, teriam sido expostos, incluindo CPF, telefone, e-mail e outras informações cadastrais.
Outro caso alarmante ocorreu em 2019, quando uma falha associada ao Detran-RN teria permitido acesso a informações pessoais de aproximadamente 70 milhões de brasileiros, incluindo endereço, dados da CNH, RG e CPF.
O problema é que, quando uma base pública ou privada vaza, o dano não termina no incidente. Dados podem circular por anos em fóruns clandestinos, alimentar novos golpes e continuar sendo utilizados contra cidadãos que sequer sabem que foram expostos.
A verdade é desconfortável: o Brasil vive uma combinação perigosa entre megavazamentos, exposição digital excessiva e criminosos especializados em manipulação psicológica.
O resultado é uma avalanche de fraudes em que qualquer momento de distração pode custar dinheiro, reputação ou tranquilidade. No passado, criminosos precisavam observar a rotina da vítima na rua. Hoje, muitas vezes, basta consultar dados vazados para conhecer detalhes suficientes e transformar dados pessoais em golpes.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
SUGERIMOS PARA VOCÊ:
Mundo Digital, por Eduardo Pinheiro
Com formação em Direito e TI e Mestre em Políticas Públicas, Eduardo é pioneiro em segurança digital no Brasil. Fundou a Delegacia de Crimes Cibernéticos (2000) e o Programa de Proteção de Dados do Espírito Santo (2021). Especialista em LGPD e IA, é professor, palestrante e comentarista de tecnologia da TV Tribuna/BAND.
ACESSAR
Mundo Digital,por Eduardo Pinheiro
Com formação em Direito e TI e Mestre em Políticas Públicas, Eduardo é pioneiro em segurança digital no Brasil. Fundou a Delegacia de Crimes Cibernéticos (2000) e o Programa de Proteção de Dados do Espírito Santo (2021). Especialista em LGPD e IA, é professor, palestrante e comentarista de tecnologia da TV Tribuna/BAND.
Eduardo Pinheiro
Com formação em Direito e TI e Mestre em Políticas Públicas, Eduardo é pioneiro em segurança digital no Brasil. Fundou a Delegacia de Crimes Cibernéticos (2000) e o Programa de Proteção de Dados do Espírito Santo (2021). Especialista em LGPD e IA, é professor, palestrante e comentarista de tecnologia da TV Tribuna/BAND.
PÁGINA DO AUTORMundo Digital
A coluna Mundo Digital é uma coluna que informa e orienta sobre segurança, golpes, dados, IA e Direito Digital, conectando tecnologia aos impactos reais na vida das pessoas. Com foco educativo e preventivo, transforma temas complexos em orientações práticas e incentiva o uso ético, seguro e responsável do ambiente digital.