Login

Imagem ilustrativa da capa de fundo do colunista Martha Medeiros

Martha Medeiros

Imagem do colunista Martha Medeiros

Martha Medeiros

Uma bandeira destruída

14/03/2021 13:02:36 min. de leitura

Não sou de me ufanar, mas é difícil segurar a emoção quando vejo um atleta receber uma medalha olímpica enquanto nosso hino toca e a bandeira do País é hasteada. Nesses momentos, sou tomada de um orgulho raro, já que são poucas as vitórias do Brasil e muitas as suas derrotas. Uma delas foi quando permitimos que um bando de alucinados tomassem a nossa bandeira como símbolo de sua ignorância e desse governo que de patriota não tem nada.

Arredondando, foram 57 milhões de pessoas que votaram neste homem que aí está. É muita gente, e entre elas estão os que votaram por identificação e com os quais não há o que conversar, é um voto autoexplicativo que tende a se repetir.

No entanto, há milhões de homens e mulheres corretos, sensatos, de boa índole, que não desejaram votar nele, mas que entraram na onda de blindar a esquerda a qualquer custo, preferindo apostar em terra arrasada.

Não são homofóbicos, nem racistas, nem fascistas, nem milicianos, nem fanáticos religiosos. São boas pessoas que, embalados pelo endeusamento do Moro (pois é) e por medo do socialismo (!!), deram seu voto a uma criatura que torceram para que fosse apenas um bravateiro, enquanto tapavam o nariz.

Dois anos de nariz tapado deu em asfixia, não só metafórica. Os que tentaram evitar o cheiro de podre que viria do Planalto contribuíram para que hoje contabilizemos uma quantidade trágica de vítimas do coronavírus, esgotando os profissionais de saúde e a capacidade de atendimento dos hospitais.

Não quiseram enxergar o que era nítido, transparente, perceptível. Não houve enganação: ele nunca fingiu que era outra coisa que não um homem sem responsabilidade social, sem ideias, sem projeto, sem visão de mundo, sem cultura, sem compaixão, sem educação, sem inteligência, sem humor, sem amigos – capanga não é amigo.

Todos pressentiram o perigo, mas taparam o nariz, fecharam os olhos e cá estamos.

Nossa bandeira foi desonrada por quem não tem compromisso com o país. Nossa bandeira virou símbolo de desrespeito à nação, uma contradição que só mesmo amalucados conseguem promover.

O Presidente não usa máscara, despreza a vacina, dá exemplos criminosos e ergue a bandeira como se amasse os brasileiros. Só uma curriola fanática ainda diz amém.

Esses estão abduzidos, mas se você foi um dos que votou tapando o nariz dois anos atrás, tem o dever cívico de ajudar o Brasil a respirar melhor e a recuperar o orgulho pátrio.

É hora de construirmos uma transição para longe de quem transformou nossa bandeira num trapo sujo. Em qualquer governo, de qualquer país, coisas dão certo e dão errado, mas o que está acontecendo conosco não se enquadra em certo e errado.

É uma monstruosidade que temos, juntos, a obrigação de reparar.