O futuro da construção é de aço: mais uma contribuição do LTF
Novos investimentos da ArcelorMittal Tubarão podem ampliar o uso de estruturas metálicas e acelerar a industrialização da construção civil
Evandro Milet
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Os novos investimentos da ArcelorMittal Tubarão no Laminador de Tiras a Frio (LTF) e na Linha de Revestimento Contínuo abrem horizontes que vão além das indústrias automotiva, de mobiliário e da linha branca no Espírito Santo.
Um importante salto econômico e tecnológico está na oportunidade de contribuir para transformar a indústria da construção civil capixaba e nacional. Sendo a maior consumidora de aço do planeta, respondendo por mais de 50% da demanda global, a construção civil molda o desenvolvimento urbano mundial.
Ícones como o Empire State Building, erguido em 1930, e o Burj Khalifa em Dubai apostaram em estruturas metálicas.
No Brasil, o Senna Tower, em Balneário Camboriú, que será o maior edifício residencial do mundo, com seus extravagantes 154 andares, seguirá essa tendência, utilizando um aço especial desenvolvido pela ArcelorMittal em conjunto com a USP.
Apesar desses exemplos, o setor vive um paradoxo por ser um dos maiores motores do PIB e empregador de milhões de pessoas, mas ainda caminhar a passos lentos na industrialização.
Enquanto a média global de consumo de aço é de 209 kg por habitante ao ano, o Brasil estacionou em 122,5 kg. Isso reflete uma cultura obsoleta que prioriza o desperdício dos canteiros tradicionais em detrimento da precisão e da sustentabilidade das estruturas metálicas.
Apostar no aço gera vantagens técnicas e financeiras, pois as peças chegam pré-fabricadas e prontas para montagem. Estruturas em aço são 30% mais leves que as de concreto, reduzindo drasticamente as dimensões e os custos das fundações.
Além disso, o tempo de execução diminui em até 40%. Em um cenário de juros altos, entregar um edifício meses antes do cronograma representa um ganho significativo para investidores e habitação mais ágil para a sociedade.
Em um prédio de 20 andares, os componentes fabricados a partir do aço do LTF representam entre 8% e 15% do custo direto da obra. Embora a estrutura pesada de vigas e concreto responda por 15% a 22%, o aço processado no LTF funciona como a musculatura e as veias do edifício(lajes, drywall, dutos, fachadas), permitindo vãos maiores e fechamentos modulares eficientes.
Historicamente, o modelo fiscal brasileiro punia essa inovação. A construção tradicional realizada no canteiro pagava o ISS com alíquotas mais baixas. Já os métodos industrializados sofriam com a incidência de ICMS e IPI, elevando o custo do aço em até 30%.
Ao unificar a tributação, a reforma tributária garante isonomia competitiva e transforma o aço em uma poderosa estratégia de otimização fiscal.
Para consolidar essa transição, o país precisa superar o déficit de formação técnica, atualizando os cursos de arquitetura e engenharia e capacitando profissionais em projetos nativos de engenharia metálica. Muitos escritórios e construtoras não têm experiência prática nesse tipo de obra.
É um ciclo que se retroalimenta — sem demanda, a mão de obra especializada não cresce; sem conhecimento técnico, a demanda não se firma. Com matéria-prima de alta tecnologia processada localmente, inclusive o aço verde, o Espírito Santo tem a chance de reduzir custos logísticos, verticalizar processos e atrair indústrias de manufatura leve e galpões logísticos.
Tem também a possibilidade de atuação relevante na transição rumo a cidades mais inteligentes e sustentáveis. Romper com o conservadorismo do concreto e abraçar a era da industrialização metálica é o passo que falta para consolidarmos eficiência econômica e um futuro sólido, veloz e verde.
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