Login

Esqueci minha senha

Não tem conta? Acesse e saiba como!

Atualize seus dados

Gilmar Ferreira

Colunista

Gilmar Ferreira

Um pouco de Brasil

| 08/08/2021, 12:31 12:31 h | Atualizado em 08/08/2021, 12:32

O merecido bicampeonato olímpico dá um pouquinho de esperança na retomada futura do prestígio que a seleção há anos tenta recuperar. E não é pela conquista do ouro, em si, mas pelo todo que o cerca.

Desde a escolha dos jogadores para disputa do Torneio de Toulon, em 2019, ao trabalho de liberação deles junto a clubes europeus. A saída precoce para o exterior é fator que dificulta a formação de times competitivos na categoria olímpica.

E neste aspecto a atuação do tetracampeão Branco na coordenação merece elogios.

Vem dele a ideia de ter sempre um grupo com 50% dos jogadores em atividade no Brasil — algo que venho defendendo há anos na formação da própria Seleção principal.

Desde a conquista do penta, em 2002, o grupo, quase integralmente, é composto por quem já ganha a vida do outro lado do Atlântico. E não entendo porque precisa ser assim.

A mescla, na minha leitura, deveria ser regra imposta pela CBF. E só não é porque é mais rentável vender amistosos com jogadores de clubes da Europa e Ásia.

Como o calendário dos jogos de preparação de um torneio olímpico não tem o foco comercial, essa exigência deixa de existir, abrindo possibilidade da convocação de jogadores ainda em atividade no Brasil.

A presença deles na seleção potencializa os torneios nacionais, valoriza o produto dos clubes e recupera o vínculo afetivo: o público. E sem deixar cair a qualidade, como vimos na conquista deste ouro em Tóquio: seis dos 15 jogadores que da final com a Espanha estão em atividade no Brasil.

E me alegra saber que não foi por acaso. E novamente parabenizo o trabalho do coordenador da base da seleção porque ouvi dele que esta seria uma premissa: valorizar os jogadores em atividade no País.

Foi assim em Toulon, logo em 2019, repetiu-se no Torneio Pré-Olímpico de 2020, na Colômbia, e manteve-se nos Jogos de Tóquio. Metade do grupo tinha as cores do futebol brasileiro. E só não teve mais porque o Flamengo impediu o artilheiro Pedro de imprimir seu nome na panteão olímpico.

Que sirva de lição para o técnico da seleção principal e para a própria CBF. Os clubes brasileiros precisam estar representados. E não importa se o jogador será vendido após a primeira convocação. Haverá outro e outros em condições de ocupar a posição. Exatamente como Santos, Daniel Alves, Nino, Arana, Gabriel Menino e Claudinho mostraram no jogo final.
 

MATÉRIAS RELACIONADAS