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Gilmar Ferreira

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Colunista

Gilmar Ferreira

O valor do ídolo

| 22/01/2020, 08:50 08:50 h | Atualizado em 22/01/2020, 08:57

Besteira gastar tempo em análise racional sobre o interesse do Fluminense no retorno do Fred. Porque o sentimento que move o presidente do clube não leva em consideração os aspectos técnicos. Mário Bittencourt tem o ídolo como bandeira na luta contra recuperação da autoestima. E isso é mais do que tentar entender a utilidade do jogador para o técnico Odair Hellman, ou quanto ele pode custar a um Fluminense cheio de dívidas.

Em litígio com o Cruzeiro, Fred é símbolo da instituição que ele fez maior, sentimento que não se mede com a régua da razão.

O jogador só assinará sua rescisão com o clube mineiro quando tiver o amparo formal de que não corre risco de ter de pagar a multa rescisória de R$ 10 milhões que o Atlético/MG lhe cobra por ter voltado ao Cruzeiro. Resolvendo o imbróglio, negociará a volta para o Fluminense.

Fred conhece, como poucos, a dura realidade financeira do clube e sabe muito bem que a curva de sua carreira aponta para baixo. É, portanto, uma parceria que pode ser boa para as duas partes.

E aí a questão, por ora, não é quanto o ídolo tricolor custará aos cofres do clube. É necessário enxergar quanto a imagem dele será capaz de aportar nas finanças. Quem sabe seja ele o gatilho do projeto de sócio-torcedor que a diretoria está para lançar?

E quem sabe Fred até não repete no Campeonato Carioca a média de um gol por jogo alcançada no Mineiro de 2019? Porque olhar só para o desempenho do atacante num Brasileiro onde jogador nenhum do Cruzeiro foi bem me soa cruel demais.

Fred fez, no ano, 21 gols em 54 partidas — quatro deles em seis jogos da Libertadores. Não é um rendimento tão desprezível para um time sem grandes opções.

Fred foi o sétimo maior artilheiro do Brasil em 2019, o quarto se computados só os goleadores que disputaram a Série A do Brasileiro. Ficou atrás dos “fenomenais” Gabigol e Bruno Henrique e do “baiano” Gilberto, que fez quatro partidas e oito gols a mais do que ele no ano.

Trata-se, por tudo o exposto, de uma operação singular. Um acordo que depende do que um espera do outro — mais do que em uma contratação qualquer.

Porque há uma idolatria no meio disso tudo. E ainda está para surgir o analista financeiro que mensure o valor real de um ídolo...

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