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Gilmar Ferreira

Colunista

Gilmar Ferreira

Indefensáveis

| 07/03/2021, 11:34 11:34 h | Atualizado em 07/03/2021, 11:38

Por mais que se entenda a necessidade urgentíssima dos clubes melhorarem suas receitas, ainda não é hora sequer de pensar em liberar a presença de público em estádios de futebol. E isso não é achismo ou defesa de tese, é a orientação de especialistas da área de saúde e empatia.

Por isso, é absolutamente deplorável a parceria entre Rubens Lopes, presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro, e Rodolfo Landim, presidente do Flamengo, capitães de um pálido movimento pela abertura das bilheterias dos estádios para jogos do Estadual carioca.

A ideia de fazer deste primeiro Fla-Flu uma espécie de laboratório para quando as autoridades sanitárias liberarem a presença do público, é, na verdade, “pano de fundo” para a pressão de lobistas e apoiadores políticos junto ao prefeito Eduardo Paes e ao governador em exercício, Cláudio Castro.

Um pensamento que faz a população desacreditar no isolamento social e ajuda no surgimento de questionamentos à necessidade das medidas em vigor. Nada que nos surpreenda vindo de quem vem, mas a falta de noção e o descaramento assustam.

Menos mal que desta vez, sem Alexandre Campello na presidência do Vasco para fazer número no palanque, o questionável Landim tenha ficado isolado ao lado de Rubens Lopes.

Botafogo, Fluminense e Vasco já anunciaram que são contrários à ideia. E talvez por isso o presidente do Flamengo tenha aceitado, nas últimas horas, ceder 10% da participação do clube na cota do pay-per-view do Carioca em favor dos chamados pequenos.

Era último que faltava para que o “baixo clero” da Ferj não se fechasse em torno de uma ação judicial para impedir que as imagens dos seus jogos fossem transmitidas em PPV.

É evidente que nos faz falta o sagrado direito de ir e vir, e fica também muito claro o quanto deve estar sendo difícil para os clubes de massa o cumprimento do orçamento sem a receita de bilheteria dos seus jogos. Para alguns, chego a pensar numa questão de sobrevivência.

Mas será que os chefes do Flamengo e da Federação, institucionalmente, não engajariam mais e melhor se estivessem de mãos dadas aos coirmãos hipotecando solidariedade aos protocolos sanitários. Ou compraram a falsa verdade de que o “futebol é uma das bolhas mais seguras”?

Seja lá o que for, espera-se que Cláudio Castro, o governador, e Eduardo Paes, o prefeito, estejam atentos e vigilantes às manobras da dupla indefensável. O respeito e o bom senso agradeceriam.

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