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Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Colunista

Fora de foco

| 05/03/2021, 10:42 10:42 h | Atualizado em 05/03/2021, 10:47

O aumento dos casos de infectados pela nova cepa do coronavírus volta a atormentar o futebol ao redor do mundo. Os grandes clubes europeus já se pronunciam contrários à liberação de seus principais jogadores para a disputa dos jogos das eliminatórias da Copa do Mundo de 2022 previstos para o final deste mês, e por aqui começa a aumentar a pressão pela paralisação dos jogos da Copa do Brasil, reunindo 80 clubes em deslocamentos aéreos pelo País.

Se a bola vai parar de rolar, a gente ainda não sabe, mas é possível supor que 2021 será um ano tão ou mais acidentado do que 2020.

E não apenas sob o ponto de vista físico/técnico, com muitas lesões musculares e seguidos desfalques, como vimos no Brasileirão, mas, sobretudo, pelo desconforto financeiro.

E não é um problema só dos mais pobres, como Botafogo e Vasco, que este ano experimentarão a nova dura realidade da Série B.

O próprio Flamengo, bicampeão nacional, não consegue recuperar o patrocínio para duas áreas de seu uniforme (manga e costas da camisa), o que provoca um déficit de R$ 20 milhões no orçamento, como anunciado pela jornalista Gabriela Moreira, do GE.com.

E por que não consegue? Não é por incompetência do departamento de marketing rubro-negro, como sugere o conflito interno que atormenta o clube. É porque a economia diminuiu mundo afora, o impacto trazido pelo expressivo número de mortos pela Covid-19 ainda aterroriza as sociedades, e o interesse nas competições não é o mesmo.

Não sou especialista no marketing esportivo, mas não preciso ser para enxergar que o foco foi redirecionado. Ou ao menos ajustado. Fora da bolha do futebol, mira-se primeiramente a saúde da população, depois o lazer.

Trazendo para a nossa seara, não significa dizer que a bola tenha de parar de rolar, como o Ministério Público sugere para a CBF.

Aliás, não foi isso que Lisca, o lúcido, quis dizer com seu desabafo antes do confronto do América/MG com o Athletic, pelo Estadual mineiro. O treinador gaúcho chama a atenção para o descaso e a total falta de empatia da CBF, mantendo o calendário de uma competição que faz os profissionais cruzarem o País. É como se não houvesse um vírus a matar quase dois mil brasileiros por dia.

Com hospitais apinhados de gente lutando pela vida, e um governo minimizando a perda de seu povo, esperava-se que o futebol surgisse como um sopro de vida, não como um meio de morte...

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