Diniz na berlinda
Comentários sobre o futebol, os clubes e os craques do esporte mais popular do planeta
Gilmar Ferreira
Gilmar Ferreira é jornalista esportivo com passagem por veículos como O Dia, Jornal do Brasil, Lance! e Extra. Reconhecido por sua apuração e análises sobre futebol, foi também comentarista da Rádio Globo. Atualmente, é colunista do jornal Tribuna e do Tribuna Online, onde escreve sobre clubes, bastidores e o cenário do futebol brasileiro.
Tida como manifestação de descontentamento ao futebol apresentado pelo time do Vasco no 0 a 0 de segunda-feira (2), em São Januário, as vaias ao técnico Fernando Diniz são tão aceitáveis quanto compreensíveis. Ainda que acompanhadas de uma ou outra adjetivações exageradas com as quais não concordo. Mas o que vale hoje é medir o impacto que essas reações presenciais e virtuais podem ter no ano de um time ainda em formação.
Esse medíocre Vasco que há mais de uma década assombra os torcedores, e incapaz de ter um nível de competitividade em patamar aceitável, está sendo mais uma vez renovado. E isso demanda tempo com Guardiola, Klopp, Paiva ou Diniz.
Ou alguém, em sã consciência, achou que o time, sem Rayan e Vegetti, teria o desempenho esperado em uma ou duas semanas?
E em meio a um calendário que está deixando todos os treinadores em atividade por aqui em maus lençóis.
Diniz irrita com suas escolhas e narrativas, como irritou todos os antecessores no cargo, alguns que não tiveram sequer a chance de fazer mais do que 20 jogos.
O atual treinador do Vasco já tem 48 e está no meio de um trabalho de reconstrução. E reconstrução não só do time: do modelo, do padrão, identidade, dignidade, e da empatia… e tudo isso sem dinheiro e um executivo a escora-lo nos momentos mais difíceis…
Goleador
E sem um goleador que vista a capa de super-herói e disfarce o mau desempenho do time. Ou seja: olhando para essa relação entre técnicos e torcida do Vasco, recomendo cautela.
Porque a narrativa é a mesma: de um lado, a massa fiel, apaixonada e querendo ser feliz como foram os vascaínos com mais idade; do outro, gente empenhada em entregar a cota-parte dela na missão de reerguer um dos clubes mais populares do país.
Troca
Não sei se a diretoria pensa em trocar o treinador em meio a este processo, como desejam alguns torcedores. Varrer a sujeira para debaixo do sofá serve para fingir que a casa foi arrumada. Mas não elimina os ácaros.
Algo robusto precisa ser feito para evitar que o trabalho de Diniz seja triturado pela cultura do descartável. Um tropeço, amanhã à noite, em São Januário, diante da Chapecoense, exigirá uma ação mais clara do presidente Pedro Paulo.
Renato Gaúcho já manifestou o interesse em voltar a trabalhar. E as redes sociais já o elegeram o próximo ocupante do cargo…
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