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GILMAR FERREIRA

De almanaque

Comentários sobre o futebol, os clubes e os craques do esporte mais popular do planeta

Gilmar Ferreira | 15/07/2026, 13:18 h | Atualizado em 15/07/2026, 13:18
Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira é jornalista esportivo com passagem por veículos como O Dia, Jornal do Brasil, Lance! e Extra. Reconhecido por sua apuração e análises sobre futebol, foi também comentarista da Rádio Globo. Atualmente, é colunista do jornal Tribuna e do Tribuna Online, onde escreve sobre clubes, bastidores e o cenário do futebol brasileiro.


          Imagem ilustrativa da imagem De almanaque
Gilmar Ferreira. |  Foto: Divulgação

Antes de a bola rolar nos Estados Unidos, Carlo Ancelotti extraiu do manual das obviedades do futebol uma que a Espanha consagrou ontem à tarde na vitória por 2 a 0 sobre a França, na primeira das duas semifinais que decidirão a Copa do Mundo: a seleção que sofre menos gols tem meio caminho andado para a conquista do título. O sistema do espanhol De La Fuente, que sofreu apenas um gol nos sete jogos disputados, anulou o encantador conjunto francês de tal forma que o quarteto ofensivo Mbappè, Dembélé, Olise e Barcola não foi capaz de gerar desconforto ao goleiro Unai Simon.

O tema me encanta porque logo no início do trabalho do treinador italiano à frente da Seleção Brasileira, enquanto o foco da discussão se dividia entre a presença de Neymar e a descoberta de um goleador para vestir a camisa nove, me incomodava saber como seria montada o sistema defensivo do time.

Controlaria o jogo pela posse de bola? Protegeria a meta de Alisson com linhas baixas, bloqueando a entrada da área? Pressionaria a saída de bola, forçando o erro adversário já no campo de ataque? Questionamentos que Ancelotti não conseguiu responder, nem mesmo durante a disputa do torneio.

Primeiro, porque construiu uma linha de defesa com média de idade de 31,8 anos, considerada alta para o padrão competitivo atual. A da Noruega, por exemplo, que eliminou o Brasil, tinha 28,4 – a mesma da França, despachada pela Espanha, que tem média de 26,6. Aliás, essa é também a da Inglaterra, que hoje enfrenta a Argentina na semifinal que aponta o outro finalista.

A linha defensiva de Scaloni tem média de 30 anos. E isso sem incluir a idade do volante, peça-chave na proteção. No caso brasileiro, a inclusão de Casemiro, com 34 anos, elevaria a média para 32,1 – idade do reserva Fabinho, por sinal.

Depois, porque ao perder Lucas Paquetá para o fatídico confronto com a Noruega, nas oitavas definal, Ancelotti ficou sem a bola longa que definia sua transição ofensiva. Ou seja: o time que já tinha média de idade elevada, sobretudo na linha defensiva; que não tinha laterais em condições de participar das jogadas ofensivas; e que também não tinha um meia organizador, capaz de ligar meio-campo e ataque; foi empurrado para seu próprio campo depois que Bruno Guimarães, a única peça criativa, desabou mentalmente ao perder um pênalti.

Agora, vejam só: a seleção dirigida por um italiano, bom estrategista, que pinçou do almanaque um dos segredos para o sucesso numa Copa do Mundo, voltou para casa com a média de 0,80 gol por jogo - quatro em cinco partidas. É, junto à campanha de 2010, a segunda pior média desse jejum: 0,40 em 2006; 0,60 em 2018; e, de novo, 0,40 em 2022. A Espanha, com 0,14 (um gol em sete confrontos), mostra que sua presença na final não é sem razão...

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