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Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Colunista

Gilmar Ferreira

À flor da pele

| 19/09/2021, 10:02 10:02 h | Atualizado em 19/09/2021, 10:03

A melhor história da última semana do futebol brasileiro quase passou despercebida em meio a tanta polêmica, chegadas e partidas. Refiro-me à emoção do lateral-direito Rafael, de 31 anos, em sua apresentação oficial ao Botafogo, seu clube do coração. Porque nos acostumamos às paixões fabricadas pelo poder financeiro dos clubes. Mas a do jogador que retorna ao Brasil depois de 13 temporadas no futebol europeu e escolhe a camisa da sua infância é um enredo ótimo de ser contado.

Rafael e seu irmão gêmeo Fábio, botafoguenses como o pai, tinham tudo para ter iniciado a carreira no clube do coração. Mas não puderam desfrutar deste prazer porque o Botafogo não possuía estrutura para abrigá-los em seus alojamentos.

Vestiram a camisa alvinegra atuando no futsal, que na época ocupava as dependências do clube Mackenzie, no Meier, mas não calçaram as chuteiras para defender o Glorioso.

Como moravam no bairro de Araras, em Petrópolis, se abrigaram no Vale das Laranjeiras.

Isso mostra a vantagem que levam os clubes que dispõem da estrutura que tem o Fluminense, e que hoje possui também o Flamengo.

O próprio Botafogo, que na primeira década do novo século relegou as divisões de base à boa vontade e ao sacrifício de abnegados, hoje abriga seus futuros talentos num Centro de Treinamento terceirizado em Várzea das Moças, em Maricá. E não tardará a ter o seu próprio CT numa área adquirida há três anos em Vargem Grande, não distante do Ninho do Urubu.

Realizado, após oito temporadas no Manchester United, da Inglaterra, seis no Lyon, da França, e uma no Basaksehir, da Turquia, Rafael se achou no direito de viver o sonho da infância.

E nem entro no mérito de suas condições física e técnica, que devem estar acima de qualquer suspeita. Falo da opção de jogar por prazer. De vir para disputar posição e da reconexão com o sonho de infância, ignorando a divisão em que o Botafogo se encontra ou até mesmo de sua saúde financeira.

Torço para que Rafael consiga mostrar com a camisa alvinegra o futebol eficiente que o manteve por um longo tempo em duas das mais prestigiosas ligas europeias.

E que ele consiga provar o quão mais bonita é a história daqueles que jogam com a emoção à flor da pele e o coração na ponta da chuteira.

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