Sofisticação do falso advogado
Fraude ficou mais sofisticada, usa dados reais de processos e pede “pagamento antecipado” via Pix
Sergio Araújo Nielsen
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O chamado “golpe do falso advogado” deixou de ser uma fraude simples e amadora. Hoje, os criminosos agem com elevado grau de sofisticação, utilizando informações reais de processos judiciais, nomes verdadeiros de advogados, fotografias retiradas da internet, linguagem técnica e até documentos aparentemente oficiais para convencer vítimas de que estão falando com um profissional legítimo.
Na maioria das vezes, o golpe começa quando o criminoso entra em contato por WhatsApp se passando pelo advogado da vítima ou por alguém do escritório. O estelionatário informa que a pessoa ganhou uma ação judicial, que existe um valor a ser liberado ou que há necessidade de realizar um suposto “pagamento antecipado” para levantamento de alvará, custas, impostos ou taxas judiciais.
O problema é que os golpistas não agem mais no escuro. Muitos possuem acesso a informações públicas dos processos, sabem o nome das partes, números processuais, valores aproximados e até detalhes da ação. Isso faz com que a fraude pareça extremamente convincente, levando muitas vítimas a acreditarem que realmente estão tratando com seu advogado de confiança.
Outro ponto alarmante é que os criminosos utilizam contas bancárias abertas em nome de terceiros, os conhecidos “laranjas”, além de movimentações instantâneas via Pix, dificultando a recuperação dos valores desviados.
Em muitos casos, o dinheiro desaparece em poucos minutos após a transferência. O impacto dessa fraude vai muito além do prejuízo financeiro. Existe também o abalo emocional da vítima, que se sente enganada justamente em um momento de confiança e expectativa envolvendo uma ação judicial.
Além disso, o golpe também atinge diretamente a advocacia, abalando a credibilidade do profissional que tem sua imagem utilizada criminosamente por terceiros. Por isso, é fundamental redobrar os cuidados.
Advogados não solicitam pagamentos urgentes por mensagens aleatórias, muito menos exigem transferências para contas de terceiros. Antes de qualquer movimentação financeira, o cliente deve sempre confirmar a informação pelos canais oficiais do escritório, preferencialmente por ligação ou contato já conhecido. A tecnologia trouxe avanços importantes, mas também permitiu que criminosos aperfeiçoassem suas práticas.
O golpe do falso advogado é prova disso: uma fraude moderna, organizada e extremamente perigosa, que exige atenção constante da população e respostas cada vez mais rígidas das instituições financeiras e autoridades responsáveis pela investigação desses crimes.
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