O calor de algumas doenças
Coluna foi publicada nesta terça-feira (02)
Dr. João Evangelista
João Evangelista Teixeira Lima é médico formado pela Emescam, com pós-graduação pela PUC-RJ. Especialista em Gastroenterologia e Clínica Geral, é colunista de A Tribuna e do Tribuna Online, onde também apresenta o quadro “Doutor João Responde” na TV Tribuna, abordando saúde e prevenção com linguagem simples.
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Quando eu era criança, minha mãe pousava a mão sobre minha fronte, buscando o motivo de eu estar amuado e sonolento. “Esse menino está com febre”, alertava ela. Mesmo sem o termômetro, a dipirona e o paracetamol, minha genitora detectava e controlava minha temperatura.
O tratamento consistia em me enrolar num cobertor, até que o suor levasse consigo o excesso de calor.
Durante minha adolescência, utilizei a febre factícia como motivo para faltar ao colégio. Assim que apareceu um termômetro lá em casa, desenvolvi o talento de colocar um fósforo aceso sob sua coluna de mercúrio, provocando uma febre artificial, que servia de pretexto para eu ficar em casa.
Creio que Deus não tenha levado isso tão a sério, tanto que tive uma infância feliz.
Importante sintoma, a febre aponta para processos infecciosos, embora possa ocorrer em outras condições, como doenças autoimunes, neoplasias e traumatismos.
A temperatura corporal é um dos mecanismos mais importantes na fisiologia humana.
Interleucinas e fatores de necrose tumoral, liberados pelos macrófagos, estimulam a presença de prostaglandinas no hipotálamo, gerando febre.
Nos tecidos periféricos, essas substâncias também provocam dores musculares e articulares, que frequentemente acompanham a febre. Inibidores das prostaglandinas, como o ácido acetilsalicílico ou o paracetamol, bloqueiam a síntese desses mensageiros, reduzindo a febre.
Termorreceptores do sistema nervoso central provocam vasodilatação periférica, produzindo sensação de frio. O sangue desviado da periferia para os órgãos internos eleva a temperatura corporal.
A febre exerce efeitos antimicrobianos diretos em algumas infecções, como a neurossífilis e a salmonelose, além de reforçar as respostas imunes humorais e celulares.
Entretanto, a elevação da temperatura corporal também pode ter efeitos deletérios, levando a desorientação mental em indivíduos com doença cerebral.
Produzida pela febre, a taquicardia pode aumentar o trabalho cardiopulmonar, precipitando insuficiência cardíaca ou o infarto agudo do miocárdio em indivíduos com doença cardiopulmonar. Portanto, controlar a febre proporciona conforto e evita comprometer pessoas com múltiplas comorbidades.
Conhecida também como hiperpirexia, febre é o aumento da temperatura corporal, ocorrendo, principalmente, como respostas a infecções. Hipertermia, por sua vez, é a produção de calor corporal excessivo, ocasionado pela falha nos mecanismos que controlam a temperatura. O quadro surge devido a fatores relacionados às condições de calor do ambiente externo e uso excessivo de agasalhos etc.
Diferentemente da febre, em que o corpo se defende, aumentando a temperatura, na hipertermia isso não acontece.
Seria como se o organismo não conseguisse dissipar seu calor de forma natural, enquanto na febre, o corpo almeja a elevação da temperatura para ajudá-lo a combater os antígenos nocivos à saúde.
Febre, café e amor, é o corpo pedindo calor.
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PÁGINA DO AUTORDoutor João Responde
A coluna “Doutor João Responde” é publicada todas as terças-feiras no Jornal A Tribuna e no Tribuna Online. O espaço trata de saúde e prevenção em linguagem acessível, onde esclarece dúvidas do público e comenta temas de saúde que estão em destaque no Espírito Santo.