O alarmante Sinal de Levine
Crônicas e dicas do doutor João Evangelista, que compartilha sua grande experiência na área médica
Dr. João Evangelista
João Evangelista Teixeira Lima é médico formado pela Emescam, com pós-graduação pela PUC-RJ. Especialista em Gastroenterologia e Clínica Geral, é colunista de A Tribuna e do Tribuna Online, onde também apresenta o quadro “Doutor João Responde” na TV Tribuna, abordando saúde e prevenção com linguagem simples.
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Quando eu ainda era acadêmico de Medicina, uma das intercorrências que mais gerava preocupação, durante os plantões, era a presença de um paciente com semblante angustiado, suando frio, respirando com dificuldade e apertando o peito com as mãos.
Apreensivo, ele perguntava: “Será que estou tendo um infarto?”. Sendo um dos mais importantes órgãos do corpo, é natural que o coração esteja no centro das preocupações.
Traduzindo a mão colocada sobre a região esternal, o Sinal de Levine é sugestivo de dor de origem isquêmica, embora sua ausência não afaste dor anginosa.
Diante dessas situações, o eletrocardiograma e os marcadores de necrose miocárdica, como Troponina, são essenciais para a classificação da Síndrome Coronariana Aguda.
Quadros de dor torácica devem levar o indivíduo ao hospital. Se esta surgir como uma pressão no peito, habitualmente durante um esforço, associando-se ou não a palidez cutânea e sudorese profusa, pode ser um sinal de infarto cardíaco. Cada minuto que passa, o número de células cardíacas vai morrendo e quanto mais precoce for o tratamento melhor será o prognóstico.
“Tempo é miocárdio”, como afirmam os cardiologistas. Quanto mais demorar, mais se agrava a condição. A rapidez no diagnóstico e no tratamento vai reduzir o número de células necrosadas do músculo cardíaco, reduzindo o tamanho do quadro e a probabilidade de morte.
Reconhecer os sinais de um ataque cardíaco e chegar ao hospital imediatamente pode significar a diferença entre a sobrevivência e a morte.
Assistem-se a grandes avanços na terapêutica da patologia coronariana, mas a morbilidade e mortalidade mantêm-se elevadas, por isso a mensagem principal deve ser “mais vale prevenir que remediar”.
Por isso, reforça-se a necessidade de alimentação saudável e atividade física; o simples caminhar faz maravilhas pelo coração.
A dor torácica apresenta várias etiologias. Quando de origem cardíaca, ela é descrita geralmente como opressão, queimação ou mal-estar torácico mal definido.
O sintoma de dor precordial constitui um desafio para o plantonista, uma vez que ele está associado como manifestação principal de uma lista significativa de outras doenças, como refluxo gastroesofágico, por exemplo.
Dor típica de infarto agudo do miocárdio provoca opressão e queimação, possui forte intensidade, dura mais de 10 minutos e pode irradiar para o membro superior esquerdo e mandíbula.
Minha mãe viveu 100 anos. O coração de um adulto bate em média 100 mil vezes por dia. Multiplicando por 365 dias, são cerca de 36,5 milhões de batimentos. Em 100 anos, o coração dela bateu três bilhões e seiscentos e cinquenta milhões de vezes.
Durante esse período, ele segue retirando energia dos ácidos graxos, da glicose e do lactato.
O coração também utiliza oxigênio. Caso o fluxo de sangue e oxigênio seja interrompido, ocorre isquemia e, eventualmente, infarto.
Simbolizando o amor, a paixão, o afeto e a saúde, o coração é o santuário da vida.
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PÁGINA DO AUTORDoutor João Responde
A coluna “Doutor João Responde” é publicada todas as terças-feiras no Jornal A Tribuna e no Tribuna Online. O espaço trata de saúde e prevenção em linguagem acessível, onde esclarece dúvidas do público e comenta temas de saúde que estão em destaque no Espírito Santo.