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Imagem ilustrativa da capa de fundo do colunista Andreza Matais e Marcelo de Moraes

Coluna do Estadão

Imagem do colunista Andreza Matais e Marcelo de Moraes

Andreza Matais e Marcelo de Moraes

Uma década depois, a nova obsessão de Kassab

15/08/2021 08:46:27 min. de leitura

Em 2011, no auge da polarização PT versus PSDB, Gilberto Kassab, sob desconfiança do mundo político, se movimentou para criar um partido. Uma década depois, o PSD é realidade e seu líder e fundador persegue diuturnamente nova obsessão: colocar em pé uma candidatura a presidente com perfil de “terceira via”, etapa que, se bem executada, será capaz de colocar o PSD como a mais estruturada força de centro do País.

Com base no atual cenário eleitoral, a missão desse candidato será antagonizar com Jair Bolsonaro para vencer Lula no segundo turno.

Longo.... Se ficar fora do segundo turno, o candidato do PSD deverá ter demonstrado desempenho suficientemente bom no primeiro para influenciar decisivamente no resultado final.

...prazo. Colocado de outra forma, para negociar com seu preço político em alta eventual apoio a Lula.

Viés... O PSD já tem candidatos a governador em 15 estados. Em São Paulo, a foto divulgada por Kassab em que ele aparece junto de Geraldo Alckmin, Paulo Skaf e Márcio França indica o caminho a ser seguido.

...de alta. Na foto, publicada pela coluna, ontem, estão o líder das mais recentes pesquisas de intenção de voto, Alckmin, o segundo e o terceiro colocados na eleição de 2018, França e o presidente da Fiesp, respectivamente.

O cara. Mas falta ainda um nome para personificar a estratégia do PSD. Por enquanto, é o de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) “É o melhor perfil”, diz Kassab.

#chatiados. Outros partidos acusam Kassab de “fragmentar” o centro.

Preço. O custo político pela criação do PSD, em 2011, segundo aliados, custou a Kassab ter deixado a Prefeitura de São Paulo com índices insatisfatórios de aprovação.

Reloginho. O processo de impeachment de Dilma durou 273 dias, o de Collor, 211. O tempo joga a favor de Jair Bolsonaro.

Escola... Em encontro recente com Michel Temer, Fernando Henrique Cardoso disse que ambos “frequentaram a escolinha” antes de serem presidentes. O que isso significa?

...de líderes. Segundo FHC, significa que ambos chegaram ao Planalto conhecedores de um compêndio sobre como agir e como se portar no cargo, algo que escapa a Bolsonaro.

As dicas... Aos 90 anos, FHC gosta de listar essas dicas básicas, sempre com bom humor. A coluna compilou algumas delas.

...de FHC. 1) O presidente precisa dar ao interlocutor a sensação de que está atento ao que ele diz; 2) o presidente não é o dono da bola, mas tem o poder de fazer o jogo acontecer; 3) é preciso saber escutar a verdade; 4) tem de ler com atenção os jornais todos os dias; 5) quem tem fuzil na mão tem poder e precisa ser ouvido; 6) só é respeitado pelo Congresso quem tem força.

Regra de ouro. Por último, porém não menos importante, FHC aconselha: o presidente tem de dormir bem todas as noites. Diz a lenda em Brasília que Bolsonaro dorme pouco e mal.

CLICK. Alvo dos ataques de Roberto Jefferson, o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, parece ter acordo bem-humorado na sexta-feira.

Pronto, falei!

"De tão omisso, o procurador-geral da República deveria se chamar Augusto Eras. O Ministério Público, na gestão dele, virou ministério do governo".

Paulo Delgado, sociólogo e ex-deputado federal (PT-MG)