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“Justiça é o primeiro alvo de autocratas pelo poder”

07/09/2021 08:44:35 min. de leitura

A insistência bolsonarista no discurso de que o Brasil vive sob uma “ditadura do STF” faz o cientista político americano Steven Levitsky, coautor do celebrado best seller “Como as Democracias Morrem” (Zahar), deixar um alerta ao País neste 7 de Setembro: “Ataques ao Judiciário costumam ser o primeiro passo de autocratas para tentar ficar no poder”.

Em conversa com a coluna, ele compara as investidas de Jair Bolsonaro contra instituições democráticas a táticas de outras figuras, como o venezuelano Hugo Chávez e o atual líder turco Recep Erdogan.

Método.  “Autocratas usam a violência, às vezes até fictícia, como desculpa para tentar destruir pouco a pouco a democracia”, diz.

Será?  Ainda que riscos existam e que seja importante estar vigilante, Levitsky põe em dúvida o quanto Bolsonaro tem de força e apoio para apostar em aventuras golpistas.

Lá fora.  Para o pesquisador, o 7 de Setembro tende a ser mais um capítulo ruim para a imagem do País no exterior. “A imagem do Brasil como uma democracia de sucesso foi manchada.”

Aqui dentro.  Levitsky vê o sistema político presidencialista brasileiro na raiz das instabilidades por aqui. “Sistemas parlamentaristas como os da Europa têm mecanismos institucionais para mudar os governos com maior facilidade”, diz.

Tome nota.  “O presidencialismo de coalizão de 1993 a 2012 funcionou relativamente bem, mas a crise iniciada com Dilma Rousseff trouxe um retorno à instabilidade presidencial”, afirma o pesquisador.

Urnas I.  Para Levitsky, a resposta ideal do mundo democrático a Bolsonaro seria impor a ele uma derrota acachapante, já no primeiro turno na próxima eleição presidencial. Mas ele mesmo aponta os entraves.

Urnas II.  “Para garantir a sobrevivência da democracia, deveria se formar uma ampla coalizão, do PT à centro-direita, por um candidato. Mas sei que é pedir muito. Lula e o PT teriam de fazer concessões significativas, na economia e na Justiça. Deveriam ter feito isso na eleição de 2018 e não fizeram. Vimos as consequências”, diz Levitsky.

Contradição I.  Postagem do deputado Ricardo Barros (PP-PR) em favor dos atos chocou ministros do STF, que consideram inacreditável o líder do governo estimular esse tipo de manifestação após ter recorrido recentemente à Corte em busca de seus direitos.

CLICK. Ricardo Barros (à esquerda), em vídeo publicado nas redes sociais, diz que em Brasília participará dos atos para “autorizar” Bolsonaro em sua missão pelo País.

Contradição II.  Ou seja, quando se sentiu acuado pela CPI da Covid, Barros correu até o STF em busca de salvaguardas. Agora, mais à vontade, conclama os brasileiros a atacarem a Corte. Os ministros estão de olho…

Redes…  Estudo encomendado pelo PSDB nacional, concluído às vésperas deste 7 de Setembro pela Vox Radar, identificou que 87,6% das menções a Bolsonaro nas redes foram críticas. As publicações de apoio somaram 11,6%.

…contra.  Posts sobre os atos de hoje mostraram uma diferença menor. 57,3% dos usuários condenavam as marchas e 42,6% as endossavam. “O bolsonarismo é eficaz em mobilizar militantes para causas específicas. Mas perde, inclusive nas redes, quando precisa enfrentar o Brasil real”, conclui a direção do PSDB.

Pronto, falei!

A barra tá estranha: Barra Torres barra o jogo ‘dentro das quatro linhas’. PF não barrou ninguém. É o Brasil de hoje: gols contra e furadas sobrando”

Chico Alencar, vereador do Rio de Janeiro (Psol)