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Claudia Matarazzo

Claudia Matarazzo

Colunista

Viagens pós-pandemia

| 04/03/2021, 11:10 11:10 h | Atualizado em 04/03/2021, 11:14

Você já pensou para onde quer ir assim que puder viajar sem tantos protocolos de segurança e já vacinado? Aposto que sim, como muita gente. E fico meio danada ao ouvir de tanta gente que não vê a hora de pegar um avião... para Miami!!

Oiiiii??? Com todo respeito, mas, com o País quebrado, precisando que a economia gire, é isso mesmo? Vai ter uma revoada de brazucas indo para Miami gastar em shoppings, praias meia-boca e restaurantes?

Que falta de imaginação e patriotismo, não acham? Ah, não faz diferença? Pense em hotéis daqui, em restaurantes e companhias aéreas. Sem falar em vans de turismo, guias, lojas de artesanato, carros de transporte como táxis e Uber.

Nada tenho contra os EUA, Miami ou a Disney. Mas, neste momento, deixa-me perplexa nosso complexo colonial que nos faz gastar uma nota em dólares para ver um mundo de faz de conta, quando, o que temos aqui supera – e muito – a admirável obra de Walt Disney.

Experimente levar uma criança de 5 anos às Cataratas de Iguaçu e esbalde-se em emoção com as vistas deslumbrantes regadas a chuviscos de água ou o passeio de barco com direito a banho de catarata.

Parque das Aves – Se achar que é pouco, lá mesmo há um dos mais completos parques de aves do mundo! Coloridíssimas, exóticas e com piados nos mais variados tons, são uma verdadeira maravilha da nossa natureza.

Não falo de um viveiro, mas de quilômetros quadrados de mata com milhares delas: devidamente catalogadas, explicadas e vivas, passeando junto com os visitantes em um espaço totalmente acessível.

Pois é: quem precisa das emoções do brinquedo dos Piratas do Caribe quando tem grutas e lagoas de verdade em Bonito, no Mato Grosso?

Gerações inteiras de crianças não conhecem o Brasil. Pudera: seus pais são os primeiros a lhes negar esse direito por ignorar, também eles, as belezas e possibilidades do nosso País.

Crianças em bando enfrentam longas horas de filas na Disney para ver um cenário de papelão iluminado, em vez de se depararem com as maravilhas da Chapada dos Veadeiros ou com as grutas de Maquiné, em Minas Gerais.

Ou ainda com a impressionante Pedra Azul, no Espírito Santo, que, da estrada, já nos assombra com seu formato de lagarto gigante e se transforma à medida que nosso ângulo de visão muda.

Por que negar ao seu filho uma vertiginosa descida de “esquibunda” nas Dunas de Natal, com areias translúcidas? E nem falamos de um passeio de barco partindo de Manaus – não somos os donos da Floresta Amazônica?

O espaço é pouco para falar de todas as nossas belezas. Falo com convicção, pois, tenho a sorte de conhecer a Disney e boa parte do mundo. Mas também o privilégio de viajar constantemente a trabalho por todo este País.

E assim que der, não vejo a hora de retomar os encontros com meu povo e minha pátria.

Miami pode esperar: quero voltar para tomar água de coco desfrutando das suas deliciosas piscinas de águas termais, com temperaturas variadas – da gelada à quentíssima. Novamente, só para falar de algumas das nossas muitas atrações.

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