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Imagem ilustrativa da capa de fundo do colunista Claudia Matarazzo

Claudia Matarazzo

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Claudia Matarazzo

Respeito às bandeiras, sem gafe

16/09/2021 11:07:45 min. de leitura

O uso “criativo” das bandeiras sempre foi um tema polêmico mas, com o tempo, passamos a ver nossa Bandeira Nacional em cangas na praia, estampando chinelos de borracha, camisetas e túnicas e, ultimamente, de forma bem distorcida, em manifestações político-ideológicas.

Ora, independente de opinião, a nossa – e qualquer bandeira, como símbolo importante que é – merece alguma sobriedade no trato. Na área de eventos, essa pseudoabertura deu margem a uma série de erros grotescos, originados pelo excesso de criatividade e falta de informação do decreto federal que rege nosso cerimonial.

Já vimos bandeiras forrando mesas de campanha, com o candidato e outros se debruçando sobre ela e apoiando copos; bandeira em lycra, esticadíssima, “encapando” púlpitos.

Ora, uma coisa é usar cores e desenhos que a referenciam para a moda e outros objetos. Outra, diferente, é atentar para seu uso rigorosamente correto, coisa nem tão difícil!

Tamanhos – Existem as de uso interno, em salas e auditórios, sempre do lado direito da mesa principal. As externas e em fachadas de edifícios ou sedes de governo e instituições. Maiores e em tecido mais resistente. E as mini, de mesa, para uso exclusivo em mesas e bancadas onde se realizam reuniões bilaterais.

Em tempo – No caso de luto oficial, serão hasteadas a meio pau apenas as bandeira de fachada e não as internas. Nesse caso, é preciso que a iluminação de todas esteja correta e sem lâmpadas queimadas, coisa muito frequente e que passa uma sofrível mensagem de pouco caso e abandono.

Precedência – Existem dois critérios para posicionar as bandeiras na ordem de precedência:

Ordem de criação – Dos estados, no caso de governadores que os representam; da pasta, no caso de secretários de estado ou de governo, e por aí vai.

Ordem alfabética – Esse é o critério mais usado quando há um número maior de bandeiras.

Gafes com a bandeira – Já testemunhamos verdadeiras aberrações com o uso das bandeiras. Os mais frequentes:

– Amarrar a bandeira com fita crepe para “modelar”.
– Prender com alfinetes, furando o tecido e desfigurando.
– Usar suporte de uma armação triangular atrás, para deixar a bandeira “durinha” (a beleza está justamente no movimento).
– No momento do Hino Nacional, destacar alguém para segurar com a mão para “esticar” o tecido até o fim da música. Aliás, não se “segura a bandeira”, quando hasteada.
– Beijar a bandeira. Esse é um privilégio reservado apenas aos integrantes de escolas de samba. Em eventos oficiais e/ ou protocolares, isso não existe. Beijos, apenas na quadra ou na avenida.

Finalmente, a bandeira é um poderoso símbolo. Mas, tentar apoderar-se dela como uma roupa ou propriedade, é inútil: é uma representação de pátria ou causa – que pertence a todos. E da qual não cabe apoderar-se, mas compartilhar, agregar valor e fortalecer.