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Imagem ilustrativa da capa de fundo do colunista Claudia Matarazzo

Claudia Matarazzo

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Claudia Matarazzo

Moda preguiçosa de rede social versus conhecimento

05/08/2021 10:26:47 min. de leitura

Nunca a informação foi tão acessível – e o total contrassenso é que jamais vivemos uma onda mundial de ignorância e deterioração de valores nessa magnitude!

Ora, a informação – inclusive as falsas – é coisa fácil e barata. Já o conhecimento requer anos de estudos, questionamentos,pesquisa, vivência e experiências.

Informe-se, mas pesquise – E estude o que achar interessante. O verdadeiro conhecimento não se origina no grupo de Zap, mas na experiência (ou estudo ou pesquisa) repetida, compartilhada, questionada e colocada à prova – até ser, finalmente, comprovada.

O conhecimento maravilha-se com os detalhes, os percalços, que podem ser superados (ainda que, muitas vezes, com dificuldade). Não se detém diante da dúvida. Insiste até encontrar uma resposta satisfatória. Ou várias respostas. Que podem levar a mais estudo, mais pesquisa, mais conhecimento.

É diferente da atual ignorância arrogante que acredita saber algo por decorar um par de fórmulas, dados ou fatos.
Essa moda preguiçosa e perigosa que nos “encaminha” incontáveis pesquisas, vídeos com declarações, frases prontas e textos atribuídos a esse ou àquele filósofo ou celebridade. E já te cobra uma “posição”, apenas pelo fato de existir o tal vídeo, texto ou frase.

E eu com a frase? Existem outras! Ou com a declaração da fofa da hora ou do craque? Por que se contentar com apenas dois “lados” ou opiniões se podemos ter inúmeros? Nunca entendi essa mania de querer obrigar o mundo (ou a turma ) a pensar igualzinho.
Isso emburrece, além de estreitar horizontes. E torna a vida infinitamente monótona, por ser previsível.

Já a diversidade, tudo o que é multi, me encanta: é como viver em um caleidoscópio, onde, dependendo do momento, da posição ou da conveniência podemos olhar mais para cá ou mais para lá, e nos surpreender com os desenhos coloridos, sempre perfeitos e harmônicos. Sim, me encanta tudo que é multi. Tudo o que oferece mais do que um ou dois.

É preciso ser generoso conosco vida afora. O tempo passa e a vida pode mudar em um segundo. Por que devemos vivê-la dentro de caixas criadas por um aplicativo? Ou com crenças e crendices sem comprovação, na base do “ouvir dizer”?

Isso funciona para histórias e lendas folclóricas, mas, para a nossa vida – e alma, que se alimenta de sentimentos e valores – há que não se ter preguiça. Devemos, não apenas procurar, mas processar e acrescentar outras informações, ideias, opiniões. Que mal há?

Mas aí é que a coisa pega. Vivemos a onda da preguiça e da informação rápida, rasa e não checada. Aí não dá. O multi, o poli, o rico e o generoso não aceitam preguiça. Fortalece-se com o movimento e não com mentes paralisadas ou binárias.

“Só sei que nada sei” – Não à toa, essa frase foi dita por um dos grandes sábios da humanidade (alguém se anima a pesquisar quem foi?). Pois é: quanto mais conhecimento temos, mais percebemos o quanto falta.

Aprofunde o olhar, provoque e sugira novos horizontes, novos destinos, novas questões. Aí sim, teremos a informação que se equipara a poder e influência, e que, verdadeiramente, agrega e transforma.