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Imagem ilustrativa da capa de fundo do colunista Claudia Matarazzo

Claudia Matarazzo

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Claudia Matarazzo

Etiqueta e costumes à mesa

24/06/2021 10:52:18 min. de leitura

“Existe uma etiqueta brasileira?”. A resposta a essa pergunta, muito frequente, é não. Seguimos a etiqueta ocidental – em alguns detalhes, usamos a referência europeia e em outros (poucos), a norte-americana.

Porém, no quesito “refeições”, podemos dizer que temos, sim, não uma etiqueta brasileira, mas uma que podemos chamar de “regional”.

Sim, pois, com uma gastronomia rica e variadíssima, nosso País continental oferece várias alternativas de “como comer” os muitos pratos regionais – que, por vezes, mudam de nome, mas não de sabor. Ou ainda: com o mesmo nome, podem surgir em outra região completamente transformados.

Ora, de todos os sentidos, para mim, o paladar é o mais completo. Começamos a degustar qualquer alimento muito antes de colocá-lo na boca: pelo aroma, que nos faz salivar quando sentimos determinados perfumes; pelo tato, que complementa a sensação que temos ao degustar.

Muitas vezes, apenas olhar um lindo prato é o suficiente para nos dar água na boca.

Os pratos que comemos na infância – ou em momentos de alegria e plenitude – são sempre nossos preferidos, não importando seu sabor, mas a lembrança a que nos remetem.

Mesa, lugar sagrado – A razão desse conceito que persiste em muitas casas é que a comida, as receitas, reuniões à mesa e os ingredientes usados em cada lugar são aspectos muito específicos de cada cultura.
Há países em que, comer com a mão é a norma. Em outros, é considerado falta de educação. Também existem alguns alimentos que só podem ser comidos com as mãos e outros em que é impossível fazê-lo.

Arrotar à mesa em algumas culturas é um grande elogio ao chef. Já em outras, uma verdadeira grosseria.
Todo esse papo é para mostrar que seria impossível saber tudo sobre todas as receitas do mundo todo. Não existe certo absoluto quando falamos de paladar. Nem totalmente errado.

Depende de tanta coisa e, vamos combinar, para que tanto rigor ao rotular o prazer de degustar qualquer iguaria?

No entanto, existe sim uma tradição cultural e regional que deve ser respeitada. Não como regra de etiqueta, que pode variar muito, mas como sagrada tradição, que deve ser mantida, pois é o mais importante vínculo do ser humano.

É com comida que celebramos nascimentos, dias santos e matrimônios.

Em volta da mesa, com diferentes receitas, as pessoas se reúnem vida afora: brindam, flertam, namoram, falam da escola das crianças , fazem planos para o futuro, discutem política, sonham e se consolam em momentos difíceis.

A comida, com os sentimentos que desperta, fala com as pessoas – e vai direto ao que lhes é mais sagrado: suas lembranças afetivas e antigas.

Acredito ser importante entender a história da nossa comida regional e, por esse motivo, em breve apresentarei uma pesquisa recém-terminada que fiz para explicar nossos pratos, como servir e comer.

Foi uma linda viagem por lugares que já conhecia, mas com um outro olhar, em um trabalho coletivo.

Antecipadamente, agradeço ao chef Carlos Ribeiro pela preciosa consultoria enquanto elaborava esse trabalho. E que espero compartilhar aos poucos com vocês neste espaço!