Etiqueta de boteco
Claudia Matarazzo
Etiqueta de boteco. Existe isso? Agora mais do que nunca. Não estamos falando de um restaurante mais formal ou de refeições protocolares, mas, daquela parada que a gente faz no nosso boteco preferido onde, a maior parte das pessoas se conhece – dali mesmo – e se reúne para petiscar, tomar um gole da cerveja preferida ou, simplesmente, respirar em uma bem-vinda pausa.
Justamente por esse caráter informal e familiar, a tendência é que as pessoas abusem de quem lá trabalha e, até mesmo, do direito de se achar em casa.
Embora a gente se sinta assim, não estamos em casa. É preciso lembrar que:
– Para o dono, aquilo é seu ganha-pão (bastante prejudicado em tempos de pandemia).
– O que, para você, é um momento de diversão e lazer, para o garçom é trabalho duro – que começou de madrugada pegando uma condução com quase zero de pausas durante o dia.
– Ali, você é cliente, por mais que se considere amigo. Portanto, um mínimo de atenção para manter a boa convivência em um espaço, em geral, reduzido, é necessário, e faz diferença.
Detalhes, sempre fazendo diferença. Vamos a eles!
Chame o garçom pelo nome – Não é “chefia”, nem “amigo.” Ouvir nosso nome, saber que somos reconhecidos é muito mais gratificante – e eficiente.
Olhe nos olhos – Desligue qualquer chamada que esteja em curso e pare de teclar enquanto faz o pedido.
Respeite quem está à sua frente e parou tudo para aguardar seus desejos. Em geral, ele tem todos os outros para atender sozinho – e a sua atenção e clareza nesse momento ajudam e refrescam a rotina dele imensamente. Ponha-se no seu lugar.
Em tempo: parece bobagem, mas muita gente faz isso, e é pra lá de inconveniente: não segure ou puxe o garçom para a sua mesa para apressar o atendimento.
Sem batucada – Sim, sabemos que é uma cultura nacional bater no balcão e começar ali mesmo uma roda de samba.
Mas, convenhamos, dependendo do horário e do público presente, esse tipo de show particular é desnecessário e invasivo... só funciona mesmo com os verdadeiros talentos, que, se estiverem presentes, merecem nossos ouvidos atentos, e não um coro desafinado...
Não tem chapelaria – Boteco, por definição, não tem muito espaço e, atrás do balcão, menos ainda.
Assim, evite pedir para que guardem mochilas, maletas, etc, enquanto você está lá. Atrapalha, e muito!
Ainda o balcão (ou mesa, se for o caso) – Se estiver mascando chiclete, não cole debaixo do tampo! Use o guardanapo de papel e jogue fora. Ou vai reciclar?! Ecaaaaa...
Por favor e obrigado – Mesmo que você vá lá todos os dias, custa falar? E peça licença para tudo: inclusive, para puxar a cadeira da mesa ao lado...
Saideira – Hoje, existe um horário com motivos concretos para o fechamento do lugar e para servir, de modo que evite pedir qualquer coisa após dar o horário de encerramento.
A conta – Conferir não tem problema, mas discutir e alterar a voz é inadmissível – até porque, em botecos, dificilmente será o garçom quem exagerou na bebida...
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Claudia Matarazzo,por Claudia Matarazzo