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Imagem ilustrativa da capa de fundo do colunista Claudia Matarazzo

Claudia Matarazzo

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Claudia Matarazzo

Como vamos emergir do período da pandemia?

29/07/2021 10:21:02 min. de leitura

O freio de um ano e meio afetou nossas habilidades de convivência ao vivo. Além disso, a intolerância que, aos poucos, parecia natural, assim como uma atitude claramente “dane-se, não tô nem aí”, que, se no começo chocava, agora oprime, embora não surpreenda.

Há quem diga que, quem era bom, vai ficar melhor, e quem era do mal, não conserta, só piora. Mas, vamos falar das habilidades sociais e do lazer que, aos poucos, estão retornando mais livres, para felicidade dos que gostam de espaços públicos – sejam eles praias e parques ou shoppings.

O que me inspirou este assunto foi uma cena que testemunhei em uma praça de alimentação em minha primeira saída “puramente a lazer”.

O casal se levantou e largou bandeja, copos e muita sujeira sobre a mesa. O homem, olhando para trás, percebeu e voltou para recolher.
A mulher, em vez de ajudar, o repreendeu em voz esganiçada: “Anda, fulano, não está vendo que tem funcionária para fazer isso?”

Horrorizei. Ora, as praças de alimentação têm mesmo funcionários para recolher e repor o material. Mas é (ou deveria ser) para recolher as bandejas – e apenas isso –, devidamente ordenadas em totens próprios para tal.

Ao deixar a mesa emporcalhada (não há outro termo), os clientes mal-educados estão prejudicando o fluxo e o timing, pois, até que a mesa esteja limpa, ninguém senta.

Além disso, os tais funcionários são em número reduzido e calculado para ir e vir, levando e trazendo bandejas limpas. Não para trazer panos e limpar porcarias grudentas de gente que, sequer, tem o cuidado de esvaziar pratos e xícaras no local apropriado.

Agora, todos têm álcool em gel e álcool 70 para higienizar, sim. Eles são superatentos, mas não estão lá “para fazer isso”, como disse a gralha.

Estivesse ela na Europa – o tal primeiro mundo para o qual tanto babamos ovo –, pode ter certeza que levaria um pito do dono do lugar. Ou do gerente. Que prontamente pediria que ela organizasse o local.
Exagero? Nada disso. Lá, os poucos funcionários disponíveis são pagos a peso de ouro, e quem atende as mesas, se não for o dono, é um parente ou funcionário superqualificado que não está “aí para fazer isso”.

Quem trata espaços públicos como um grande lixão, certamente, deve morar mal e tratar seu próprio quarto da mesma maneira, assim como a família, e, provavelmente, desrespeita o sagrado momento de compartilhar a comida à mesa.

Sagrado sim: em meio a tantas incertezas, nada mais sagrado do que ter comida e casa para compartilhar. E cuidar tanto de um, quanto de outro é o começo para entender que não é normal comer pão diretamente sobre a mesa e largar as migalhas lá para alguém “limpar isso”.

Elite mal-educada, insensível e míope é escória com dinheiro. E não vale nada. Como vamos emergir deste período é uma escolha possível, e importantíssima para o futuro dos nossos filhos, mas, também para o nosso, não acham?