Login

Imagem ilustrativa da capa de fundo do colunista Claudia Matarazzo

Claudia Matarazzo

Imagem do colunista Claudia Matarazzo

Claudia Matarazzo

Como e com quem voltar?

22/07/2021 10:07:34 min. de leitura

Aos poucos, estamos começando a sair da toca, pouco imunizados ainda, mas, com esperança de retomar as atividades paralisadas, dentre as quais, a de se relacionar ao vivo é a mais importante. Com pessoas amigas, conhecidas, da família, do trabalho, inimigas, colegas e, até mesmo, as desconhecidas, de encontros fortuitos.

Antes da pandemia, ninguém prestava atenção ao número de relacionamentos que cultivávamos ativamente, num exaustivo (e, muitas vezes, inútil) frenesi de atividades.

Depois da pausa forçada, muitas pessoas relatam preguiça e, até mesmo, um cansaço para retomar tudo no mesmo pique. E já estão preparando listas de coisas que não pretendem voltar a fazer. Em outra, ao contrário, colocam o que não vão perder nunca mais! Natural.

Segundo Antonio Prata, em uma crônica recente, os americanos já devem, inclusive, ter a sigla para esse cansaço:

Foma – Fear of meeting again (medo de encontrar novamente), contrapondo-se ao antigo Fear of missing out (medo de ficar de fora).

Pois agora, meses após ficar de fora de tanta coisa, percebemos o quão salutar isso pode ser.
Cada um tem as suas preferências quanto ao peso das pessoas e aos eventos-malas que quer (e pode carregar), e se deseja com ou sem alças. Ora, como adoro uma lista, já fiz a minha e pretendo evitar a todo custo:

Chás de Bebê e Revelação – Passei da idade e, exceto o da minha filha ou afilhada, não preciso justificar o motivo pelo qual não me atraem. Mas aplaudo as organizadoras pela coragem.

Inaugurações de restaurantes – Exceto de chefs amigos. Porque o dia mesmo é uma confusão e, se a ideia é comer bem e experimentar um novo lugar, o primeiro dia é o pior deles.

Casamento de quem mal conheço – Não é chatice, mas realidade: eu não serei importante em uma festa dessas, e já fui a tantas.

A lista é imensa e corro o risco de parecer (mais) ranzinza, masssss, mais importante do que essa, é a de coisas que você não pode (ou não quer perder). De minha parte, é uma infinidade:

Nelson Freire ao vivo – Perdi a conta das vezes em que, trabalhando como chefe do cerimonial, compareci à Sala São Paulo, onde não consegui ter tempo de sentar, pois estava atendendo “autoridades” no saguão. Não mais!

Exposições de arte – Fazem bem para a alma. Alargam o olhar, expandem o coração. Pelo menos, para mim.

Happy hour com amigos – Tem coisa melhor? E, depois, chegar em casa e se jogar com a lembrança das risadas.

Viagens internacionais – Nunca mais pensar duas vezes. Pelo menos, não com marido e amigos. Simples assim.

Palestras e workshops presenciais – Como palestrante, sei que agora tudo pode ser virtual – e tem sido – mas, nada, nada mesmo se compara à energia e à troca de conhecimento ao vivo.

Se animou? Mesmo que não concorde com nada, sugiro a você, caro leitor, que faça a sua própria lista.
Não porque sempre tenho razão, mas, para não cair nas armadilhas do passado apenas pelo impulso do “agora eu posso, então vamos lá”, e tornar a perder seu mais do que nunca precioso tempo em vivências completamente inúteis e/ou desagradáveis.