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Imagem ilustrativa da capa de fundo do colunista Claudia Matarazzo

Claudia Matarazzo

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Claudia Matarazzo

Colunista fala sobre o hábito de "roubar" docinhos em festas

26/08/2021 10:41:52 min. de leitura

Nunca vou entender: as pessoas podem comer quantos doces quiserem enquanto estão na festa, mas, basta saber que estão saindo e correm para “roubar” docinhos da mesa de doces. E não tem nada a ver com estrato social, conta bancária, etc.

É um fenômeno de todo tipo de festa; aliás, nas megafestas pré-pandemia, a coisa assumiu uma tal proporção que os cerimonialistas inventaram a “babá de doces”, uma desafortunada profissional que fazia cara severa e, uniformizada, em frente à mesa, pedia para que as pessoas não chegassem perto, não comessem antes do tempo, etc.

Adiantava pouco, além do ridículo de convidar seus amigos e, depois, proibir de comer até determinado horário.

Em algum momento, alguém teve a ideia de transferir a mesa para a área de saída: não propriamente no salão, as pessoas comiam “de passagem” e, também, de passagem, já indo embora, recebiam uma caixinha linda de lembrancinha para acomodar quatro ou seis docinhos, dependendo do orçamento.
Funcionava: a mesa de doces ficava inteira por mais tempo: encomendava-se a mais, já prevendo os docinhos extras.

No início, eram os bolsos – Lembro bem: os homens, sempre de paletó, suspiravam resignados quando as namoradas ou mulheres pediam que pusessem um ou dois bem-casados no bolso. Mas levavam, afinal, eram sempre para “os filhos”. Vamos combinar que os bolsos estufados não eram a pior coisa que podia acontecer em uma festa.

Bolsas estufadas – Com a moda mais democrática e as clutches de noite podendo ser substituídas por outras bolsinhas flexíveis, essas começaram a ficar ultracheias: as mulheres enchiam os bolsos masculinos, mas contavam com a sua bolsa flex! E saiam, literalmente, carregadas de docinhos.

Uma vergonha, e um superprejuízo para quem dava a festa. Por mais que se calculasse, nunca era o suficiente.

Sacolas – E sempre pode piorar mais. Uma vez, assisti à seguinte cena: na saída, já fora do salão, na famosa “mesa de doces da saída”, as mulheres sacavam de suas lindas bolsinhas de noite nada menos do que.... sim! Ela! A sacola de plástico verde de supermercadooooo! E enchiam de docinhos...

Mas não só as mulheres têm essa tara por docinhos de festa. Já vimos o seguinte (acreditem se quiser): às tantas, já para o fim da festa, um homem alinhado, de terno, se aproximou da mesa e olhou em volta.

Escolheu, literalmente, a dedo alguns doces e foi empilhando na mão. Quando achava que ninguém estava vendo – porque, é claro, estavam – abaixou, enfiou todos nas meias e cobriu com a calça do terno. E saiu andando. Juro que vi!

Afinal, pode levar ou não? – Claro que pode. Mas assuma o doce: leve um em cada mão e diga: “Estou levando, amei! Muito obrigada, que delícia!”.

E mais: neste momento, todos os doceiros estão precisando de uma força, as encomendas caíram, e eles viviam dessas festas que sumiram por ora.

Que tal encomendar todo fim de semana, para o sábado à noite ou almoço de domingo? É uma forma de ajudar muito e ainda sentir-se especial – sabor de festa junto com toda a família. Melhor do que colocar na meia, certo?