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Cirurgia é alternativa para tratar enxaqueca
AT em Família

Cirurgia é alternativa para tratar enxaqueca

o cirurgião plástico  Paolo Rubez é um  dos poucos no Brasil a realizar o procedimento (Foto: Divulgação)
o cirurgião plástico Paolo Rubez é um dos poucos no Brasil a realizar o procedimento (Foto: Divulgação)
As crises de enxaqueca podem ter um fim com um procedimento cirúrgico. Isso é o que avalia um estudo da edição de agosto da Plastic and Reconstructive Surgery Journal, maior revista científica de Cirurgia Plástica do mundo.

O artigo “A Comprehensive Review of Surgical Treatment of Migraine Surgery Safety and Efficacy”, feito em conjunto com o Comitê de Segurança do Paciente da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica, avalia o procedimento como seguro e eficaz.

“Além disso, o artigo reforça a importância do tratamento ser incorporado pelos cirurgiões plásticos e pelas sociedades de Neurologia como um tratamento padrão para a Eenxaqueca”, diz o cirurgião plástico Paolo Rubez, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University e membro da Sociedade de Cirurgia de Enxaqueca dos EUA.

O médico é um dos poucos no Brasil a realizar o procedimento. “A cirurgia de enxaqueca é hoje realizada por diversos grupos de cirurgiões plásticos ao redor do mundo e em mais de uma dezena das principais universidades americanas, como Harvard. Os resultados positivos e semelhantes das publicações dos diferentes grupos comprovam a eficácia e a reprodutibilidade do tratamento”, afirma.

Sintomas

Uma crise de enxaqueca pode durar até 72 horas, aparecer mais de 15 dias por mês e apresentar sintomas como dor intensa e pulsátil em um ou nos dois lados da cabeça, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz ou ao som.

Segundo estimativas, a doença afeta cerca de 15% da população brasileira, sendo que a faixa etária dos 20 aos 45 anos é a mais acometida. Sem medicação específica para doença, o tratamento é feito com medicamentos anti-hipertensivos, antidepressivos e antipsicóticos, além da toxina botulínica.

“É por isso que a cirurgia para enxaqueca, disponível mais recentemente no Brasil e embasada cientificamente por uma série de estudos, promete ser um divisor de águas para quem sofre com o problema”, diz o cirurgião.


Saiba mais


1 - Como a cirurgia age na melhora da enxaqueca

  • A cirurgia é pouco invasiva e tem o objetivo de descomprimir e liberar os ramos dos nervos trigêmeo e occipital envolvidos nos pontos de dor, explica o médico Paolo Rubez.

2 - Tipos de cirurgia

  • As cirurgias podem ser de sete tipos principais nas seguintes regiões: frontal, rinogênico, temporal e occipital (nuca).

  • Segundo Paolo, para cada um dos tipos de dor existe um acesso diferente para tratar os ramos dos nervos, sendo todos nas áreas superficiais da face ou couro cabeludo, ou ainda na cavidade nasal.


3 - Indicações

  • A cirurgia para enxaqueca pode ser feita em qualquer paciente que tenha diagnóstico feito por um neurologista e que sofra com duas ou mais crises severas de dor por mês que não consigam ser controladas por medicações. É indicada também para pacientes que sofram com efeitos colaterais das medicações para dor ou que tenham intolerância a elas.

  • Ou ainda em pacientes que desejam realizar o procedimento devido ao grande comprometimento que as dores causam em sua vida pessoal e/ou profissional.

4 - Duração do procedimento

  • As cirurgias, segundo o especialista, são realizadas em ambiente hospitalar e sob anestesia geral e, em alguns casos, sob anestesia local.

  • “A duração da cirurgia, para cada nervo, é de cerca de uma a duas horas, e o paciente tem alta no mesmo dia”, ressalta.

5 - Como surgiu a cirurgia para enxaqueca

  • A cirurgia para enxaqueca foi criada e desenvolvida, a partir de 2000, pelo cirurgião plástico Bahman Guyuron, em Cleveland, nos Estados Unidos. Desde então, diversas equipes ao redor de todo o mundo vêm realizando este tipo de cirurgia com sucesso em seus pacientes.

  • Único médico a realizar a cirurgia em São Paulo, Paolo Rubez aprendeu detalhes das técnicas cirúrgicas desse procedimento com Bahman Guyuron, por meio de sete estágios entre os anos de 2014 e 2019.

  • Segundo Paolo Rubez, o procedimento foi descoberto a partir de cirurgias estéticas para a região frontal ou superior da face, de forma que Guyuron notou que seus pacientes melhoravam das dores de enxaqueca, quando sofriam com o problema.


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