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Vida dedicada ao “ouro branco” no Espírito Santo

Aos 95 anos, Vitório Benincá acorda de madrugada todos os dias para trabalhar na produção do leite e nem pensa em aposentadoria

Clóvis Rangel e Roberta Bourguignon, do jornal A Tribuna | 18/07/2022 15:41 h | Atualizado em 18/07/2022, 21:45

O pecuarista Vitório Benincá conta que começou sua produção com 40 vacas, em janeiro de 1950
O pecuarista Vitório Benincá conta que começou sua produção com 40 vacas, em janeiro de 1950 |  Foto: Clóvis Rangel / AT
  

O pecuarista Vitório Benincá nem pensa em aposentadoria. Aos 95 anos, ele acorda de madrugada todos os dias para auxiliar na ordenha de vacas e dedicou sua vida ao “ouro branco”, como ele chama o leite que seu rebanho produz em sua propriedade, localizada em São Vicente, zona rural de Alfredo Chaves.

Saudosista, “seu Vitório”, como ele é conhecido, revela que a vida no ramo da pecuária teve início há mais de 70 anos e frisa que, apesar do sucesso na área, não foi alfabetizado.

“Comprei uma fazenda aqui e tomei posse dela em 2 de janeiro de 1950. Na época, compramos a terra e 40 vacas. Nunca fui para escola em nenhum um dia. Depois que eu casei, minha finada esposa me ensinou a assinar meu nome”.  

Descendente dos primeiros imigrantes europeus que vieram povoar as montanhas capixabas, seu Vitório disse que seu avô, que era italiano, foi quem introduziu a pecuária de leite na família. 

“Meu avô tinha uma propriedade em Ibitiruí, aqui no interior de Alfredo Chaves, onde tinha um curral que ele tirava leite das vacas. Comecei a tirar leite pequeno. Tirei leite por 73 anos sem parar”. 

Viúvo, seu Vitório revelou que criou seus seis filhos e manteve sua família com o dinheiro vindo do lucro da venda do “ouro branco”. “Tirava o leite e vendia de porta em porta, no litro. Foi assim que fui bancando a vida, minha família”.  

Produção de leite m São Vicente, zona rural de Alfredo Chaves
Produção de leite m São Vicente, zona rural de Alfredo Chaves |  Foto: Roberta Bourguignon / AT
 

As vendas do leite evoluíram e isso fez com que ele ingressasse em uma família ainda maior. Há 60 anos, ele e mais alguns pecuaristas ajudaram a fundar a Cooperativa de Laticínios de Alfredo Chaves (Clac) e ele garantiu que o primeiro carregamento de leite a chegar nos tanques  foi dele.  

“O primeiro leite que chegou na Clac foi o das minhas vaquinhas  e envio leite até  hoje”. Todo o trabalho de ordenhar, alimentar e manejar os animais da propriedade de seu Vitório é feito com o auxílio do filho Luciano Benincá.

Segundo Luciano, hoje a família mantém um rebanho com cerca de 100 vacas das raças Girolando e Guzolando, que produzem, em média, 200 litros por dia. “Mas já produzimos mais. O pasto está seco”.

UNIÃO DE AMIGOS PARA FUNDAR COOPERATIVA

Na década de 60, uma grande dificuldade era vender e escoar o leite produzido. Para mudar esse cenário, seu Vitório e mais 35 amigos pecuaristas se uniram e fundaram a Cooperativa de Laticínios de Alfredo Chaves (Clac), em  1962. 

“Naquela época, cheguei a mandar de 150 a 200 litros de leite por dia para eles lá da Clac, e tudo no lombo de burrinho de carga. A Clac facilitou a venda do nosso leite”, disse Vitório.

Rolmar Botechia: diversificação
Rolmar Botechia: diversificação |  Foto: Roberta Bourguignon / AT
 

O cooperativismo levou diversos outros benefícios para a família do pecuarista. Na opinião de Luciano Benincá, o acesso à assistência técnica promovida pela Clac é fundamental para evolução do trabalho.

“Numa cooperativa, todos podem aquilo que pode um. Além isso, conhecimento técnico é muito importante para a melhora do nosso trabalho. Aprendemos muitas técnicas e as colocamos em prática. Trabalhamos para melhorar o solo e o resultado foi em mais pastagem para os animais se alimentarem. São muitos aprendizados que nos proporcionaram ter hoje menos trabalho e mais resultados”.

O vice-presidente da Clac, Luciano Luís Grasse, explicou que a cooperativa fomenta um projeto de fertilização in vitro de bovinos com sêmen de touro holandês, em parceria com o Sebrae, que custeia 70% do valor do procedimento e a cooperativa arca com 10%, restando 20% para o produtor pagar.

Cooperativas faturaram R$ 1,2 bilhão em 2020

De acordo com o Sistema OCB/ES, as cooperativas do segmento de leite no Espírito Santo faturaram R$ 1,281 bilhão em 2020 com seus negócios. 

Além disso, o volume de quase 190 milhões de litros de leite adquiridos pelas cooperativas dos produtores correspondeu a 48,4% dos 392,4 milhões de litros da produção de leite no Estado no período, segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal, do IBGE. 

Ainda de acordo com o Sistema OCB/ES, o leite é o segundo produto em ordem de faturamento do cooperativismo capixaba. “As nossas cooperativas desempenham um papel importante no mercado leiteiro, trazendo inovações, ampliando sua atuação, diversificando  seus produtos”, disse o superintendente do Sistema OCB/ES, Carlos André Santos de Oliveira.

Cooperativa de Laticínios de Alfredo Chaves (Clac) foi fundada em 1962, por um grupo de 36 pessoas
Cooperativa de Laticínios de Alfredo Chaves (Clac) foi fundada em 1962, por um grupo de 36 pessoas |  Foto: Clóvis Rangel / AT
 

Comemoração

No seu primeiro mês de fundação, em novembro de 1962, a Cooperativa de Laticínios de Alfredo Chaves recebeu cerca de 50 litros de leite. Hoje, é recebido em média 1 milhão de litros  por mês. Um marco a ser comemorado,  diz o diretor da cooperativa, Rolmar Botechia.

“Além do crescimento na quantidade de leite produzido, a Clac expandiu em diversas frentes. Uma delas foi com a indústria de derivados do leite”. De todo o leite recebido pelos cooperados, 50% é transformado em queijos, iogurtes, manteiga, leite UHT e requeijão.

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