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Veterinária pedala pelo País para vencer a depressão

Leila Sbaraini abandonou a profissão para buscar razões para viver feliz. Há 500 dias na estrada, a gaúcha diz estar encantada com o litoral capixaba

Roberta Bourguignon | 23/07/2022 18:03 h

Leila Sbaraini está no Estado desde a semana passada
Leila Sbaraini está no Estado desde a semana passada |  Foto: ROBERTA Bourguignon

“Fui procurar algo que eu tivesse vontade de fazer e me desse vontade de viver todos os dias. E o que eu mais gosto de fazer é viajar. Por que não de bicicleta? Bora tentar!”.  

Foi assim que a veterinária Leila Sbaraini, aos 37 anos de idade, decidiu abandonar a profissão que exercia há 10 anos para conhecer o Brasil e buscar razões para viver feliz e superar a depressão. 

 Há mais de 500 dias na estrada, Leila garante que se redescobriu, e afirma sem dúvidas que foi a melhor escolha que fez. Natural do Rio Grande do Sul, a gaúcha está de passagem pelo Estado desde a semana passada e ficou encantada com o litoral capixaba.  

“No Espírito Santo fiquei em Marataízes, nas falésias, troquei trabalho por estadia em um camping. Explorei Marataízes e achei lindo. Dormi em Anchieta e depois vim para Guarapari. Aqui conheci todas as praias em três dias. As praias capixabas são lindas”, diz.

A veterinária conta que chegou a planejar de fazer uma Kombi adaptada, mas com a pandemia desenvolveu uma depressão por esgotamento dentro da profissão, conhecido por Síndrome de Burnout. 

E, em busca de momentos melhores, não esperou muito e saiu de bicicleta mesmo. 

“Eu queria ir de Kombi, mas ela sempre foi adiada porque precisava  juntar dinheiro e eu nunca chegava a juntar o necessário. Então chegou a pandemia, e eu tinha virado autônoma. O dinheiro então começou a sumir, eu já não estava feliz, e sem poder trabalhar ainda, veio a depressão. Larguei casa, meus animais, e me despedi dos meus pais. A bike sempre me fez bem, e decidi seguir de bicicleta mesmo”, lembra a gaúcha.

A saída do Rio Grande do Sul foi no dia 12 de fevereiro de 2021, e em um ano e cinco meses foram várias cidades e estados percorridos.

Alguns perrengues com o meio de transporte obrigaram a veterinária a aprender a consertar a bicicleta sozinha. 

“Aprendi vendo vídeos no YouTube. Foram tantos pneus furados que perdi as contas. Peguei uma serra muito difícil que foi entre Boiçucanga e Maresias, em São Paulo, e foi muita chuva, caí no meio do asfalto. Tive pneu furado em lugar que não era bom para trocar pneu. Mas estou aqui. Passei”, comemora ela.


Leila Sbaraini, veterinária e ciclista

“Não tenho pressa de voltar”


“Era para ser um ano sabático, mas não tenho pressa de voltar”. A veterinária Leila Sbaraini decidiu viajar de bicicleta após desenvolver uma depressão.

A ideia inicial era ficar um ano sem trabalhar, mas a estrada tem curado todas as feridas, e ela passou a não ter destino final. 

A Tribuna: Quais  lições de vida  já aprendeu na estrada?

Leila Sbaraini: Vale a pena dar uma chance para viver. E viver o que o teu coração está pedindo. Não se preocupar tanto com o amanhã. Você não precisa ficar tão preocupada se depois de amanhã o dinheiro acabar, ou se não vai mais conseguir o emprego na sua área. O amanhã é somente amanhã. Precisamos nos permitir viver o hoje. 

E como custeia a viagem?

 Saí com alguma reserva, mas na estrada troco trabalho por estadia. Já trabalhei em cozinha, limpeza, sítio de agroecologia, construção, recepcionista de hostel.  

Não apareceu nenhum trabalho como veterinária ainda? 

Não, e não é o que eu procuro. Me dei um ano sabático, de não ser veterinária, para conhecer outras profissões.

Não pensa mais em voltar? 

Não tenho pressa de voltar. A viagem não é só externa.  É um processo de transformação pessoal, de me conhecer melhor, de me curar, é um ano para mim.

Qual o destino final? 

Na verdade não tem um destino final. Tenho o desejo de fazer todo o litoral do Brasil, ir até o Amazonas, atravessar a fronteira do Brasil, descer até o Ushuaia, na Argentina, e de lá voltar para o Brasil pelo Uruguai, e seguir até a casa dos meus pais. Esse é o desejo, mas estamos sem regras.

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