Uma torcida especial em hospital de Vitória: a rotina em uma Utin de prematuros
Equipe de enfermagem que cuida dos bebês prematuros na Pró-Matre produziu acessórios que remetem à Seleção
O relógio dita um tempo diferente dentro da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (Utin), do Semi-Intensivo ou da Unidade Canguru da Pró-Matre, maternidade da Santa Casa de Misericórdia de Vitória.
Longe do ritmo acelerado das ruas, os segundos são contados em batimentos cardíacos e cada grama a mais na balança é uma vitória silenciosa.
Na Copa do Mundo, os recém-nascidos que enfrentam esse momento delicado se transformaram em uma “torcida organizada” com a ajuda da equipe hospitalar.
A enfermeira Natália Marrane Delucca relata que, para este momento, para entrar no clima da Copa, foram confeccionados laços de cabelo, touquinhas e quadros em verde e amarelo.
“Temos técnicas de enfermagem aqui que são extremamente humanizadas, que trabalham duro com os recursos do próprio bolso. Tudo para deixar o mais leve possível o ambiente, já que é um momento difícil que os pais estão vivendo ali”, complementa.
A “torcida organizada” dos pequenos, que por vezes são prematuros extremos, veste o verde e amarelo e muda a cor de um ambiente que costuma ser marcado pela apreensão.
O ápice da emoção acontece no carimbo: o pezinho minúsculo do recém-nascido é banhado em tinta e marcado em um quadro comemorativo amarelo com a bandeira do Brasil. É a primeira assinatura de uma vida inteira que está por vir.
“O quadrinho, com o carimbo dos pezinhos do bebê, vai ser levado para casa, junto com o bebê, quando receber alta, e vai ficar de recordação como o quadrinho da primeira Copa que eles participaram”, explica Natália.
Essa imersão no clima do Mundial não é apenas um adereço visual; é um elo terapêutico profundo. “Quando os pais entram na unidade e veem suas filhas e filhos no clima da Copa, o cenário de dor é imediatamente quebrado por um sorriso, devolvendo a essas famílias o sentimento de pertencimento e normalidade”, destaca.
“Os pais são protagonistas do cuidado do bebê. Parece até clichê, mas o bebê sente quando o pai está bem e quando não está. Ver a filhinha com um lacinho na cabeça traz uma alegria no momento de dor”, ressalta.
Fique por dentro
Torcedores mirim
- O projeto acontece na Pró-Matre, a maternidade da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, especificamente nos setores de Utin, Semi-Intensivo e Unidade Canguru.
- O foco são bebês que nasceram com comorbidades, desconforto respiratório ou muito prematuros, que precisam passar semanas ou meses internados, gerando um momento de grande fragilidade para as mães que recebem alta antes dos filhos.
Impacto terapêutico
- A humanização funciona como um elo terapêutico essencial, pois a equipe defende que o bebê sente o estado emocional dos pais.
- O objetivo é levar alegria e otimismo em um momento de dor, lembrando às famílias de que aquela internação é apenas uma fase.
- Os laços e quadrinhos estão sendo guardados no hospital e serão entregues como troféus de recordação aos pais no dia em que os bebês receberem alta.
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