Tartaruga volta a desovar em praia do ES após 37 anos
Fêmea de tartaruga-cabeçuda monitorada pelo Projeto Tamar retorna à praia de Povoação (ES) e reforça importância do litoral capixaba
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O Espírito Santo voltou a ganhar destaque nacional na conservação marinha. Uma tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) monitorada há 37 anos pelo Projeto Tamar retornou à praia de Povoação, em Linhares, no Norte do Estado, e se tornou a que possui o maior tempo de monitoramento contínuo no Brasil ainda em atividade reprodutiva.
O registro reforça a importância do litoral capixaba como berçário da espécie e pode indicar que a fêmea esteja colocando ovos ao lado de filhas e até “netas”.
A tartaruga foi marcada pela primeira vez em 1988 e voltou a desovar no dia 2 de dezembro de 2025. Segundo os pesquisadores, ela já era adulta quando começou a ser acompanhada, o que indica que pode ter mais de 60 anos de idade.
“O que torna esse caso tão especial é que essa é a tartaruga mais antiga de que a gente tem registro desovando no Brasil”, afirma o biólogo Alexsandro Santos, coordenador de pesquisa e conservação do Tamar no Espírito Santo. “Ela foi vista pela primeira vez em 1988 e reencontrada outras sete vezes desde então. E isso não significa que só tenha vindo nessas ocasiões. Pode ter desovado em temporadas em que não a encontramos”, complementa.
De acordo com o especialista, há fortes indícios de que a fêmea já esteja desovando ao lado de descendentes. “Ela já está desovando com as filhas, com certeza, e provavelmente com as netas também. É uma sobrevivente”, destaca.
A tartaruga-cabeçuda costuma realizar desovas a cada dois anos, podendo depositar entre três e oito ninhos por temporada, com média de cerca de 120 ovos por ninho. Apesar da grande quantidade de ovos, apenas uma pequena parcela dos filhotes chega à fase adulta, o que torna cada fêmea reprodutiva fundamental para a manutenção da espécie.
Durante o monitoramento mais recente, os pesquisadores utilizaram iluminação vermelha, técnica que reduz o impacto sobre o comportamento natural do animal. O caso é considerado um marco para a ciência e reforça o papel estratégico do Espírito Santo na preservação das tartarugas marinhas no Brasil.
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