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Sufoco por falta de abrigos de ônibus na Serra

| 13/02/2020 18:11 h

César Lourenço, de 56 anos: “Não temos nem banco e nem cobertura”
César Lourenço, de 56 anos: “Não temos nem banco e nem cobertura” |  Foto: Leone Iglesias / AT

Chuva, sol, vento e risco de atropelamento pelos carros que passam em alta velocidade. Esses são os problemas que os passageiros de ônibus enfrentam diariamente enquanto esperam pelo transporte coletivo no município da Serra.

Dos 1.874 pontos espalhados por ruas e avenidas da cidade, 1.274 não têm abrigo, segundo o último levantamento divulgado pela prefeitura. Com isso, o sufoco piora a cada ano, enquanto as promessas se acumulam.

Um levantamento feito pela reportagem de A Tribuna mostra que, desde 2017, os novos abrigos são anunciados, mas a população não tem visto melhorias.
Naquele ano, o município tinha 615 pontos com cobertura. Cerca de 500 novas estruturas foram prometidas em 2018 e, depois, em 2019, mas agora, no início de 2020, a cidade conta com um número semelhante ao de três anos atrás: 627.

Por conta disso, falta conforto e sobra reclamação. “Não tem infraestrutura nenhuma, é precário. Não temos nem banco e nem cobertura. Dentro dos bairros, a situação é pior ainda”, disse o morador de Jacaraípe, César Lourenço, 56 anos.

Na Rodovia Audifax Barcelos, em Centro Residencial da Serra, é impossível esperar pelo ônibus no ponto, pois além da falta de abrigo, o local está tomado pelo mato alto.

Mesmo onde existe abrigo, muitas vezes, as condições são precárias, como ao longo da avenida Abdo Saad – principal via de Jacaraípe. “Nem devemos chamar de abrigo. São estruturas totalmente enferrujadas e caindo aos pedaços, com risco de desabar sobre os passageiros”, reclamou o empresário Antonio Carlos Aprigio.

Já em Laranjeiras, o risco é para quem senta, segundo a aposentada Iveth Ribeiro Pereira. “Os bancos estão soltos, e a ferragem, corroída. Precisamos de providências”, disse.

Advogado Edson Monteiro, 72, reclama da falta de estrutura dos pontos.
Advogado Edson Monteiro, 72, reclama da falta de estrutura dos pontos. |  Foto: Leone Iglesias
Mato em ponto na Rod. Audifax Barcelos, em Centro Residencial da Serra.
Mato em ponto na Rod. Audifax Barcelos, em Centro Residencial da Serra. |  Foto: Leone Iglesias / AT
Quando há cobertura, o banco é precário, como mostra Wellington Xavier.
Quando há cobertura, o banco é precário, como mostra Wellington Xavier. |  Foto: Leone Iglesias
 

Promessas de novas estruturas


Após três anos de promessas da Prefeitura da Serra, o secretário adjunto de Obras, Winker Denner, disse que os 500 abrigos prometidos não foram instalados por conta do “longo processo de licitação”.

“Identificar os locais é uma coisa, mas quando vamos ver a viabilidade, não conseguimos atender, muitas vezes, por problemas no local”, disse.

O secretário, no entanto, garante que 300 novos abrigos começam a ser instalados entre 60 e 90 dias. “Foi feito um processo licitatório e vamos instalar. Vamos atender muitas das solicitações”, afirmou.

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