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Sobrevivente volta ao local do desabamento: “O recomeço vai ser lento”

Única sobrevivente do desabamento que matou três pessoas, Larissa Morassuti, de 37 anos, voltou ao local da tragédia

Kananda Natielly, do jornal A Tribuna | 13/05/2022 16:13 h

Larissa Morassuti esteve no local do desabamento e se emocionou com as lembranças: “Ficar de olho aberto naquela situação era aterrorizante”
Larissa Morassuti esteve no local do desabamento e se emocionou com as lembranças: “Ficar de olho aberto naquela situação era aterrorizante” |  Foto: Kadidja Fernandes / AT
 

Ainda buscando entender o que aconteceu, a única sobrevivente do desabamento de um  prédio que matou avô, filha e neta, no bairro Cristóvão Colombo, em Vila Velha, Larissa Morassuti, de 37 anos, decidiu voltar ao local da tragédia na tarde de quinta-feira (12).

Visivelmente abalada e com uma  força inexplicável, a doceira recebeu a equipe de A Tribuna dentro do que restou do prédio  onde moravam seu pai, Eduardo Cardoso, 68; sua irmã, Camila Morassuti Cardoso, e sua sobrinha Sabrina Morassuti, de 15 anos, que morreram no desabamento.  Ela, que  contou detalhes sobre o momento da explosão e de seu resgate, disse que está preparada para o recomeço,  mas sabe que ele “será lento”.

A Tribuna O que você lembra sobre a explosão?

Larissa Morassuti - Eu morava no andar de cima e estava deitada no sofá, já tinha acordado, quando senti  a explosão. Parecia que um míssil estava passando debaixo de mim, de tão forte que foi.  

Você ficou consciente no momento da sua queda?

Eu  fiquei completamente consciente. Fui lançada para o alto e depois  eu caí de olho aberto. Logo em seguida, a laje caiu em cima de mim, os escombros caíram... Tudo ficou escuro, muito escuro!  Eu abria o olho e não via nem um feixe de luz.

Tentou fazer algo?

A minha primeira reação foi tentar levantar, mas como tinha algo pressionando minha cabeça, eu fiz os procedimentos de verificar minhas articulações, pés, mãos.

Como descreve esse momento?

Ficar de olho aberto naquela situação era aterrorizante, porque quando eu abria os olhos   não enxergava nada além de pedra, areia. Não tem como explicar. É como se você estivesse no  fundo de um  poço.

Você chegou a ouvir sua irmã e sobrinha pedindo socorro?

Minha sobrinha só gritava e minha irmã só gritava: “ Meu Deus, o que é isso?”.

Quando você olha para o que ficou, o que mais te dói?

A forma  que eles morreram. Se eles tivessem morrido na hora do desabamento, eu teria um conforto maior. Minha sobrinha gritava muito de dor.

Como será seu recomeço?

O recomeço vai ser lento. Já se passaram 20 dias do ocorrido e pequenas coisas eu nem consegui resolver ainda. Está sendo um dia de cada vez. 

Eu já consegui alugar uma casa e esse final de semana devo receber minha filha, que não morava comigo. Ela sempre vinha para cá aos finais de semana e como eu estava na casa de parentes, ela não estava vindo. Agora, com a minha casa, vai ser a primeira vez que passamos um final de semana juntas depois de tudo que aconteceu. O recomeço será nesse dia.

ENTENDA O CASO

A explosão 

No dia 21 de abril deste ano, um prédio de três andares  desabou após uma explosão, em Vila Velha.

Imagens 

A explosão  foi registrada  por meio de imagens de videomonitoramento.

Vítimas

Estavam no local Larissa Morassuti,  37 anos, que escapou com vida; a irmã dela,  Camila Morassuti, de 34 anos, que não resistiu aos ferimentos e morreu no local do desabamento; a filha de Camila, Sabrina Morassuti, de 15 anos, que ficou 13 horas embaixo dos escombros  e também morreu.

O pai de Camila e   Larissa, Eduardo Cardoso,  de  68 anos, que morava no primeiro andar do prédio, também não resistiu aos ferimentos e morreu.

Moradores  

Ao todo, 29 moradores tiveram que deixar  suas casas por precaução, mas foram liberados a retornar  após uma vistoria da prefeitura.

Resgate 

O trabalho do Corpo de Bombeiros para o resgate das vítimas  durou cerca de 20 horas.

Hipóteses 

Inicialmente, as investigações apontaram três hipóteses para o desabamento, mas duas delas já foram descartadas.

Gás   

Ela seriam o vazamento de Gás Veicular Natural (GNV) de um carro que estava na  garagem do local.

Materiais de solda

A outra a estaria relacionada a materiais de soldagem, usados por Eduardo.

Prazo 

O período solicitado para apuração do desabamento foi de 20 dias.

O prazo venceu ontem e teve de ser estendido por mais 20 dias, devido à complexidade do caso.

Força-tarefa

Para isso, foi criada uma força-tarefa com sete oficiais peritos e mais dois auxiliares.

Sobrevivente 

A única sobrevivente do desabamento, Larissa Morassuti, de 37 anos, esteve no local do desabamento na tarde de ontem.  Emocionada, ela chorou ao relembrar dos familiares que morreram.

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