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Pistoleiros e mortes em disputa entre irmãos por gado e terras

Discussão entre irmãos por partilha de bens como sítios e gado termina com dois mortos e três pessoas na cadeia

Eliane Proscholdt, Francine Spinassé e Júlia Afonso, do jornal A Tribuna | 11/02/2022 16:33 h

Um dos terrenos que era disputado, em Governador Nunes Freire, Maranhão
Um dos terrenos que era disputado, em Governador Nunes Freire, Maranhão |  Foto: Divulgação
 

Uma mulher acusada de mandar matar o próprio irmão por causa de herança da família foi parar atrás das grades. O marido dela, que teria ajudado a planejar o crime, também foi preso. 

A auxiliar de serviços gerais Leilza Lopes de Moraes, de 40 anos, e o dentista aposentado Flávio Amado de Moraes, 61, são acusados de pagar R$ 8 mil para uma dupla de pistoleiros executar o açougueiro Cleuton Lopes da Silva, 32, no bairro Nossa Senhora da Conceição, na Serra, em 25 de outubro de 2020.

Mas por que a disputa por herança terminou em mortes – de Cleuton e, depois, do atirador, como queima de arquivo? 

Buscando respostas, o delegado Ramiro Diniz, adjunto da Divisão de Homicídio e Proteção à Pessoa da Serra, junto com a sua equipe, saiu atrás de provas de um caso classificado como complexo, já que as pessoas tinham medo de denunciar e, também, pela dificuldade de lidar com a forte suspeita que recaía sobre alguém da família. 

Somente na última segunda-feira (7), o casal foi preso. “Os mandantes foram a irmã da vítima e o cunhado, motivados por desavenças que ela teve com a vítima, relativas à partilha da herança do pai dos dois: cabeças de gado e terras em sítios no Maranhão e no Pará”, revelou o delegado em entrevista na quinta-feira (10).

Leilza Lopes e Flávio Amado, irmã e cunhado da vítima, são acusados de contratar pistoleiros, como Breno Azevedo
Leilza Lopes e Flávio Amado, irmã e cunhado da vítima, são acusados de contratar pistoleiros, como Breno Azevedo |  Foto: Divulgação
 

A briga começou antes da morte do pai. “Cleuton e outra irmã foram até o Maranhão e venderam 20 cabeças de gado, avaliadas em cerca de R$ 50 mil, para custear o tratamento do pai e para a estadia deles. Leilza começou a criar problemas, querendo parte da herança”.

A discussão acabou em morte. Para matar Cleuton, o casal teria contratado Breno Azevedo Chaves, 33,  que contou com a ajuda de José Carlos Rodrigues Soares, 43. 

Usando um revólver calibre 38, José Carlos atirou em Cleuton na porta de casa e fugiu com Breno, que dirigia um Honda Civic.

Em julho de 2021, José Carlos foi morto, queimado em uma pilha de pneus, em Putiri, na Serra. “Já conseguimos identificar que o crime foi efetuado como forma de queima de arquivo, relacionado ao homicídio de Cleuton”, contou o delegado, que ainda apura quem teria ordenado a execução.


“A irmã demonstrou frieza o tempo todo”, diz delegado


A Tribuna – Desde o início das investigações, a polícia apurava briga por herança?

Delegado Ramiro Diniz – Desde o começo, era ventilado que a motivação seria por briga, inclusive a vítima (Cleuton Lopes da Silva) e o casal mandante do crime (Leilza Lopes de Moraes e Flávio Amado de Moraes) registraram boletins de ocorrência. Um acusava o outro de ameaça de morte. A vítima chegou a mudar de endereço por medo de morrer.  

A situação se agravou quando a vítima viajou com uma irmã para o Maranhão?

Sim. Os dois irmãos viajaram para Governador Nunes Freire, no Maranhão, e venderam cerca de 20 cabeças de gado para custear o tratamento do pai, que foi internado para tratar de um problema cardíaco. Ele morreu no dia 10 de julho de 2020, cerca de três meses antes do assassinato do filho. 

Em seu atestado de óbito, consta como causa da morte doença respiratória aguda, covid-19, hipertensão arterial sistemática e diabetes. 

Leilza ficou aqui, não se prontificou a ajudar em nada. Pelo contrário, ela só queria a sua parte da herança. Ela dizia, segundo testemunhas, que não iria sair sem nada. 

Ela queria sua parte da herança antes do pai morrer?

Sim, ainda quando o pai estava vivo. Eles eram em sete irmãos. Leilza não era registrada em cartório, assim como outros três irmãos. Cleuton era registrado. Mas todos viviam em harmonia, com exceção de Leilza.

Ela queria dividir com os irmãos a venda das cabeças de gado, avaliada em R$ 50 mil, e as terras do Maranhão e Pará, cujo valor não tenho, pois foquei nas investigações para elucidar o crime. Ela dizia que  não iria abrir mão de nenhum centavo. 

Após ser presa, ela demonstrou arrependimento?

Em momento algum. A irmã demonstrou frieza o tempo todo, o que chamou a atenção. Também não demonstrou tristeza. Ela se reservou no direito de permanecer calada. O marido também era frio e também ficou calado. 

Brigas por herança são comuns, com contratação de pistoleiros e mortes? 

As brigas por herança são muito comuns, mas chegar ao extremo como esse fratricídio, que é o  homicídio cometido contra o próprio irmão ou irmã, é mais raro. 

As investigações não trazem dúvidas sobre os responsáveis por esse crime? 

Não temos dúvida. O inquérito foi concluído e foi feito cumprimento de prisão preventiva contra eles. Todos vão responder pelo homicídio.


ENTENDA O CASO


Prisão do casal

  • A auxiliar de serviços gerais Leilza Lopes de Moraes e o dentista aposentado Flávio Amado de Moraes  foram presos na última segunda-feira (7). Ela estava no trabalho, na Enseada do Suá, em Vitória. O marido foi capturado em casa, em Jacaraípe, na Serra.

Pistoleiros contratados

  • O casal, segundo a polícia, contratou os pistoleiros Breno Azevedo Chaves e José Carlos Rodrigues Soares. Pelo serviço, teriam pago R$ 8 mil, quantia que teria sido dividida.
  • Dias antes do crime, Breno pegou José Carlos e o levou até o supermercado onde a vítima trabalhava para mostrar quem era o seu alvo. 
  • Na noite do crime, José Carlos atirou com um revólver calibre 38 (em uma foto, ele aparece segurando uma pistola .380, que foi apreendida com Breno). Após a execução, eles fugiram. 

Queima de arquivo

  • Em julho de 2021, José Carlos foi morto como queima de arquivo. Em 4 de janeiro deste ano, Breno foi preso.
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