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Novos cardápios viram opção para driblar a inflação

O atual cenário de guerra vivido entre Ucrânia e Rússia tem provocado inúmeros problemas econômicos em todo mundo, inclusive no Brasil

Kananda Natielly, do jornal A Tribuna | 13/05/2022 17:32 h

O atual cenário de guerra vivido entre Ucrânia e Rússia tem provocado inúmeros problemas econômicos em  todo mundo, inclusive no Brasil. 

Com a  alta no petróleo e, consequentemente, da inflação, o  preço dos alimentos e do gás de cozinha tem aumentado de forma considerável, forçando muitos setores a aumentar os preços dos produtos  em seus estabelecimentos.

Nos restaurantes, esse aumento no preço das matérias primas tem obrigado os proprietários a criar estratégias  para não perder clientes. Uma delas é a mudança de cardápios e também de preço.

Produtos alimentícios essenciais para a cozinha, como tomate, óleo de soja e carnes, estão com valores inflacionados entre 30% e 40%, como contam os proprietários.

 Além de se adequarem ao valor do quilo, agora bem mais caro, a busca por novas receitas que tenham um melhor custo benefício chegou para atender aqueles clientes que não têm condições de manter o mesmo padrão de consumo de antes da alta nos preços.

Essa é uma realidade no restaurante Casa da Ilha, onde a sócia Amanda Pimentel atua. Ela conta que tem oferecido novas receitas, com opções de frango e porco  no lugar da carne vermelha. Ela explica que o preço do quilo subiu R$ 5,00 no seu restaurante.

Ronne do Carmo Raimundo, dono do restaurante Exporão, no centro de Vitória, conta que o preço do prato saltou de R$ 48,80 no final do ano passado para R$ 54,80 atualmente. Para conseguir acompanhar a inflação, além de sempre buscar fornecedores que tenham um bom preço, ele também investiu em produtos mais baratos.

Ronne do Carmo Raimundo, dono do restaurante Exporão: alternativas
Ronne do Carmo Raimundo, dono do restaurante Exporão: alternativas |  Foto: Douglas Schneider/AT
  

“No caso das carnes, eu ainda continuo servindo carne de boi, mas ela tem um preço diferenciado no quilo. Mas passamos a usar mais carne de frango e de porco nos cardápios. Não sabemos o que fazer para acompanhar a inflação”, disse.

No Rancho Beliscão, que fica em Vitória, para conseguir atender clientes com um preço que não fugisse do perfil econômico deles, a proprietária Raissa Trindade conta que abdicou da margem de lucro.

“A gente vem de uma alta de preços dos produtos muito expressiva. Tivemos, inclusive, de fugir da margem de lucro, abrindo mão para atender nossos clientes da melhor forma”, disse.

“Estratégia de segurar os preços é uma tendência”

O aumento no custo dos produtos alimentícios tem feito com que muitos empreendedores, donos de restaurantes, adotassem medidas para segurar os preços de seus pratos a fim de não perder clientes.

“No Estado, a estratégia de segurar os preços é uma tendência natural do setor. Sempre buscamos absorver o aumento de custo para não onerar o consumidor”, destaca Rodrigo Vervloet, presidente do SindBares e da seccional capixaba da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Diante dos números do setor, o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, destaca que a  contenção dos preços põe pressão sobre os empresários do segmento. 

“É um desafio adicional e mostra que o setor precisa de uma política pública específica de ajuda, pois não vem de hoje essa diferença. Nos últimos 12 meses, enquanto a inflação chegou a 12,03%, no nosso setor o índice foi de 6,51%, quase a metade”, aponta. 

Dado do   IPCA-15, divulgado no último dia 27, mostrou um descolamento do preço praticado em bares e restaurantes em relação ao aumento da inflação. O item alimentação fora do domicílio teve aumento de 0,28%, índice muito abaixo da inflação geral, de 1,78% (maior índice para um mês de abril desde 1995).

Pratos veganos entre as opções

Para não perder clientes e conseguir driblar a inflação, donos de restaurantes resolveram criar  pratos, entre eles os veganos. O objetivo é oferecer um cardápio de qualidade e com preço interessante a fim de atender aqueles clientes que não têm condições de manter o mesmo padrão de consumo de antes da alta nos preços.

Além de um cardápio diversificado com opções veganas, uma outra sugestão  foi desenvolver pratos feitos à base de frango, carne de porco e até mesmo linguiças.

Essa foi uma das estratégias adotadas pelo Casa da Ilha, onde a sócia Amanda Pimentel atua. “Hoje temos uma infinidade de opções vegetarianas. Para isso, contratei uma equipe especializada, criativa, com foco específico nesse tipo de comida. Optei também por criar outros pratos como frango, carne de porco e linguiça”. 

Da mesma forma que  Amanda, o empresário Ronne do Carmo Raimundo, dono do restaurante Exporão, no centro de Vitória, conta que, por lá, pratos com carne branca estão em destaque no cardápio. 

“Uma das estratégias foi usar as carnes de frango e porco com mais frequência em nossos cardápios. Não paramos de oferecer a de boi, mas passamos a oferecer mais pratos com as carnes brancas”, disse.

Análise

“É preciso fazer uma reestruturação econômica”, Fabrício Azevedo, especialista em finanças

“A inflação é um problema global. O mundo inteiro vive esse cenário que pode ser explicado pela alta no preço do petróleo e a atual crise financeira que o mundo vive, principalmente com a situação da guerra entre Ucrânia e Rússia. 

Além de influenciar no valor do gás de cozinha (GNV), ela também  influencia no valor final do frete dos produtos que são importados para o Brasil, fazendo com que esses mesmos produtos cheguem às prateleiras dos supermercados com um  valor bem maior.

As medidas que poderiam ser tomadas pelo governo para tentar embarreirar esse aumento contínuo dos preços, é produzir  gasolina e diesel aqui no Brasil. Hoje, exportamos petróleo, outros países fazem o refino, e nós compramos de volta com um preço lá em cima. Vendemos  o petróleo mais barato e compramos a  gasolina mais cara. 

É necessário que seja feita uma reestruturação econômica no governo que pudesse reduzir os impostos, principalmente nos produtos industrializados”.

Saiba Mais

Alta do petróleo impactou nos preços

Petróleo 

Com a  alta no petróleo e  da inflação, o preço dos alimentos e do gás de cozinha tem aumentando de forma considerável, forçando muitos setores a aumentar os preços dos produtos  em seus estabelecimentos.

Restaurantes 

Nos restaurantes, esse aumento no preço das matérias primas tem obrigado os proprietários a criarem  estratégias para não perder clientes. Uma delas é a mudança de cardápios e também de preço.

Mudanças nos cardápios 

Os produtos alimentícios essenciais para a cozinha, como tomate, óleo de soja e carnes, estão com valores inflacionados entre 30% e 40%, como contam os proprietários. 

Além de se adequarem ao valor do quilo, agora bem mais caro, a busca por novas receitas que tenha um melhor custo benefício chegou para atender aqueles clientes que não têm condições de manter o mesmo padrão de consumo de antes da alta nos preços.

Menus

Além dos pratos veganos, muitos têm optado pelas carnes de frango, porco e peixe.

Fonte: Proprietários  de restaurantes.

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