Novas cirurgias e tratamentos dão mais esperanças a pacientes
Técnicas inovadoras, como transplante duplo de rim e fígado, são utilizadas no Estado e ajudam na qualidade de vida e cura de pacientes
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Dia 24 de novembro deste ano, por volta das 20 horas, o telefone toca. Do outro lado da linha, a dona de casa Maria Luzia Lauer Pessin, de 55 anos, ouve a notícia que aguardava há cerca de dois anos.
Havia chegado a hora de ela receber o transplante duplo, de fígado e rim. Maria Luzia pegou a malinha, que já estava pronta há muito tempo, e viajou de Vila Valério até o Hospital Meridional de Cariacica, onde fez a cirurgia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), há um mês.
Assim como aconteceu com Maria Luzia, cirurgias e tratamentos inovadores mostram como a medicina avança, dando esperança e contribuindo para a cura e a qualidade de vida dos pacientes.
No caso dela, o cirurgião do aparelho digestivo da Rede Meridional, Alberto Büge Stein, comemora o resultado do transplante duplo, que, segundo ele, foi inédito no Estado.
“A cirurgia durou cerca de oito horas, mas todo o processo para um transplante dura, às vezes, mais de 24 horas, desde o início da ligação para o paciente até o final do procedimento cirúrgico”.
Após a cirurgia, os pacientes precisam tomar remédios para evitar a rejeição do órgão transplantado. “A paciente evoluiu satisfatoriamente e conseguiu ter alta sem precisar fazer hemodiálise com a função do rim e do fígado perfeita”.
Uma outra técnica nova foi usada pela equipe de cirurgiões do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí, no Sul do Estado. Com a ajuda de um equipamento, eles realizaram uma cirurgia complexa de histerectomia (remoção do útero) de uma paciente de 33 anos sem que ela precisasse de uma transfusão de sangue de outras pessoas.
Especialista em cirurgia geral, laparoscopia avançada e endometriose, Jehovah Guimarães contou que a paciente era da religião testemunha de Jeová e, por isso, contrária à transfusão de sangue.
“Nenhum médico se propunha a fazer a cirurgia pelo risco de sangramento. O útero estava 15 vezes o tamanho de um órgão normal. Com o equipamento, o sangue eliminado na própria cirurgia é aspirado e levado para a máquina, que filtra, processa, e disponibiliza para voltar à paciente.”
“Presente antecipado”
Na última segunda-feira (20), dia em que teve alta após receber o transplante duplo, de fígado e rim, a dona de casa Maria Luzia Lauer Pessin, de 55 anos, conversou com a reportagem e não escondeu a alegria de ter conseguido o tão sonhado transplante. “Recebi o meu presente de Natal antecipado”.
A Tribuna – A senhora estava na fila do transplante há quantos anos?
Maria Luzia Lauer Pessin – Estava na fila há aproximadamente dois anos, mas o meu problema de saúde começou há 15 anos. Descobri uma doença policística no rim e no fígado. Era cisto, aí o fígado foi aumentando.
Há três anos eu fiz uma cirurgia, mas o cisto voltou e voltou dando água na barriga (ascite). Tive que fazer paracentese (inserção de uma agulha dentro da cavidade abdominal para a remoção de líquido). Eu fiz 41 vezes de paracentese. Também fazia hemodiálise.
Sofria muito?
Sentia muita falta de ar porque a minha barriga era muito grande, dava desconforto (o fígado era três a quatro vezes maior e comprimia o diafragma), mas agora eu estou bem, graças a Deus, me recuperando.
Foram quantos dias internada?
Foram 21 dias no CTI (Centro de Tratamento Intensivo) e seis dias no quarto.
Como descreve o momento em que ligaram para dar a notícia do transplante?
Há cinco meses me ligaram, mas só o fígado era compatível. O rim, não. Daí não deu certo. No dia 24 de novembro, às 20 horas, já estava deitada e o médico ligou falando que tinha saído o meu transplante perguntando se eu podia ir para o hospital. Imediatamente viajamos de ambulância.
Correu para arrumar a mala?
Já estava arrumada há muito tempo. Sabia que poderia ser internada há qualquer momento.
Teve medo?
Fiquei muito feliz na hora que ligaram, mas deu um medo, nada demais, só que a fé era maior. Meu aniversário foi comemorado no hospital, mas só tenho que agradecer por ter conseguido. Recebi o meu presente de Natal antecipado e queria muito poder agradecer a família que fez a doação. O médico só falou que era de uma mulher nova.
Se tivesse a oportunidade, o que diria a essa família?
Só tenho que agradecer por esse gesto lindo. Tenho certeza que ela (doadora) está em um bom lugar, com Deus.
Também queria agradecer as equipes médicas que fizeram a minha cirurgia. Foram oito horas de cirurgia, mas sobrevivi. Agora é só felicidade.
ALGUMAS NOVIDADES
Transplante duplo
- Em uma cirurgia inédita no Estado, uma paciente de 55 anos foi submetida a um transplante duplo, de fígado e rim, no dia 24 de novembro deste ano. Depois de 27 dias internada, ela recebeu alta hospitalar. O procedimento foi realizado no Hospital Meridional de Cariacica.
- Elogiando o trabalho das equipes, o cirurgião do aparelho digestivo da Rede Meridional, Alberto Büge Stein, explicou que, na primeira cirurgia, tiraram o fígado da paciente e foi implantado o novo órgão. Depois, a equipe da urologia entrou em ação para implantar o rim.
- Saindo em defesa da doação de órgãos para salvar vidas, ele disse que atualmente há mais de mil pessoas esperando um rim e cerca de 80 esperando um fígado, no Estado.
Sem transfusão de sangue
- Sem a necessidade de transfusão de sangue de outras pessoas, cirurgiões do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí fizeram no último dia 11 a primeira cirurgia da região com o auxílio de um novo equipamento. Ele aspira o sangue do próprio paciente, que seria “perdido” no procedimento. Depois disso, filtra e processa, para então poder ser reintroduzido no paciente.
Scanner para veias
- O Hospital Evangélico de Vila Velha agora conta com scanner vascular. Equipamento portátil utiliza uma luz infravermelha que detecta veias subcutâneas e projeta-as com máxima definição na superfície da pele. Assim, o procedimento da punção venosa recebe uma espécie de guia, evitando possíveis traumas na região.
Exames precisos
- Com tecnologia de última geração, o Hospital Unimed conta com novo aparelho de hemodinâmica para exames na área da cardiologia, neurologia e vascular.
- O cardiologista e coordenador da hemodinâmica do hospital, Denis Moulin, explicou que o Azuriom 7 usa imagens de alta resolução, com baixa dose de radiação. “Além de agilidade, ele proporciona diagnósticos mais precisos e tratamentos de doenças complexas.”
Técnica para cálculo renal
- A Santa Casa de Misericórdia de Vitória passou a oferecer esta semana, pelo SUS, a Ureterorrenolitotripsia Flexível a laser.
- O procedimento urológico é minimamente invasivo e mais eficaz para tratar o cálculo renal. Além de pouco invasivo, permite rápida recuperação do paciente, com alta médica em, aproximadamente, 24 horas após a internação.
Nova cirurgia de próstata
- Com o mais avançado padrão de tratamento cirúrgico para o crescimento benigno da próstata, a equipe de urologia do Hospital Santa Rita começou em outubro a realizar o procedimento chamado de Enucleação Endoscópica da Próstata com Laser Holmium (HoLEP). A cirurgia a laser é minimamente invasiva e o paciente tem alta hospitalar em 24h.
Técnica inédita para doença do coração
- Chamado de Embolização Septal com Ônix, o procedimento foi usado no Hospital Santa Rita para tratar hipertrofia do coração (espessamento do músculo do coração). A técnica pode ser adotada quando o paciente não responde a outros tratamentos.
- Consiste em provocar o entupimento dos vasos de uma área do coração, de forma guiada, para “afinar” a área de músculo que foi hipertrofiada. Dessa forma, a técnica pode provocar uma melhora significativa dos sintomas do paciente, como cansaço e falta de ar.
Laser israelense
- Raro no Estado, um laser israelense chega a Vitória. A tecnologia fornece diretamente a energia ao tecido alvo do tratamento, maximizando suas capacidades de corte.
- O cirurgião dentista e mestre em prótese dentária Victor Padilha explicou que é possível fazer uma lista de procedimentos sem dor e sem necessidade de anestesia, como remoção de facetas ou lentes de contato dental, remoção de restaurações antigas sem desgastes, recontorno gengival, corte ósseo minimamente invasivo, preparação para implante, microcirurgia e descontaminação de implante, remoção de cárie, entre outros.
Cirurgia robótica
- A equipe de urologistas da Clínica Urovitória realiza cirurgia robótica para tratar cânceres urológicos. A cirurgia robótica é um refinamento da cirurgia videolaparoscópica, em que um robô auxilia no procedimento. A máquina é comandada totalmente pelo médico, ou seja, reproduz os movimentos do cirurgião, que comanda todo o procedimento em um console próximo à mesa cirúrgica onde está o paciente.
- Ao lado do paciente fica o cirurgião auxiliar que introduz e troca as pinças através dos trocartes. Além das mesmas vantagens presentes no procedimento, a cirurgia robótica apresenta menor risco de sangramento.
Pulseiras eletrônicas
- Um projeto em andamento é o voltado para o uso de pulseiras eletrônicas por parte dos pacientes internados no Hospital MedSênior.
- Com ela, será possível monitorar o paciente em tempo real, identificando onde ele está, se está se movimentando no leito ou até mesmo se está prestes a cair da cama. Isso será possível com uma pulseira que possui dispositivo bluetooth.
Sistema beira-leito
- Por meio do uso de uma pulseira de identificação com código de barras ou QR code, o paciente do Hospital MedSênior será identificado e acompanhado durante toda a sua permanência no hospital.
- Assim, médicos e demais profissionais de saúde acompanham o dia todo do paciente, envolvendo aspectos como medicamentos administrados, procedimentos realizados e exames de avaliação, entre outros.
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