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Nova moda no Instagram facilita a ação de criminosos na internet

Nova mania na rede social consiste em expor informações pessoais, e esses dados podem ser usados por criminosos

Lydia Lourenço, do jornal A Tribuna | 04/02/2022 15:22 h

A nova moda do Instagram de responder questionários tem causado preocupações nos especialistas. Isso porque a pessoa acaba publicando uma maior quantidade de informações pessoais na rede social, como postar fotos atuais do perfil do WhatsApp ou até mesmo falar curiosidades sobre gostos individuais. 

Esses dados podem ser usados por criminosos, segundo especialistas em segurança digital. 

Para o especialista em Segurança da Informação João Paulo Chamon a exibição de dados facilita o trabalho de criminosos virtuais. “Quando você publica uma foto de casa ou de algum endereço, você fornece informações para quem está mal-intencionado. É possível aplicar diversos golpes ou até mesmo realizar inscrições em diversos serviços”, esclareceu.

Chamon explica que o fornecimento de dados pessoais jamais deve ser público e que é necessário filtrar para quem se passa essas informações. “As redes sociais devem ser compartimentadas entre família, trabalho e amigos, para se classificar quem são as pessoas que recebem as informações postadas. É preciso também ter cuidado com quem se adiciona nas redes”. 

O especialista em Segurança Digital Eduardo Pinheiro diz que, além da divulgação de endereços, dados relacionados à família ou informações bancárias devem ser evitados nas redes sociais. 

“Publicar esses dados é tornar-se alvo dos bandidos e facilitar o sucesso dos seus golpes. Os criminosos pesquisam online para traçar um perfil das vítimas. É necessário também sempre estar atento aos golpes do momento para evitá-los”, alertou. 

A influenciadora digital Bruna Scalzer, 24 anos, por sua vez, trabalha com as mídias e tenta ter todos os cuidados com a superexposição.

Bruna Scalzer trabalha com mídias sociais, mas evita a superexposição
Bruna Scalzer trabalha com mídias sociais, mas evita a superexposição |  Foto: Lucas Sandonato/AT
 

“Eu nunca posto onde eu moro e, quando eu faço publicidade em alguns lugares, eu posto só quando eu chego em casa. É tanta gente que segue a gente que é difícil saber quem está atrás das telas. Raramente posto coisas dos meus familiares, porque acho que a exposição é minha e não deles”, relata. 

Apesar da cautela no seu dia a dia no ambiente virtual, ela já foi vítima de uso indevido de sua imagem. “É muito frequente publicarem as minhas fotos sem minha autorização em outras contas no Instagram. Já tive acesso a perfis fakes com minhas fotografias também. Por ser mulher, a gente acaba sendo mais vulnerável, ainda mais nessa área”, comenta.


SAIBA MAIS


O risco da nova moda

  • A moda do momento tem sido as correntes do tipo “5 curiosidades sobre mim” ou “Poste sua foto do perfil do WhatsApp”, situações que parecem inocentes, mas que revelam informações importantes que podem ser usadas por criminosos em golpes virtuais para obter dinheiro e outras vantagens.
  • Golpes mais comuns são relacionados com o uso de engenharia social, como o do WhatsApp, em que o indivíduo se passa por outra pessoa.
  • Crimes mais comuns são de estelionato, em que se passando por outra pessoa, ocorre um crime sem coação, de baixo risco. Os criminosos utilizam a arte de enganar para obter vantagens financeiras indevidas. 
  • Existem várias plataformas como aplicativos bancários, sites de comércio eletrônicos, redes sociais e aplicativos de mensagens em que dados fornecidos publicamente podem ser usados. 

Dicas de segurança 

  • Não publique fotos que possam identificar o local onde mora ou de viagens em tempo real. Em caso de viagens, postar os registros após o retorno.
  • Não compartilhe informações como estado civil.
  • Não compartilhe “foto de agora”. Essas fotos podem ser utilizadas para aplicações bancárias. 
  • Não compartilhe o CPF como chave Pix. Só com o CPF já é possível aplicar vários golpes, inclusive inscrever a pessoa em trabalhos voluntários do governo, por exemplo.
  • Não compartilhe exames médicos e comprovantes de vacinação. Esses documentos incluem informações sensíveis e podem ser utilizadas em golpes.
  • Filtre amigos nas redes sociais: ter um filtro de compartilhamento, como os “melhores amigos”. É importante ter cuidado com quem se aceita nas redes e separar as informações públicas e privadas (para amigos íntimos e familiares). 

Como as vítimas podem agir

  • Quem for vítima de um crime digital deve buscar registrar tudo para produzir provas e viabilizar o rastreamento dos criminosos pela Polícia Civil. Em Vitória, existe a Delegacia de Repressão de Crimes Cibernéticos, na Avenida Marechal Campos, 1246, no bairro Bonfim. É possível fazer também o boletim de ocorrência no site: pc.es.gov.br
  • Porém, de acordo com os especialistas, a falta de provas materiais dificultam o processo de resolução do crime, devido as informações terem sido fornecidas de modo sem coação ou invasão da rede ou aparelho para obtê-la. A Lei Geral de Proteção de dados, por exemplo, não trabalha com este tipo de crime.

Fonte: Especialistas entrevistados.

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