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Mulheres denunciam assédio em estúdio de tatuagem e buscam ajuda psicológica

Jovem de 20 anos foi a primeira a denunciar profissional, que atua em Vitória

Jaciele Simoura, do jornal A Tribuna | 17/02/2022 16:54 h | Atualizado em 17/02/2022, 16:58

Auxiliar de escritório, de 27 anos, denunciou que foi assediada pelo tatuador em março do ano passado
Auxiliar de escritório, de 27 anos, denunciou que foi assediada pelo tatuador em março do ano passado |  Foto: Douglas Schneider/AT
 

A tatuagem, para muitos, é para se marcar na pele uma lembrança, um desenho agradável, uma declaração. Mas, para algumas mulheres, esse simples procedimento se tornou angústia, terror e repulsa. 

Após serem vítimas de abuso cometidos por um tatuador, em Vitória, elas agora precisam recorrer à ajuda psicológica para lidar com os traumas vividos.

As denúncias contra o profissional surgiram em janeiro, após uma jovem de 20 anos relatar em suas redes o abuso. A partir disso, novas mulheres se encorajaram e denunciaram o homem.  

Uma delas foi uma auxiliar de escritório, de 27 anos, que preferiu não se identificar. O caso dela aconteceu em março de 2021.

“O que me fez denunciar agora foram alguns comentários maldosos, acusando a vítima. Isso me deixou com raiva, porque sei que ela não estava mentindo”, disse a mulher.

Ela relata que, no dia em que foi assediada, o acusado pediu que deitasse para fazer a tatuagem. Inicialmente, ela estranhou, pois o desenho seria feito no braço, mas o homem argumentou que iria demorar e poderia cansar a coluna.

“Não levei na maldade. Ele aproveitou que eu estava com meu braço imóvel e passava minha mão nas partes íntimas dele. Achei que a culpa era minha e pedi desculpas. Mas vi que não era eu quando ele travou a minha mão nas partes íntimas dele”, contou. 

A vítima disse que sentiu medo de puxar o braço com força e machucar, já que o homem estava  com a agulha no momento.  

Ela disse que ficou traumatizada. “Eu não gosto quando elogiam a tatuagem no meu braço e também não gosto de ficar sozinha com homem. Não fiz outra tatuagem desde então, apesar de amar e querer”, disse a mulher.

O advogado Filipe Carlos Maciel está acompanhando três mulheres que acusaram o tatuador e faz contato com outras duas vítimas, que ainda estão avaliando se vão denunciar. 

“Quem sofre com isso acaba se sentindo muito insegura. Elas falam que esse caso pesa porque fica a tatuagem no corpo. Cada vez que vê, passa tudo de novo pela cabeça”, contou.


Depoimentos


“Angústia enorme”

“Durante a primeira sessão, ele ficou ao meu lado, sentado, e eu deitada na maca com o braço esticado ao longo do corpo. Ele colocava a mão livre em minha virilha, para 'apoiar'. Cerca de uma semana depois, voltei pra finalizar a tatuagem e, novamente, na mesma posição, aconteceu novamente. 

Eu justificava silenciosamente que ele era bom profissional e não faria isso. Em alguns dias, retornei para fazer a tatuagem que deixei paga. Era algo pequeno, próximo à clavícula. Novamente, o ponto de apoio foram minhas partes íntimas. Em meu íntimo,  já sabia que aquilo era um tipo de abuso. É uma angústia enorme, por não conseguir ao menos questionar”.  

Profissional da saúde de 43 anos

Mão dentro de calcinha

“No começo, não aconteceu nada demais, mas, com o passar do tempo, foi ficando desagradável. Ele pegava na barra do meu short com a desculpa de que estava apoiando a mão, e ficava movendo, até chegar à barra da minha calcinha.  

Cada vez, descia mais a mão, até que já estava com ela por dentro da minha calcinha. Eu fiquei paralisada. Ao chegar em casa, tomei banho, pois me sentia suja demais. À noite, fiz o boletim de ocorrência. 

Passei mal, de enxaqueca, de tanto nervosismo, tanto nojo. Contei o que aconteceu no meu Instagram e a notícia começou a circular. A partir daí, vi que não estava sozinha, que havia outras vítimas”.

Jovem de 20 anos


ENTENDA


Medo e revolta

  • No dia 24 de janeiro, uma jovem de 20 anos foi às redes sociais denunciar um tatuador de abuso. 
  • A partir do relato dela, outras mulheres também passaram a denunciar o homem.
  • O estúdio de tatuagem onde o acusado atua fica em Vitória.
  • A jovem de 20 anos contou que o tatuador se aproveitou do procedimento para passar a mão em suas partes íntimas. 
  • O episódio se tornou um momento de terror para ela. Como o acusado mora na mesma rua que a jovem, ela ainda pediu medida protetiva. No entanto, foi informada que não teria como, pois o caso é de assédio e não de violência doméstica.
  • Revoltada, ela publicou em seu Instagram privado o relato do abuso. Uma amiga compartilhou a publicação e outras mulheres se encorajaram e relataram também ser vítimas do mesmo homem.

Denúncias

  • A Polícia Civil informou que o caso está sob investigação da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Vitória e diligências estão sendo realizadas. Disse ainda que detalhes da investigação não serão divulgados, por enquanto.
  • Quem desejar denunciar, pode fazer em uma delegacia de atendimento à mulher, através do Disque-Denúncia 181, que também possui um site onde é possível anexar imagens e vídeos de ações criminosas, o disquedenuncia181.es.gov.br
  • O anonimato é garantido e todas as informações fornecidas são investigadas.

Fonte: Vítimas consultadas e Polícia Civil.

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