Morador de Cachoeiro celebra vida nova após viver três anos nas ruas
Matheus Guimarães Sartório, de 26 anos, venceu a dependência química e hoje usa o esporte para celebrar a superação do passado
Depois de viver três anos nas ruas de Cachoeiro de Itapemirim e enfrentar cerca de sete anos de dependência química, Matheus Guimarães Sartório, de 26 anos, encontrou forças para recomeçar.
Há quatro anos sem consumir drogas ou bebidas alcoólicas, ele trabalha, está cursando em Enfermagem e encontrou na corrida uma aliada para seguir em frente.
Morador do bairro São Luiz Gonzaga, onde vive com a mãe, Matheus conta que a dependência começou na adolescência. Aos 20 anos, passou a morar nas ruas. Nesse período, enfrentou a solidão e a incerteza sobre o futuro.
“O pior momento foi quando eu precisava de um abraço e não tinha ninguém para me abraçar naquele momento”, recorda. Apesar da distância, a mãe o procurava todos os dias e insistia para que voltasse para casa. O apoio familiar foi importante durante os momentos mais difíceis de sua trajetória, segundo ele.
Matheus passou por cinco internações para tratamento da dependência química. De acordo o universitário, a decisão de mudar a própria vida foi decisiva para a recuperação. “Eu sabia que não ia ser fácil e não foi fácil, mas eu venci”, afirma.
A fé também teve papel importante nessa transformação. Hoje, ele relata que comemora conquistas que antes pareciam distantes, como estudar, trabalhar e fazer planos.
O desejo de ser enfermeiro já existia, mas ganhou um novo significado depois das experiências que viveu. “Sempre quis ser enfermeiro, mas depois que passei por esse processo tive convicção”, conta.
Agora, no 4º período da graduação, pretende se especializar em saúde mental e trabalhar no atendimento a pessoas com dependência química. Quer usar a própria trajetória para acolher quem enfrenta dificuldades semelhantes e mostrar que é possível reconstruir a vida.
Há dois meses, Matheus também começou a correr. A atividade física passou a fazer parte da rotina e representa mais uma conquista dessa nova fase. Para ele, cada passo representa a vitória sobre o passado.
“Antes eu vivia sem perspectiva, sem saber o que seria do amanhã. Hoje eu tenho sonhos, propósito, estudo, trabalho, corro”, compara.
A quem enfrenta uma situação parecida, deixa um conselho: “Procure ajuda, aceite uma mão estendida”, finaliza.
“Eu sentia um vazio inexplicável”
A tribuna: Depois de três anos nas ruas e cinco internações, o que fez você decidir mudar de vida?
Matheus Guimarães Sartório: Foi quando prometi para mim mesmo que queria mudar. Eu sabia que não seria fácil, e não foi. Mas me desafiei, encontrei forças e consegui vencer.
Qual foi o momento mais difícil que viveu nas ruas e como sua mãe participou dessa história?
O pior momento foi quando precisei de um abraço e não tinha ninguém para me abraçar. Minha mãe ia todos os dias atrás de mim, pedindo para voltar para casa. Eu sentia um vazio inexplicável.
Hoje, aos 26 anos, você trabalha e cursa Enfermagem. O que mais mudou na sua vida?
Praticamente tudo. Antes, vivia sem perspectiva, sem saber o que seria do amanhã. Hoje tenho sonhos, propósito, estudo, trabalho, corro e encontrei em Deus uma direção.
Por que escolheu a Enfermagem e como pretende usar sua experiência para ajudar outras pessoas?
Eu sempre quis ser enfermeiro, mas, depois de tudo que passei, tive certeza de que era essa a minha área. Quero me especializar em saúde mental e trabalhar com dependentes químicos.
Que mensagem deixaria para quem enfrenta a dependência química e acredita que não existe saída?
Não desista de você. Sua história não precisa terminar onde você está. Procure ajuda, aceite uma mão estendida e dê um passo de cada vez. Eu também achei que não conseguiria mudar, mas consegui. Existe vida depois do fundo do poço.
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