Hospital na Serra cria jardim de gratidão para homenagear doadores de órgãos
Memorial inaugurado pelo Hospital Vitória Apart homenageia 21 famílias que disseram sim para a doação desde 2021
Um jardim para lembrar que algumas histórias continuam mesmo depois da despedida. Essa é a proposta do memorial inaugurado pelo Hospital Vitória Apart, na Serra, em homenagem às famílias que autorizaram a doação de órgãos e tecidos de seus entes queridos. Desde 2021, 21 famílias disseram sim para a doação.
O espaço nasceu de uma homenagem que, aos poucos, ganhou novos significados. Há alguns anos, a equipe do hospital plantou um ipê em memória a um paciente oncológico que permaneceu internado por um longo período.
A árvore foi o início de um projeto que se concretizou em 2026. Agora, ela divide espaço com um jardim dedicado à memória de outros doadores de órgãos do hospital.
“Esse memorial é uma forma de agradecer, na verdade, aos pacientes, e reconhecer a coragem da família de doar”, explica Andreia Pereira, presidente da Comissão de Doação de Órgãos do Hospital Vitória Apart.
A dona de casa Juliana Oliveira, de 39 anos, é filha de Adilson Trancoso Mendes, o paciente oncológico homenageado no início do projeto. Há cerca de cinco anos, ela teve que se despedir do pai por conta de um câncer de intestino. Ele faleceu com 55 anos.
A decisão de autorizar a doação veio acompanhada da certeza de que o gesto estaria de acordo com os valores que o pai havia transmitido em vida. Adilson foi doador de córneas.
“A gente decidiu doar porque tenho certeza que seria uma coisa que ele ia fazer, ele ia querer que a gente fizesse. Porque meu pai era uma pessoa muito bondosa, de coração muito grande. E a nossa criação foi essa: ajudar o próximo”, conta Juliana.
Autorização
Segundo Andreia, a identificação dos doadores também busca reconhecer as famílias que autorizaram a doação em um momento de luto.
No Brasil, a autorização familiar é necessária para a doação, mesmo nos casos em que a pessoa tenha manifestado em vida o desejo de ser doadora.
“Se você é doador, fale para sua família, porque quem vai decidir é a família. Mesmo que a pessoa já seja presumidamente doadora”, explica.
Saiba mais
Doação
O número de doadores de órgãos no Espírito Santo é de:
- 2024 - 89 doadores
- 2025 - 87 doadores
- 2026 (jan a ago) - 48 doadores
Recusa
Para que os órgãos de uma pessoa falecida possam ser doados, é necessária a autorização dos familiares.
No Espírito Santo, a taxa de recusa familiar vem apresentando aumento nos últimos anos:
- 2024 - 46,32%
- 2025 - 53,14%
- 2025 (janeiro a agosto) - 54%
- 2026 (janeiro a agosto) - 59%
Ou seja, entre janeiro e agosto de 2026, 59% das famílias abordadas recusaram a doação.
Mesmo que a pessoa manifeste o desejo de ser doadora, a família precisa autorizar a doação no momento do óbito.
Uma doação, muitas vidas
Uma única doação de múltiplos órgãos pode beneficiar até nove pacientes, dependendo dos órgãos e tecidos que possam ser aproveitados.
Motivos de recusa à doação
A maior motivação apontada pelas famílias para recusar a doação de órgãos foi ser contrária à doação, com 214 registros em 2025 e 136 em 2026, até o momento.
Na sequência, em 2025, aparece a motivação “familiares indecisos”, com 121. O dado em 2026 não foi divulgado.
Aparecem ainda o desejo de manter o corpo íntegro, com 41 em 2025 e 86 em 2026, o desconhecimento sobre a vontade do potencial doador, com 65 em 2025 e 31 em 2026 e o receio de demora na liberação do corpo, com 27 em 2025 e 35 em 2026, entre outras motivações.
Transplantes realizados no Estado
- Coração: foram dez transplantes em 2024 e 11 em 2025. Nos primeiros oito meses de 2026, foram realizados seis procedimentos, contra sete no mesmo período de 2025;
- Rim de doador falecido: o Estado registrou 82 transplantes em 2024 e 75 em 2025. De janeiro a agosto, foram 43 procedimentos em 2025 e 68 em 2026;
- Rim de doador vivo: foram 20 transplantes em 2024 e 27 em 2025. Nos oito primeiros meses, foram 19 em 2025 e 20 em 2026;
- Fígado: foram realizados 61 transplantes em 2024 e 63 em 2025. Entre janeiro e agosto, foram 40 procedimentos em 2025 e 39 em 2026;
- Duplo fígado/rim: não houve procedimento em 2024. No ano passado, foram realizados dois transplantes, sendo um entre janeiro e agosto. Em 2026, até agosto, não houve registro;
- Córnea: foi o tipo com maior número de procedimentos entre os dados apresentados, com 323 transplantes em 2024 e 462 em 2025. De janeiro a agosto, foram 310 em 2025 e 215 em 2026;
- Esclera (camada externa que reveste o globo ocular): foram 14 transplantes em 2024 e 22 em 2025. Nos primeiros oito meses, foram 12 em 2025 e 17 em 2026.
Fila por transplantes
No Espírito Santo, em 25 de setembro de 2026, 2.915 pessoas aguardavam por um transplante, sendo:
- Córnea - 1.753 pessoas
- Rim - 1.085 pessoas
- Fígado - 66 pessoas
- Coração - 11 pessoas
Ser doador
Diante da notícia do óbito, a equipe do hospital realiza a entrevista familiar para doação de órgãos e/ou tecidos. É nesse momento que a família decide pela doação.
Para ser um doador de órgãos é necessário conversar com a família e deixar claro o desejo.
No Brasil, a doação depende da autorização da família, formalizada por meio de um termo. Por isso, conversar sobre o desejo de ser doador ainda em vida é tão importante.
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