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“Maior que a tristeza é a nossa revolta”, diz cunhado de professora que morreu em parque

| 06/02/2020 07:49 h | Atualizado em 06/02/2020, 11:44

Mirian de Oliveira tinha 38 anos e era dona de casa.
Mirian de Oliveira tinha 38 anos e era dona de casa. |  Foto: Acervo pessoal
Indignação é o sentimento da família da professora Miriam de Oliveira, de 38 anos, que morreu durante um acidente no parque de diversões Center Toys, instalado em Itaipava, Itapemirim.

A filha dela, Maria Isabel Poubel, de 8 anos, foi arremessada do mesmo brinquedo e sofreu o traumatismo craniano. Os responsáveis pelo local deixaram a prisão na quarta-feira (5), após decisão da 1ª Vara Criminal de Itapemirim.

O cunhado de Miriam, o personal trainer Vinícius Almeida, 34, relatou a tristeza da família após a decisão de liberdade, que, para eles, é considerada uma injustiça.

“Estamos inconformados. Minha sobrinha nem saiu do hospital e eles já saíram da cadeia.”

A família alega que houve negligência por falta de manutenção e pelo dono permitir que o funcionário trabalhasse embriagado. “Miriam morreu não numa tragédia, mas num ato criminoso”.

O dono do parque, Márcio Matias, 50, e o funcionário Alessandro dos Santos, 23, foram acusados pelo crime de homicídio culposo e lesão corporal grave culposa, quando não há intenção. Eles estavam presos desde o dia do acidente.

Coma

Na quarta, os médicos começaram a reduzir os medicamentos que mantém Maria Isabel em coma induzido. Segundo o pai dela, o auxiliar administrativo Douglas Augusto de Oliveira Poubel, 39, ela está bem, porém foi mantida sedada desde o dia do acidente para facilitar o processo de recuperação, uma vez que formou-se um coágulo no cérebro por conta da queda.

A família é de Viana e estava passeando em Itaipava. O pai não subiu e presenciou o acidente com a mulher e a filha. De acordo com a Polícia Civil, o parque não tinha alvará para funcionamento e continua interditado pela Defesa Civil.

Confira o texto do cunhado Vinícius Almeida na íntegra:

Vinícius Almeida: família revoltada
Vinícius Almeida: família revoltada |  Foto: Acervo de família
"A família está enlutada e desolada. Mirian trabalhou desde os 15 anos de idade. Era o esteio da família. Professora exemplar. Esposa e mãe dedicada. Infelizmente faleceu não numa tragédia, mas num verdadeiro ato criminoso.

A Mirian teve sua vida retirada num momento de lazer com a sua família, enquanto brincava num parque de diversões. Morreu de forma brutal na frente de seu esposo e da sua mãe.

A Maria Alice, a mais doce das crianças, foi arremessada violentamente por dez metros e teve traumatismo craniano. Segue internada na Unidade de Tratamento Intensivo do hospital infantil de Cachoeiro de Itapemirim, em coma induzido. Rogamos por sua vida, cremos em Deus e nos médicos que conduzem o seu tratamento e esperamos a sua rápida recuperação.

Maior que a tristeza, é a nossa revolta.

Infelizmente, os responsáveis por isso já gozam da liberdade, em decorrência de uma decisão judicial, prolatada no bojo do processo de n°. 0000341-51.2020.808.0026, que tramita perante a Primeira Vara Criminal de Itapemirim/ES, que, de forma equivocada, entendeu que foram elas vítimas de um homicídio culposo, não intencional.

Inadmissível se conceber que um parque de diversões estivesse operando de forma irregular, sem a licença dos órgãos competentes, ostensivamente, a luz do dia, na via principal de um distrito turístico do Sul do Estado do Espírito Santo.

Inconcebível que um parque de diversões exposto ao público não mantivesse correta manutenção em seus aparelhos e, mais que isso, que o proprietário do aludido parque tenha permitido que o seu funcionário, responsável por operar os maquinários, estivesse visivelmente embriagado durante o trabalho.

No momento do ocorrido, nenhum responsável pelo parque apareceu no local. Todos se evadiram e a família ficou a mercê da própria sorte. Até agora nenhum representante fez contato ou prestou qualquer auxílio. Ao contrário, grassam em liberdade e desfrutam do conforto de seus lares.

Quem mantêm um parque de diversões operando sem alvará de funcionamento, com equipamentos quebrados e em estado de embriaguez, comete homicídio doloso, com a intenção de matar e deve ser responsabilizado por isto.

Tanto o proprietário quanto o operador do aparelho assumiram o risco de causarem a morte de alguém no momento que decidiram agir conforme agiram e esperamos uma enérgica atuação da Polícia Civil, do Ministério Público e do Judiciário Capixabas, no sentido de darem uma resposta satisfatória para a família e para a sociedade.

Viana/ES, 05 de fevereiro de 2020."

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