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Jovem capixaba sai do interior para virar maestro

| 11/08/2021 17:40 h

Filho de pomeranos, nascido no interior de Santa Maria de Jetibá, na Região Serrana do Estado, o jovem Fabio Lahass, de 23 anos, está a um passo de realizar seu grande sonho: se tornar maestro e estudar em Viena, na Áustria, palco da música erudita no mundo.

Ainda pequeno, ele deixou o trabalho na roça, onde ajudava os pais na colheita de café, para se dedicar ao estudo de música erudita.

O primeiro contato com a música ocorreu aos 8 anos, quando treinava teclado em um desenho de papel. Aos 16 anos, estudou piano e canto na Faculdade de Música do Espírito Santo (Fames).

Em seguida, iniciou o curso de Música na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), mas acabou indo para São Paulo. Lá, se formou na Faculdade Cantareira.

“Sempre gostei de música. Lembro que, quando era criança, ia para o cafezal colher os grãos de café e meu avô sempre me pedia para ficar cantando”, conta.

“Uma vez, fiz o desenho de um teclado no papel para ficar treinando em casa. Quando ia para a igreja, eu colocava em prática no piano que tinha lá. Um dia, ganhei meu primeiro teclado e, a partir daí, fui me dedicando. Apesar de nunca ter tido muito recurso, minha família sempre me apoiou muito”.

Há três semanas, Fabio se formou em Piano Erudito na Escola de Música do Teatro Municipal de São Paulo. Atualmente, estuda Canto Lírico na mesma instituição e Bacharelado em Regência na Universidade Estadual Paulista (Unesp).

O capixaba é o único brasileiro concorrendo a uma vaga de mestrado na Europa. No começo deste ano, ele passou em uma seleção para estudar na Universidade de Música e Artes Performáticas de Viena. Agora, sua ideia é levantar recursos através de uma campanha para conseguir ir ao país para participar da última fase da disputa.

“Já passei por três fases (provas teóricas e práticas). Agora, preciso passar pela prova de alemão no Instituto Goethe. É a última fase e será presencial. Faço a prova em 23 setembro e as aulas começam em 1°outubro. Então, teria que já ficar por lá. Isso envolve muitos gastos”.

Segundo o professor de Canto Lírico Renato Gonçalves, que conheceu Fabio na Fames, o jovem praticamente precisou reaprender a falar português para fazer as aulas de canto.

“Uma vez, Fabio me disse que desejava estudar canto, mas sua família não tinha condições de apoiá-lo financeiramente. Na época, eu me dispus a dar aulas para ele. O maior desafio foi o idioma. Por sua família ser pomerana, ele cresceu com essa referência forte e tinha muito sotaque”, relata.

“Eu me sinto orgulhoso por ter colaborado para que ele pudesse alcançar esse sonho”, completa.

O capixaba Fabio é o único brasileiro na disputa por vaga em Viena, na Áustria
O capixaba Fabio é o único brasileiro na disputa por vaga em Viena, na Áustria |  Foto: DIvulgação

Entrevista - Fabio Lahass Musicista: “Quero espalhar arte pelo mundo”


A Tribuna – De onde surgiu o desejo de ser maestro?

Fabio Lahass – Antes de qualquer coisa, é necessário ser um bom músico. Sempre gostei muito de música e sempre desejei ser pastor, também. Gosto de liderar pessoas, e ser maestro une as duas coisas. Além disso, gosto de ajudar e lidar com as pessoas.

Quais são suas referências?

Ao longo da minha caminhada, muitas pessoas colaboraram e me inspiraram muito. Mas tenho uma admiração muito grande pelo maestro da Orquestra de Santo André, em São Paulo, e professor na Unesp, Abel Rocha.

Quais os planos, se for aprovado?

Primeiramente, quero a formação. Serão cinco anos de mestrado, vai ser uma oportunidade de espalhar arte pelo mundo.

Quero levar o que nós, brasileiros, temos. Sempre com muita humildade, representar minha família, minha cidade, Estado e País. Tenho o sonho de reger um coro profissional, e Viena é a cidade que poderá abrir as portas para este sonho.

Quais os desafios agora?

Sem dúvida, hoje, meu maior desafio é passar na fase final, a prova de idiomas. Além disso, tem a questão financeira. Ir para outro país demanda muitos gastos, ainda mais, nas condições que irei.

Vou fazer a prova em setembro e as aulas começam já no início de outubro. Vou precisar de recursos para me manter lá. Por isso, vou lançar uma campanha para pedir a colaboração das pessoas para que eu consiga o valor.

Como será a campanha?

Vou fazer um site, que vai reunir toda minha história, até hoje. Dentro desse site, vai ter um link que poderá ser acessado por quem desejar fazer as doações. Além disso, será oferecido um recital para ajudar na campanha.

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