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"Já tive de lutar contra o preconceito no futebol", diz capixaba eleita craque do Brasileirão

| 08/03/2021 16:54 h | Atualizado em 08/03/2021, 17:08

Gabi Zanotti com as taças dos campeonatos Paulista e Brasileiro 
de 2020
Gabi Zanotti com as taças dos campeonatos Paulista e Brasileiro de 2020 |  Foto: Rodrigo Coca/ Divulgação Corinthians

O Dia Internacional da Mulher é mais do que uma simples homenagem a elas. A data reafirma a luta pela igualdade de gênero na vida pessoal e profissional. Exemplos femininos que se destacam em áreas dominadas por homens reafirmam que mulheres podem ser o que elas quiserem.

Aos 35 anos, a capixaba Gabi Zanotti carrega uma trajetória de sucesso no futebol profissional. A atleta é meio-campista e capitã do Corinthians.

Em 2020, Gabi conquistou seu terceiro título do Brasileirão Feminino e foi escolhida a craque do campeonato, além de melhor jogadora em sua posição e vice-artilheira da competição.

O início de sua trajetória no esporte foi marcado pela falta de oferta para meninas em escolinhas. Nos últimos anos, notou crescimento da modalidade disputada por mulheres.

A Tribuna – Muitas mulheres começaram jogando com os meninos, pois não havia times femininos ou faltaram garotas para a competição. No seu caso foi assim?

Gabi ZanottiA grande maioria das meninas da minha geração passou por isso. Naquela época a gente tinha bastante dificuldade de encontrar escolinhas de futebol feminino. Então na maioria das vezes a acabava jogando com os meninos, até mesmo na rua.

Hoje é muito mais fácil chegar em uma pracinha ou no campo society e encontrar meninas jogando futebol. A cada ano tem aumentado bastante a presença feminina, com números expressivos de meninas interessadas em jogar futebol.

Teve algum episódio marcante na sua trajetória em que lutou contra o preconceito?

Já tive de lutar contra preconceito no futebol. Não tem algo que me frustrou a ponto de pensar em desistir do meu sonho. Mas ouvi muita gracinha. Desde quando chegava para jogar na pracinha e escutava que “menina não dá para jogar com menino” até quando já estava indo para o meio profissional, como “futebol feminino não tem futuro”.

Mas sempre tive uma cabeça muito boa e fui muito convicta do que queria para o meu futuro e nada disso me abalou em nenhum momento da minha carreira.

Como você vê o desenvolvimento do futebol profissional feminino no Brasil?

Houve um crescimento muito grande, principalmente a partir da Copa do Mundo da França de 2019. Foi realmente um boom por ter tido transmissão em TV aberta. Conseguimos levar o futebol feminino para o conhecimento de muitas pessoas que não tinham noção de como era e como estava o nível da modalidade.

Continua em uma crescente e não vejo nenhuma possibilidade de regredir em termos de estrutura e de competições.

Como está o Brasil em relação a outros países?

Depende do que for avaliar. Financeiramente, a Ásia é sempre melhor, pensando em Coreia do Sul e China. Pensando em estrutura no geral, a Europa, principalmente a Inglaterra tem se reforçado bastante. Muitos clubes oferecem grande estrutura de trabalho.

Mas em termos de competitividade e maior número de clubes que podem brigar por um título, eu diria que o Brasil está muito bem representado e tem uma das ligas mais competitivas do mundo.

O futebol feminino está evoluindo e rompendo barreiras?

Estávamos no caminho certo. O futebol feminino estava atraindo cada vez mais público para o estádio. Na última final do Campeonato Paulista em 2019, que fizemos na Arena Corinthians contra o São Paulo, tinham 30 mil pessoas no estádio e várias torcedores ficaram do lado de fora, pois não conseguiram entrar na Arena.

A pandemia acabou jogando um balde de água fria porque tivemos que disputar jogos com estádios vazios. Mas nós estamos no caminho certo com a visibilidade que temos atraído. As transmissões dos jogos têm chamado muito mais público.

A meia Gabi  comemorando com o time vitória do Corinthians 
no Brasileirão 2020
A meia Gabi comemorando com o time vitória do Corinthians no Brasileirão 2020 |  Foto: Rodrigo Gazzanel / Rodrigo Coca

Qual o diferencial das mulheres nas práticas esportivas?

A mulher é mais detalhista. Falo pelo que já vi dentro dos nossos treinos e ouvi de alguns homens. Nós damos atenção aos pequenos detalhes. O que talvez passa batido no futebol masculino até porque já tiveram base e às vezes pensam: “já passei por essa fase e não preciso aprender isso”.

A mulher está sempre disposta a aprender e sempre atenta a pequenas correções. Queremos aprender e evoluir a cada dia. Não que no masculino isso não exista, mas talvez tenhamos mais humildade para entender os erros e corrigir.

Como suas conquistas podem inspirar outras meninas?

O Corinthians hoje é uma grande referência na modalidade por tudo que a gente vem conquistando, quebrando recordes a cada ano e ganhando títulos expressivos. Com isso, acabamos sendo inspiração para muitas, mostrando que a mulher pode chegar aonde ela quiser dentro da sociedade.

Não existe espaço considerado masculino e feminino. É só se capacitar que a gente pode conseguir o que quiser.


Perfil


Gabriela Maria Zanotti Demoner

  • É futebolista profissional, meia e capitã do Corinthians.

  • Natural de Itaguaçu, noroeste do Estado, iniciou sua trajetória aos 8 anos em um time de sua cidade natal.

  • Profissionalmente, no Brasil, passou pelo Centro Olímpico, Santos e Kindermann. No exterior, atuou em times da Coreia do Sul, da China e dos Estados Unidos.

  • Em 2020, conquistou seu terceiro título do Brasileirão e foi nomeada a craque do campeonato, melhor jogadora em sua posição e vice-artilheira

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