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Idosa tem exame negativo para covid, mas família é impedida de velar corpo

| 28/05/2020 17:04 h | Atualizado em 28/05/2020, 17:31

Aposentada Geronita Rodrigues de Freitas
Aposentada Geronita Rodrigues de Freitas |  Foto: Acervo Pessoal
Como se já não bastasse a dor por perder um ente querido, uma família de Cariacica foi obrigada a se despedir de sua matriarca sem direito a velório e com o caixão lacrado. Mas, ao contrário do que acontece em outros casos no país, a aposentada Geronita Rodrigues de Freitas, de 93 anos, teve diagnóstico negativo para coronavírus.

Segundo a família de Dona Geronita, ela tinha um problema crônico no pulmão, após contrair uma pneumonia há quatro anos. Diante da pandemia do coronavírus, a família redobrou os cuidados, mas, no último dia 4 de maio, o quadro se agravou e eles tiveram que levá-la para o Pronto Atendimetno de Alto Laje, em Cariacica.

De lá, a paciente foi levada para o Hospital Jayme dos Santos Neves, na Serra, onde, diante do quadro respiratório e outros fatores, foi submetida a diversos exames. No último dia 22, Geronita não resistiu e faleceu.

À família, os médicos informaram que a causa da morte fora insuficiência respiratória, decorrente da pneumonia. "A primeira pergunta que minha mulher fez foi: Doutor, minha mãe morreu de coronavírus. Ele respondeu: não. O exame dela deu negativo. Isso nos deixou mais tranquilos", lembrou o porteiro Ledson José da Silva, genro de Dona Geronita.

O drama da família então começa a surgir naquele momento: mesmo sem o diagnóstico de coronavírus, o corpo da paciente foi encaminhado não para o necrotério do hospital, mas para um contêiner externo, refrigerado, onde são destinados os pacientes vítimas da covid-19. 

"Quando a funerária que contratamos chegou ao hospital para recolher o corpo nós fomos comunicados que ela não estava no necrotério, mas neste contêiner. O corpo só foi liberado com caixão fechado e nós sequer pudemos ver ou velar a minha sogra. Foi a pior situação que eu já vi", avaliou Ledson.

"Nós não temos certeza de que enterramos a pessoa certa. Não aceitamos o fato de não termos podido velar o corpo da minha sogra. Já acionamos um advogado e vamos recorrer à Justiça pelos nossos direitos. Ela não teve esta doença aí (coronavírus)", afirmou.

Por meio da coluna "Qual a Bronca?", a reportagem de A Tribuna entrou em contato com a direção do Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, que explicou que Geronita teve diagnóstico negativo para coronavírus, mas que, por recomendação do Ministério da Saúde, os corpos de casos suspeitos ou confirmados para a doença são direcionados para as câmaras refrigeradas.

"A direção esclarece que caso o teste seja negativo, mas o paciente apresente clínica sugestiva de Covid-19, o mesmo é definido como inconclusivo, ou Covid Síndrome Clínica, podendo ser submetido a novas avaliações clínicas, laboratoriais e de imagem, o que aconteceu com a senhora Geronita", diz a nota.

Sobre a desconfiança da família de uma possível troca de corpo, o hospital explicou que um neto da paciente realizou o reconhecimento e atestou em um documento. No entanto, a direção do hospital se colocou à disposição da família para prestar mais esclarecimentos sobre os protocolos do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Saúde (Anvisa).

Dona Geronita foi enterrada no Cemitério Central de Ibatiba, no interior do Estado. Ela deixa quatro filhos (além de outros 7 já falecidos) e 18 netos.

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