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Grande Vitória já tem mais de mil moradores de rua

Prefeituras dizem que o número de pessoas vivendo em praças e embaixo de pontes aumentou durante a pandemia

Francine Spinassé, do jornal A Tribuna | 03/02/2022 17:18 h

Depois de quase dois anos de pandemia de covid-19, os impactos também têm sido sentidos nas ruas  da Grande Vitória. O número de pessoas sem moradia aumentou e mais de mil delas têm vivido em praças, embaixo de pontes ou de marquises. 

Em Vitória, a secretária de Assistência Social, Cintya Schulz, confirmou o aumento, se comparado o número de abordagens nos últimos anos. “Em 2021, tínhamos média de 322 pessoas vivendo em situação de rua. Já em janeiro deste ano, tivemos 352 abordagens”.

A secretária explicou, no entanto, que a população de rua é flutuante, já que ela circula muito pela Grande Vitória. 

Cintya Schulz destacou que, além disso, também tem sido percebido o crescimento de pessoas nas ruas, tanto comercializando itens em semáforos, como pedindo ou fazendo uso de substâncias como álcool. 

“A perda de emprego, da renda ou a morte de familiares acaba ampliando esses cenários. Também temos visto o aumento das crianças trabalhando”, citou.

A Prefeitura de Vila Velha informou que, no município, são aproximadamente 240 pessoas em situação de rua atualmente. 

Em comparação com 2020, no início da pandemia, a Secretaria de Assistência Social afirmou que o aumento foi de 15%.

Na Serra, o número de abordagens também cresceu. Em 2019, antes da pandemia, foram abordadas 728 pessoas em situação de rua, conforme informou a Secretaria de Assistência Social. Já durante o ano de 2021, foram 931.   

Em Guarapari, a média de pessoas vivendo nas ruas está entre 190 a 200. A prefeitura destacou que  observa-se um aumento do fluxo no município devido ao período de verão.

Mesmo assim, em comparação com janeiro de 2020, houve aumento, já que a cidade tinha, em média, 80 pessoas em situação de rua. 

Em janeiro do ano passado, passou a ter cerca de  90 e 100.

Em Cariacica, se comparado com 2019, houve redução de pessoas vivendo nas ruas. Mesmo assim, até o momento, 319 já foram abordadas este ano sem residência e vivendo nas ruas.

Um cozinheiro, de 37 anos, contou que desentendimentos na comunidade e a perda do emprego o levaram a ficar sem um lugar para viver
Um cozinheiro, de 37 anos, contou que desentendimentos na comunidade e a perda do emprego o levaram a ficar sem um lugar para viver |  Foto: Lucas Sandonato/AT
 

Sonho de voltar a trabalhar em cozinha

Há mais de um ano, o colchão no chão, na região do Sambão do Povo, em Vitória, tem sido o endereço de um cozinheiro, de 37 anos. 

Ele contou que desentendimentos na comunidade e a perda do emprego, em uma rede de restaurantes,  o levaram a ficar sem um lugar para viver. “Comecei a usar drogas há seis anos, e isso acabou prejudicando o meu emprego com o tempo. Hoje, faço alguns bicos”.

Segundo o cozinheiro, tem aumentado o número de pessoas nessa situação e buscando um local para viver nas ruas. 

Sobre o futuro, ele diz que tem conversado com equipes da prefeitura para tentar deixar o vício em drogas e recomeçar a trabalhar. “Meu sonho é voltar a cozinhar e ter um emprego”.

“Não é uma vida fácil. Cada um que chega, vive uma realidade diferente para estar aqui”, diz homem que vive embaixo de uma ponte na Vila Rubim
“Não é uma vida fácil. Cada um que chega, vive uma realidade diferente para estar aqui”, diz homem que vive embaixo de uma ponte na Vila Rubim |  Foto: Lucas Sandonato/AT
 

Liberdade na vida embaixo da ponte

Vivendo embaixo de uma ponte na região da Vila Rubim, em Vitória, um morador de rua de 37 anos afirma que encontra a liberdade que busca ali mesmo, em seu canto, cercado por cobertores e panos. 

Ele cita que tem observado aumento no número de pessoas buscando espaço nas ruas nos últimos anos. “Não é uma vida fácil. Cada um que chega, vive uma realidade diferente para estar aqui”.

Prefeituras ampliam serviços e abordagens

Com o aumento do número de pessoas vivendo nas ruas, prefeituras da Grande Vitória têm ampliado os serviços voltados para esse público.  

Em Vitória, a prefeitura ampliou de 155 para 195 as vagas para abrigar pessoas em situação de rua. Isso foi possível com a criação do Serviço de Acolhimento Emergencial Transitório.

Destacou, ainda, que o atendimento inicial a pessoas em situação de rua é feito pelo Serviço Especializado de Abordagem Social, que funciona todos os dias. 

Entre os serviços disponíveis para as pessoas que vivem nas ruas, estão também o Centro Pop, abrigo, hospedagem noturna, Casa Lar e albergue para migrantes.

Na Serra, entre as ações para os moradores em situação de rua, está o Centro Pop, com possibilidade de higienização, alimentação, atividades educativas, entre outros. 

Em janeiro, foi inaugurado o Projeto Acolher, um abrigo provisório para pessoas em situação de rua com sintomas gripais.

Já em Cariacica, foi lançado em 2021 o programa Vida Nova Cariacica, voltado a concretizar sonhos de pessoas em situação de rua. Em uma das ações, as pessoas estão passando por cursos. Também foi  inaugurado, em agosto, o primeiro Centro Pop do município.

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