Gigante dos mares no ES: espécie é dócil e pode chegar a 8 metros e duas toneladas
Durante monitoramento de baleias-jubarte, pesquisadoras se depararam com uma raia-manta, considerada a maior espécie de raia do mundo
O que era para ser uma expedição de monitoramento de baleias-jubarte se transformou em um momento surpreendente para quatro pesquisadoras do Projeto Amigos da Jubarte/Jubarte.lab.
Na última segunda-feira (27), a cerca de 37 quilômetros da costa de Guarapari, elas receberam a visita inesperada de uma raia-manta, uma gigante dos mares e considerada a maior espécie de raia do mundo.
“De longe, achamos que podia ser a nadadeira dorsal de um golfinho. Depois, alguém falou: 'Parece um tubarão', pelo jeito de nadar. Quando eu estava na parte mais alta da embarcação, consegui ver melhor e confirmar que era uma raia-manta. A reação foi de surpresa e muita euforia”, conta a bióloga marinha Bruna Rezende, coordenadora-geral do projeto.
A surpresa ao avistar o animal foi recebida como um “presente da natureza”, já que a interação durou quase uma hora.
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“O que tornou esse encontro especial foi justamente isso. Não é comum ela ficar tanto tempo interagindo. Poder ver um animal desse tamanho, tão bonito e calmo, de tão perto e por tanto tempo é uma experiência que marca”, afirma.
Com o auxílio de um drone, levado para apoiar o monitoramento das baleias, foi possível constatar que a raia tinha 5,8 metros de envergadura, da ponta de uma nadadeira à outra, e pouco mais de 3 metros da cabeça até a cauda, com peso estimado em 1,2 tonelada.
Segundo Bruna, o registro se mostra importante também do ponto de vista científico, já que a espécie é classificada como “em perigo de extinção” pela União Internacional para a Conservação da Natureza. “Dá para observar comportamento, padrão de natação, marcas no corpo que ajudam na identificação individual e até a condição de saúde do animal”, destaca.
A expedição, parte do Programa de Monitoramento de Cetáceos – Porto de Tubarão, realizado pelo Instituto O Canal/Jubarte.lab, tem como objetivo monitorar baleias-jubarte. No entanto, também tem se mostrado eficaz para a observação de outras espécies.
Assista ao vídeo abaixo
“Ter o registro da raia na linha de Guarapari, a 20 milhas náuticas da costa, amplia nosso conhecimento sobre a distribuição e o uso de habitat desses animais no Espírito Santo. Desde 2017, esse é apenas o terceiro registro da espécie feito pela nossa equipe durante cruzeiros”, complementa a coordenadora.
Espécie é dócil e pode chegar a 8 metros e duas toneladas
Uma gigante que pode atingir 8 metros de envergadura e pesar até duas toneladas, a Mobula birostris, conhecida como raia-manta, é considerada uma espécie inofensiva. Alimenta-se de plâncton e não possui ferrão na cauda.
O biólogo especialista em peixes João Luiz Gasparini, do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Nupem/UFRJ), explica que ela está inserida no conceito da “fofofauna”, que engloba animais carismáticos. “Trata-se de uma espécie dócil e curiosa, que costuma se aproximar de mergulhadores”.
Do ponto de vista científico, seus hábitos em alto-mar despertam o interesse de pesquisadores, diz o especialista. “Ela ocorre em diversas regiões do mundo, habitando mares de águas quentes, temperadas, subtropicais e tropicais. Possui ampla distribuição, atinge profundidades de até 300 metros, embora permaneça predominantemente próxima à superfície e nade, na maior parte do tempo, em mar aberto”.
Apesar de não ser uma espécie rara, suas aparições se tornaram cada vez menos frequentes. Gasparini destaca que a captura acidental pela pesca tem contribuído para esse cenário. Além disso, o atropelamento por embarcações é outro fator que contribui para a mortalidade da espécie.
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