“Fui chamado de mendigo por ter só 100 reais”, diz motoboy
Em um intervalo de duas semanas, Anderson Siqueira Barbosa foi assaltado duas vezes em Cariacica, pelos mesmos bandidos
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Em um intervalo de duas semanas, o motoboy Anderson Siqueira Barbosa, 46 anos, foi assaltado duas vezes em Bela Aurora, Cariacica, pelos mesmos bandidos. Ele não acumula apenas prejuízos materiais: foi agredido e humilhado em um dos assaltos.
“Levei um tapa na cara e fui chamado de mendigo por ter só 100 reais na carteira. Além disso, eles jogaram os meus documentos no chão e ainda levaram o meu celular”, contou o motoboy.
Um deles estava armado com um revólver calibre 38 e fazia ameaças a ele e outras duas pessoas que estavam na farmácia, local onde ocorreu o assalto.
A insegurança, na avaliação de Anderson, está atrelada às leis que ele chama de brandas. “Policiamento existe, mas infelizmente somos obrigados a conviver com o famoso prende e solta. Precisamos de leis mais duras, até mesmo para menores. Caso contrário, vamos continuar enxugando gelo”.
Nas ruas, o cenário é de medo. Dados do Observatório da Segurança Pública mostram que neste ano foram registradas 13.221 ocorrências de roubos e furtos no Estado. A Serra lidera com 2.713.
O titular do 11º Distrito Policial (Jacaraípe), delegado Rodrigo Rosa, diz que o celular continua campeão na preferência. O aparelho é trocado por crack em bocas de fumo.
Ele pede que quem for vítima não deixe de registrar ocorrência, já que ela serve para nortear as ações dos agentes de segurança.
Tecnologia para reduzir casos
Diante dos casos de furtos, roubos e assassinatos, as prefeituras da Grande Vitória disseram que estão investindo em tecnologia para trazer de volta a sensação de segurança para a população capixaba.
Na Serra, por exemplo, além de aumentar o efetivo de militares da Guarda Civil Municipal, o município vai utilizar o cerco eletrônico para diminuir os crimes contra o patrimônio.
“Nossas ferramentas diminuirão o furto e roubo de veículos. Também temos parceria com a PRF, na área de inteligência, para diminuir nossas ocorrências”, disse Joel Lyrio, secretário de Defesa Social.
Em Vila Velha, a chamada “Muralha Eletrônica”, com 53 pistas monitoradas nos diversos pontos de acesso à cidade, também está ajudando na redução de crimes.
“São novos rádios HTs, 15 novas viaturas Nissan Kicks, cinco caminhonetes Mitsubishi L200 Triton para as equipes da Ronda Ostensiva Municipal”, disse um trecho da nota da prefeitura.
Em Cariacica, mesmo com a Central de Videomonitoramento já instalada, o município está elaborando projeto básico para instalação do Cerco Eletrônico.
Em Vitória, além das 110 câmeras que estão funcionando no monitoramento de crimes, o município já adquiriu um drone.
“Nossas ações têm trazido bons resultados na atual gestão e hoje trabalham no operacional”, disse Fábio Rebello Alves, comandante da Guarda Civil Municipal de Vitória.
CASOS
Bala perdida
Um menino de 2 anos foi baleado na cabeça durante um tiroteio em Rio Marinho, Vila Velha, em fevereiro deste ano. A criança estava descendo uma escada com a mãe para comprar pão quando foi atingida.
Théo Henrique Soares Santos chegou a ser socorrido, mas acabou não resistindo aos ferimentos. Segundo a Polícia Militar, cerca de 30 homens encapuzados participaram do tiroteio.
Mão de Deus
No mês passado, o comerciante Eugênio Martini, de 66 anos, escapou da morte, após ser vítima de um assalto pouco depois de sua loja de celulares, que fica no centro de Vitória, ser assaltada. Um bandido apertou o gatilho duas vezes, mas ele escapou. “Ele atirou à queima roupa. Ali teve a mão de Deus”.
Medo da violência
Andar nas ruas é sinônimo de medo para a enfermeira Paula Assunção, de 36 anos. Ela já perdeu relógio e celulares em assaltos na rua e no ônibus. “Quando estou no ônibus e alguém pula a roleta eu desço no próximo ponto. Já fiz isso 10 vezes. Nas ruas, ando olhando para todos os lados”.
Estratégias
A insegurança levou a confeiteira Luana Firme, 36 anos, e seu filho, o estudante Guilherme Rocha, 15, a evitarem andar com celulares nas ruas. Ela conta que já perdeu um aparelho celular. “Tomaram o meu celular que estava na cintura”.
Sua vizinha também teve uma bicicleta furtada recentemente. “É preciso usar estratégias para não ser vítima novamente. Em caso de assalto, as pessoas não devem reagir. O jeito é ficar no prejuízo, comprar novo aparelho e dividir em 10 vezes”, lamentou.
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