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Famílias se isolam em refúgios

| 15/06/2020 09:55 h | Atualizado em 15/06/2020, 11:12

Symon Sweda e Rose Santos se refugiaram em um sítio, em Guarapari, com a filha, a pequena Nalu, de 4 anos
Symon Sweda e Rose Santos se refugiaram em um sítio, em Guarapari, com a filha, a pequena Nalu, de 4 anos |  Foto: Roberta Bourguignon

Com quase três meses do início do distanciamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus no Estado, algumas famílias estão recorrendo a verdadeiros refúgios para mudar os ares nesta quarentena.

As escolas suspenderam as atividades, muitas pessoas passaram a trabalhar no esquema de home office e todas as atividades de lazer tiveram de ser transferidas para dentro de casa.

Até dá para abusar da criatividade, inventar receitas, ver filmes, ler livros, se divertir com as crianças e com as lives dos artistas. Mas o tempo está passando, os números de vítimas da doença só aumentam e não há expectativa de que o cenário mude logo.

Justamente para sair um pouco do ambiente que deixou de ser só moradia e virou também escritório, restaurante, área de lazer e escola, algumas famílias estão alugando casas e pousadas em locais mais retirados.

A “mudança” por alguns dias é uma verdadeira operação de guerra. Os itens de higiene pessoal e de ambientes não podem faltar, e também há casos de famílias que levam a própria comida para evitar ter de sair para fazer as refeições.

A dona de casa Rose Santos, de 26 anos, e o marido dela, o analista de sistemas Symon Sweda, de 45, se refugiaram em um sítio em Guarapari junto com a filha deles, a pequena Nalu Natividade, de 4 anos.

A família, que já mora no município, resolveu sair da agitação da cidade para acalmar a ansiedade e passar por momentos mais tranquilos.

Eles aproveitam a estadia em um sítio para curtir piscina, espaço de lazer para crianças, ter contato com a natureza e ainda fazer churrascos.

“Decidimos nos refugiar no sítio para ter mais tranquilidade. Quis tirar minha filha do apartamento. Mesmo para quem está na Praia do Morro ou nos bairros do Centro, é insuportável. O sítio é ótimo! Tem espaço para crianças, piscina, e é perto de casa também”, contou Rose.

Já Symon disse que essa é uma forma de se lembrar como era a vida antes da pandemia.

“Precisamos nos refugiar e sair um pouco dessa pressão que é a quarentena, sobretudo, por causa da nossa filha, que fica o tempo todo dentro do apartamento”, comentou o analista.

Mudança de ares

Sossego em Domingos Martins
O empresário Acrysio Tannure, de 37 anos, e a mulher dele, a digital influencer Daniele Tannure, de 33, decidiram viver momentos de lazer para não surtar na quarentena.

Para isso, o casal se refugiou em um sítio em Domingos Martins, na Região Serrana do Estado.

“Estamos vivendo dias bem complicados, com todos os cuidados e mudanças de rotina. É muita tensão em tudo na Grande Vitória. Ficamos cansados e decidimos buscar uma rotina menos estressante. Esperamos descansar, aproveitar a natureza e o lazer nesses dias de refúgio no sítio”, contou Daniele.

O empresário Acrysio Tannure, de 37 anos, e a mulher dele, a digital influencer Daniele Tannure, de 33
O empresário Acrysio Tannure, de 37 anos, e a mulher dele, a digital influencer Daniele Tannure, de 33 |  Foto: Kadidja Fernandes/ AT

Quebra da rotina

Os empresários Dayanny Castro, de 34 anos, e Tiago de Carvalho, de 38
Os empresários Dayanny Castro, de 34 anos, e Tiago de Carvalho, de 38 |  Foto: Roberta Bourguignon
Os empresários Dayanny Castro, de 34 anos, e Tiago de Carvalho, de 38, são casados e, normalmente, têm uma vida agitada. O estresse do trabalho e as regras de isolamento social fizeram com que o casal buscasse refúgio em uma pousada que fica em Guarapari. Eles aproveitaram para estender a hospedagem e comemorar o Dia dos Namorados.

“Decidimos nos refugiar aqui para sair um pouco da rotina e do estresse do isolamento. A rotina em casa é muito entediante. Precisávamos de algo diferente”, contou Dayanny.

Lua de mel em Jacaraípe
A secretária Naielle Henriqueta, de 29 anos, e o mecânico industrial Anderson Fagundes, de 32, acabaram de se casar e tiveram que improvisar a lua de mel em uma pousada de Jacaraípe, na Serra, bem no meio da quarentena.

Eles disseram que essa foi a forma que encontraram para comemorarem, já que tiveram de mudar todos os planos do casamento.

“Procuramos uma pousada e nos surpreendemos. Como uns dias de isolamento fora de casa podem ser bons”, comentou Anderson.

A secretária Naielle Henriqueta, de 29 anos, e o mecânico industrial Anderson Fagundes, de 32
A secretária Naielle Henriqueta, de 29 anos, e o mecânico industrial Anderson Fagundes, de 32 |  Foto: Kadidja Fernandes/ AT

Longe do estresse
O casal de empresários Adelize Cozer, de 30 anos, e Weverton Tardem, de 38, já viajou algumas vezes com o filho Luiz Felipe, de 6 anos, durante a quarentena para a região de Domingos Martins.

Eles contaram que o estresse e o tédio do isolamento social em um apartamento, com uma criança, motivaram a busca por refúgio.

“No meu caso, que tenho criança e moro em apartamento, o sítio é realmente um refúgio que me faz sentir livre e, neste momento, isso faz toda a diferença. Já me hospedei duas vezes e pretendo me hospedar de novo”, contou Adelize.

O casal de empresários Adelize Cozer, de 30 anos, e Weverton Tardem, de 38, já viajou algumas vezes com o filho Luiz Felipe, de 6 anos
O casal de empresários Adelize Cozer, de 30 anos, e Weverton Tardem, de 38, já viajou algumas vezes com o filho Luiz Felipe, de 6 anos |  Foto: Acervo pessoal

Recomendação é permanecer em casa

Refugiar-se no interior do Estado é uma boa alternativa para aliviar o estresse da rotina conturbada das cidades, mas não durante uma pandemia.

Essa é a opinião de especialistas que reforçam que ainda é momento de permanecer em casa.

A médica infectologista Rúbia Miossi afirmou que a conduta é uma forma de disseminar ainda mais o novo coronavírus.

“De jeito nenhum é hora de sair de casa. Em sítios e pousadas, as famílias ampliam o contato com outras pessoas, sejam hóspedes ou com aquelas que limpam os quartos e fazem a comida, por exemplo. O ambiente mais seguro é a casa da gente, e sem ajudante doméstico, que no caminho do trabalho ainda pode levar contaminação para a família ou para si mesmo”, disse.

Paulo Peçanha diz que pessoa com sintoma de gripe deve receber atestado
Paulo Peçanha diz que pessoa com sintoma de gripe deve receber atestado |  Foto: Thiago Coutinho / Arquivo AT

Já o infectologista Paulo Peçanha recomendou ainda mais atenção à higiene, caso a pessoa se hospede em uma casa ou pousada.

“A primeira questão é a limpeza. Os ambientes precisam ser bem limpos e passar por uma desinfecção rigorosa. Depois, vem o risco respiratório. Por isso, deve-se evitar aglomerações e manter o distanciamento. Isso vale tanto para a casa onde a pessoa vive, quanto para o lugar onde vá se hospedar”, recomendou.

O médico disse também que a pessoa não deve achar que indo para o interior está livre da Covid-19. “Não há um município sequer no Estado que não tenha casos de contaminação. Outra recomendação é a pessoa se higienizar o tempo todo, seja com água e sabão ou com o álcool em gel”.

Para a psicóloga Patrícia Dummer, buscar um refúgio onde seja possível aliar tranquilidade e liberdade seria uma forma de tornar os dias em isolamento mais leves, tendo em vista que, em alguns casos, até as áreas de lazer dos prédios ficaram restritas.

“Entretanto, esse é um momento em que a recomendação é que as pessoas não migrem para outras regiões, para evitar que o vírus circule, principalmente em cidades menos afetadas”, ponderou.

Patrícia lembrou que, no interior, existe mais dificuldade de assistência à saúde, o que pode deixar o atendimento a pacientes graves ainda mais colapsado.

“Mesmo sendo difícil, estamos em isolamento social e nossas ações devem ser pensadas para o bem de todos”, destacou.

Hospedagem chega a custar R$ 2.600 para fim de semana

Com a liberação para que hotéis, sítios e pousadas voltem a receber hóspedes, desde que obedecidas as regras de higienização e distanciamento social, o setor passou a se movimentar para atrair o público.

A desinfecção dos ambientes ficou mais criteriosa e, para recuperar o prejuízo causado pela pandemia do novo coronavírus, o jeito foi fazer pacotes e promoções para atrair as famílias que já não aguentam mais ficar em casa.

Um final de semana em pousadas da região de Pedra Azul, em Domingos Martins, por exemplo, pode custar até R$ 2.600 para o casal. Se tiver filhos, são mais R$ 730, em média, por cada criança.

Também há opções mais em conta. Em outras regiões de Domingos Martins, dá para passar o final de semana em pousadas e sítios por cerca de R$ 600.

Já em Guarapari, longe da agitação das praias, algumas pousadas oferecem finais de semana, com café da manhã para casais, a partir de R$ 560. Entre as atrações estão piscina de borda infinita, sauna, jardim, horta e orquidário.

Na Serra, há opções em conta para quem quer mudar os ares durante a quarentena. Por preços a partir de R$ 180, é possível passar o fim de semana a dois com café da manhã, piscina, jardins e área de lazer para as crianças.

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